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Informo que por alguns motivos desativei esse blog e iniciei outro há pouco tempo.  Lá vocês podem encontrar alguns artigos daqui e novos. O endereço é:

 

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Grato!

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Jogos Mortais 7 – O Final (Saw 3D – 2010) – Após as preliminares, um coito interrompido…

ATENÇÃO:  Nesta crítica, farei referências a acontecimentos de filmes anteriores da franquia.  Não será nada tão revelador, mas não me xingue depois, já estou deixando avisado.

ATENÇÃO 2: Não irei revelar pontos muito importantes deste filme nessa crítica, para preservar as surpresas do filme. O único parágrafo que poderá sinalizar algum ponto importante estará destacado, ok?

Parece que foi ontem quando um filme de baixo orçamento se destacou nos cinemas de todo o mundo, devido à sua tensão e incrivelmente surpreendente final. Este filme em questão, Jogos Mortais, gerou uma franquia que seguiu religiosamente a tradição de um novo capítulo em curto espaço de tempo, e por isso não é surpreendente que a fórmula tenha se desgastado tanto. Mesmo assim, tivemos no geral filmes acima da média, e sempre finais que tentavam manter a surpresa geral. O objeto desse artigo é supostamente um final para a série (duvido…), e sua produção foi carregada de especulações, promessas dos produtores, revelações surpreendentes, etc, etc, etc. Devo ser sincero em dizer que estava muito entusiasmado, porque Jogos Mortais 6 conseguiu resgatar a qualidade da série, numa trama rica e um final bastante surpreendente. E quando fui ver o “último” capítulo, caí de cara no asfalto…

Bobby Dagen (Sean Patrick Flanery) é um cara que supostamente escapou de um dos jogos de Jigsaw e agora fatura com entrevistas e seu recém-lançado livro. Mas tudo não passa de uma farsa, e ele será o jogador principal deste filme, onde terá de salvar os membros de sua equipe e sua esposa Joyce (Gina Holden). Enquanto isso, acompanhamos Hoffman (Costas Mandylor) planejando se vingar de Jill (Betsy Russell), que tentou matá-lo no filme anterior. Esta então busca ajuda da polícia, denunciando Hoffman como o autor dos novos jogos e pedindo proteção, concedida pelo policial Gibson (Chad Donella). Mas como você já pode desconfiar, novos elementos aparecerão, enquanto rola o jogo de Bobby e blá, blá, blá. Além disso, Jisgsaw (Tobin Bell) ainda estará presente em alguns flashbacks (mesmo que numa menor quantidade, se comparado aos outros filmes), e personagens dos outros filmes aparecerão.

O que chama mais atenção no filme é o visível desgaste da fórmula. Se em outros filmes ainda tentava se camuflar isso, aqui parece que os produtores ficaram de saco cheio e resolveram chutar o balde. Eu diria que este filme sofre da “síndrome do Jogos Mortais 5”: o jogo se mostra praticamente desnecessário, pouco interfere na trama de Hoffman e é extremamente mal inspirado. De fato, a prioridade aqui parece ter sido apenas o uso do 3D: as armadilhas na maior parte das vezes parecem ter sido criadas apenas para aproveitar o efeito.  O choque provavelmente se tornou maior pelo fato de a 6ª parte da franquia ter sido um considerável acerto, quando tudo parecia estar perdido.  Mas, o resultado final ficou muito além do jogo bem elaborado, da trama rica e do final surpreendente do filme anterior. Sem contar que também tem os aleatórios “jogos paralelos” , cujo um deles (com a curiosa participação do vocalista do Linkin Park, Chester Bennington) tem, pasmem, uma maior relevância na trama do que o jogo principal.

ATENÇÃO: Este parágrafo não possui spoiler, mas pode entregar alguns pontos essenciais da trama. Selecione o texto se quiser ler. Mas a maior decepção do filme é o seu final. Quem acompanhou a produção do filme irá matar de cara o que acontece no final. Quer dizer, até mesmo quem jamais viu um filme da série pode decifrar isso. Por que? Porque os produtores parecem realmente ter chutado o balde e dão diversas evidências do que acontecerá no final durante o decorrer do filme.  Se não bastasse isso, os roteiristas resolveram complicar ainda mais a cronologia da série, e além de não remediarem alguns furos deixados nos filmes anteriores, ainda criam novos nesta sequência.

Enfim, eu acho que o título do artigo não poderia ser mais apropriado. O motivo? Os filmes, mesmo com a perda de qualidade a cada ano, nos presentearam com uma divertida franquia, numa época em que produções do gênero definham em filmes porcos e sem criatividade. E, quando revelam um “final” para a série, onde prometem várias surpresas e um filme com maior metragem da série, jogam essa bomba homérica, que transtorna qualquer fã de verdade da série. Bom, se você espera um filme que resgate a qualidade dos primeiros e a surpresa do 6º,  então lhe digo que você provavelmente se decepcionará. Agora, se você gostou de todos (até mesmo do 5º filme “caça níqueis”), talvez curta esse também. Mas em qualquer um dos casos, tenha certeza que não terá surpresas e que a série provavelmente não será sepultada ainda…

Nota: 5,0

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Trailer

Tropa de Elite 2 (2010) – Um perdão pelo ridículo primeiro capítulo

Eu ainda me lembro há poucos anos atrás,  quando um suposto filme vazou nos camelódromos Brasil afora e causou um grande alarde. Virou febre. Víamos muitos falando “o filme que mostra a realidade”, “o melhor do cinema nacional”, e até mesmo a expressão “faca na caveira” se tornando usual na conversa popular. Me lembro que havia pego o filme em questão, Tropa de Elite, com desconfiança, já que o “cinema nacional de circuito” é uma verdadeira lástima. E o filme só havia confirmado minha opinião. Uma sucessão de erros que a “Globosta filmes” havia feito com Cidade de Deus, Carandiru e afins. Pobre marginalizado, morte para todos os lados, tiros para todos os lados, um Rambo brasileiro…. Enfim, uma das piores produções do cinema nacional.  Com descrença também fui ver hoje Tropa de Elite 2 (apesar de menor, já que o trailer mostrava até que a abordagem do filme prometia). E me surpreendi; não por me deparar com uma obra prima nacional, mas por ver um filme que ousou mudar o que havia consolidado a franquia.

Aqui temos um Capitão Nascimento (Wagner Moura) amargurado: nem lembra o ser acéfalo do primeiro filme. [ATENÇÃO: Spoilers no resto deste parágrafo]. O filme começa com uma operação no presídio de Bangu, comandada pelo Capitão Nascimento. Só que no encalço do Capitão está o lider humanitário Diogo Fraga (Irhandir Santos), e após a operação no presídio culminar na morte de vários presos, Nascimento se vê encurralado pelo “sistema” e se torna Subsecretário de Segurança do Rio de Janeiro. Mas fora do campo de combate, Nascimento testemunha melhor a corrupção que o primeiro filme havia abordado e além disso vê o “nascimento” das milícias no Rio de Janeiro. Sem contar que esbarra com seus companheiros no filme anterior, como o “esculhambadamente divertido”  Fábio (Milhem Cortaz) e o Capitão Matias (André Ramiro), que apesar de não ter o mesmo destaque do filme anterior, é de certa forma essencial na trama. E nosso herói vê como o sistema está envolvido no crime, na ação das milícias e como a política depende disso, assim como toda essa sujeira acaba comprometendo seu filho Rafael (Pedro Van Held) e sua ex-mulher Rosane (Maria Ribeiro), que vejam só, está casada com o tal do Fraga.

Mas o maior acerto da obra, na minha opinião, é a “humanização” de Nascimento. Aqui não temos aquele “faca na caveira” que chega sentando o dedo e perguntando depois. Nascimento só não é afetado pelo que vê como também tenta combater isso e vê como as coisas acabam se juntando e destruindo sua vida. Você agora não tem a luta contra “o playboy que financia o tráfico”, mas sim a luta de um homem sozinho contra um sistema todo, e o pior de tudo, o sistema que o mesmo defendia antes.  José Padilha dirige o filme muito bem: as cenas são violentas quando devem ser, assim como a profundidade dos personagens é feita quando deve. O som é muito bem cuidado e a fotografia está anos luz daquela de Cidade de Deus que foi tão ovacionada.

Obviamente o filme tem defeitos MUITO graves. A narrativa inicial mostra o personagem de Fraga como um “empata foda”: nas palavras de Nascimento, um esquerdista que acha a polícia fascista e que só atrapalha a operação. [ATENÇÃO: SUPER SPOILER NESTA PRÓXIMA FRASE] Mesmo que no fim do filme as coisas fiquem diferentes,  com Nascimento e Fraga numa mesma posição perante o sistema, isso não fica bem resolvido e termina como uma crítica aos esquerdistas. Fora isso, permanece aqui a questão de marginalização do pobre: você não tem um contraponto que até mesmo justifique que os traficantes não representam a população carente em geral, e o pior de tudo, para um estrangeiro poderia parecer que a população carente apóia a milícia.

Mas o filme se torna sim uma surpresa. Nascimento é um homem sofrido, uma espécie de herói armagurado. Justiceiro, já que praticamente luta sozinho contra a corrupção toda. E também é uma película que bota o dedo na ferida muito mais que o outro filme: aqui o inimigo é a política, é ela que financia o crime (o que obviamente é a verdade de nossa sociedade).  Enfim, Tropa de Elite 2 é um filme infinitamente superior ao primeiro. Obviamente comete muitos erros também, mas aqui estes se perdem graças ao direcionamento certeiro da história. Infelizmente será mais uma vez essa imagem de um Brasil marginalizado que irá lá para fora, mas pelo menos mostrará mais como a elite também é uma peça fundamental neste “abismo” que vivemos.

Nota: 7,5.

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Ano de Produção: 2010

País: Brasil

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Elenco:

Wagner Moura (Nascimento)

Maria Ribeiro (Rosana)

Fraga (Irhandir Santos)

Russo (Sandro Rocha)

Mathias (André Ramiro)

Fábio (Milhem Cortaz)

Clara (Tainá Müller)

Produção: José Padilha e Marcos Prado

Direção de Arte: Tiago Teixeira

Música: Pedro Bromfman

Roteiro: José Padilha e Braúlio Montaviani

Direção: José Padilha

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Trailer:

Luzes na Escuridão (Laitakaupungin valot – 2006) – Um intenso mergulho introspectivo


Algumas obras são incompreendidas por determinados fatores. Pude acompanhar a exibição desta obra num evento realizado aqui no Rio de Janeiro, a “Maratona Odeon”, que acontece toda primeira sexta feira do mês. Pois bem, este filme foi exibido após o muito mal aproveitado “A Ressaca”, que ao contrário de minha opinião (que obviamente não é soberana) arrancou gargalhadas do público durante quase toda sua projeção. Acredito que por isso Luzes na Escuridão tenha sido tal mal compreendido, motivo de piada e tão odiado pelos presentes na ocasião.

Este filme completa uma trilogia do diretor Aki Kaurismäki , que conta com os filmes Nuvens Passageiras e Um Homem sem Passado. [Atenção: SPOILERS no restante deste parágrafo] Koistinen (Janne Hyytiäinen) é um vigilante de um shopping em Helsinki. Sua vida é monótona, se resumindo ao seu emprego, sua ida de volta para casa (onde costuma parar num trailer para fazer um lanche) e ir para um bar, beberalguma dose que seja. Porém, enquanto toma café em um restaurante, uma mulher se aproxima do vigilante (Mirja – Maria Järvenhelmi) e tenta uma aproximação com ele, que obviamente cai na sedução da mulher. Após uma saída e outra, Kostinen deixa que ela o acompanhe durante seu turno de trabalho, o que ele nem imagina que seja uma armadilha. Após colocar sonífero no café do vigilante, a mulher pega suas chaves e abre a joalheria do shopping. O objeto do furto vai para as mãos de uma organização criminosa para a qual a loira trabalha.E como você já pode esperar, Kostinen perde seu emprego, é incriminado, vai preso e após aparentar dar mais uma chance para a mulher, é preso novamente e até mesmo tenta se vingar dos vilões.Devo avisar que este não é um filme fácil de assistir: é extremamente arrastado, ospassos dos personagens parecem ser previamente contados, além de sua estrutura ser um tanto inconvencional.

Eu diria que esse filme parece uma leitura moderna e finlandesa deEdgar Allan Poe: a figura de Koistinen é pesada, deprimida, desolada. O personagem é a personificação da perda da esperança, demonstrando um sentimento diferente da desolação poucas vezes no filme, e em momentos um tanto subjetivos. Sua única esperança para o futuro é posta água abaixo,  sem chances de recuperação.  Mas não é apenas o pobre protagonista que tem essa característica: os outros personagens (até mesmo a vilã loira) parecem ter saído das obras de Poe, pessoas sem esperança, que parecem estar apenas esperando a morte chegar. O diretor soube trabalhar esta atmosfera muito bem. O filme tem momentos que nas mãos de outros diretores provavelmente soariam um tanto exagerados, mas aqui se mostram envolventes.Este filme é um grande exemplar da linha mais “soturna” do cinema europeu. A narrativa da história é muito bem trabalhada, em conjunto com a já característica atmosfera melancólica de um país com inverno predominante. É sem dúvida um daqueles filmes quenão servem para serem vistos junto de um grupo de amigos, pois o seu maior mérito é convidar o espectador à reflexão de sentimentos intensos e testemunhar uma narrativa incomum da vida cotidiana.

Minha opinião é que o fato de o filme ter sido vaiado na “Maratona Odeon” foi justamente por não se encaixar na proposta do evento, já que o mesmo não favorecia (por motivos óbvios) uma introspecção do espectador, ainda mais após um filme de comédia, que acabou gerando o curioso paradoxo entre um filme que retratava o cômico e o escatológico e um outro filme que retrata a vida de forma sombria e sem esperança.

Nota: 8,5
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País: Finlândia
Ano de Produção: 2006
Estúdio: Sputnik
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Elenco:

Janne Hyytiäinen – Koistinen

Maria Järvenhelmi – Mirja

Maria Heiskanen – Aila

Ilkka Koivula – Lindholm

Sergei Doudko – Russian

Música: Melrose

Fotografia: Timo Salminen

Edição, Produção, Roteiro e Direção: Aki Kaurismäki

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Trailer


Avatar (2009) – Maquiando um roteiro retalhado

Há mais de 10 anos, um certo filme causava um alvoroço absurdo no mundo. Como se ninguém tivesse jamais visto um filme de romance na vida, o filme em questão arrebentou na bilheteria de todos os países em que foi exibido. Este filme, tido como uma obra de arte para muitos, COPIOU vários elementos de uma mesma produção, realizada um ano antes. Pois bem, o filme em questão é Titanic, com Leonardo DiCaprio e Kate Winslet. Um ano antes foi lançado um filme também baseado na tragédia do navio da década de 10, desta vez com astros como Catherina Zeta Jones e George C. Scott. Mas o primeiro filme foi feito para a tv, e não causou muito alarde. Então, os executivos da Paramount viram aí um baú de ouro mal explorado, e então decidiram investir numa luxuosa produção sobre a mesma história, inclusive copiando cenas na cara de pau do filme do ano anterior. O resultado: um filme chato, onde a produção impecável apenas se salva. Então em 2009, vimos algo do tipo acontecer novamente, com Avatar. A coincidência? As duas obras foram dirigidas pelo mesmo homem: James Cameron.

Tudo bem, Avatar não copiou descaradamente uma obra anterior. Desta vez a cópia foi de fragmentos de diversas obras anteriores. Mas, será que a história de Avatar é tão desprovida de originalidade? Sim e não. [ATENÇÃO: Spoiles no resto deste parágrafo e no seguinte] Os seres humanos, em toda sua arrogância, procuram minérios pelo Universo. Então numa lua (acho que é isso, se não um planeta mesmo) chamada Pandora, é encontrado um minério que pode dar uma ajuda na questão da crise energética do planeta Terra. Porém, existe um problema: o lugar é muito tóxico, e os seres humanos não resistiriam em sua atmosfera. Então, um grupo de cientistas cria um organismo que pode ser ligado mentalmente aos humanos: estes seres são os Avatares em questão. Sua aparência é semelhante a dos Na’vi, serem que habitam Pandora.

Então, somos apresentados ao ex-fuzileiro naval Jake Suly (Sam Worthington), que faz parte da operação junto com a doutora Grace (Sigourney Weaver) e Norm Spellman (Joel Moore), que também possuem seus avatares. Pois bem, eles se adentram em Pandora para uma missão de reconhecimento, porém em um acidente JAke cai do helicóptero em que estava e se vê perdido no local. Então, numa cena bastante previsível, ele conhece a Na’vi Neytiri (Zoe Saldana), que é filha do líder da tribo. A história se desenrola num ritmo lento, e como o espectador já desconfia, Jake entra numa crise de identidade, vendo que o que eles estavam fazendo é errado e então passa a lutar contra a ambição dos militares americanos. Só que isso não irá agradar o Coronel Miles (Stephen Lang), líder da operação. A luta então é travada e várias reviravoltas (que você já cansou de ver em outros filmes) acontecem: morre um dos amigos de Jake, ele é visto como traidor, ele é perdoado, ele do nada vira o fodão e destrói tudo, etc, etc, etc.

Este é o pior defeito do filme: sua previsibilidade. Sinceramente, eu matei o resto do filme todo no cinema ainda nos seus 30 minutos de projeção. Talvez por isso eu tenha achado o filme tão “bobo”. Meu caro leitor, deixo claro que é minha opinião pessoal sobre a obra e não estou aqui querendo ser dono da verdade, mas na minha opinião Avatar foi o maior desperdício de dinheiro da história de Hollywood. O assombroso investimento do filme não justifica isso. Convenhamos: o filme é muito bonito. A produção gráfica é super caprichada, assim como os efeitos e a parte sonora. Mas mesmo assim não dá para engolir. Toy Story foi uma formidável inovação, numa história curiosa, tornando o conjunto um tant divertido. Assim tudo bem. Mas Avatar “inova” formulas tão batidas que hoje em dia se tornam chatas. O pior é ver uma porrada de gente (mesmo da “crítica especializada”) falando que o roteiro é uma maravilha. Então porque essa mesma crítica especializada escurraçou O Ultimo Samurai (com Tom Cruise) cujo personagem de Jake Sully se mostra completamente baseado?? Porque então essa mesma crítica chamou Uma Verdade Inconveniente de “raciocínio alarmista e infundado sobre o meio ambiente”, se Avatar põe em prática até mesmo um elemento teorizado por Al Gore??? E quantas vezes nós já vimos o desenrolar do roteiro de Avatar em filmes “satanizados” pelos “críticos” do New York Times e afins?

E deixe-me falar de James Cameron, que mencionei e até havia esquecido aí em cima. Ele é até um bom diretor. As cenas são bem dirigidas, inclusive algumas partes com maior dose de ação. Mas isso não evita o diretor de insistir em alguns momentos monótonos e outros cujo o heroísmo do personagem principal é focado de tal forma que parece que o filme virou um remake de Ben-Hur. Além de muitas piadinhas em momentos críticos serem proferidas (o maniazinha maldita essa dos cineastas americanos). Mas minha maior crítica a esse cidadão nem se dá no quesito técnico, mas sim por sua postura em relação à obra. O diretor enfatizou na mensagem sobre o meio ambiente. Tudo bem, ela está presente, mas o diretor não deve ter se lembrado que muitas das empresas que deram suporte ao filme no exterior são algumas das maiores agressoras do ambiente (como a Nestlé). Ele mencionou que a história é muito boa e bem trabalhada. Mas ele deve ter se esquecido que 99,9% dos espectadores já tinha visto algum romance ou aventura americanos. E pensar que ele demorou tanto tento para recortar partes de outros roteiros e encaixar aqui…. Por fim, ele enfatizou a inovação tecnológica do filme. Aí sim, concordo com ele em gênero, número e grau. Mas, do que adianta essa maquiagem num filme tão vazio? Afinal, se ele se esqueceu, estamos tratando de CINEMA, e não de um espetáculo tecnológico. E infelizmente este é o caminho que o cinema americano tem trilhado durante estes últimos anos.

Nota: 4,5

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País: Estados Unidos

Ano de Produção: 2009

Estúdio: Fox

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Elenco:

Sam Worthington (Jake Sully)

Zoe Saldana (Neyriti)

Sigourney Weaver (Dra. Grace Augustine)

Stephen Lang (Coronel Miles Quaritch)

Joel Moore (Norm Spellman)

Michelle Rodriguez (Trudy Chalcon)

Música: James Horner

Produtores: James Cameron e Jon Landau

Roteiro e Direção: James Cameron

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Trailer Original

À Espera de um Milagre (The Green Mile – 1999): Soberbo!

Olá meus caros! Como vão?? Primeiramente, informo que infelizmente estive impossibilitado de postar no blog, graças a contratempos (leia-se bloqueio da internet em meu trabalho). Mas agora estou com um acesso estável, e prometo que sempre postarei sobre antigos e novos clássicos do cinema aqui 🙂 ! E em segundo, vamos falar sobre um filme que, na minha opinião, é o melhor do cinema americano: À Espera de um Milagre.

Vamos começar falando do diretor desta obra de arte: Frank Darabont. Enquanto muitos apontam como “gênio do cinema moderno americano” diretores como M. Night Shyamalan, eu digo que quem merece este título é nosso querido Darabont. Sinceramente, eu até acho que ele é injustiçado, por não ter um renome tão grande como cineastas modernos, como Shyamalan e cia.. Sinceramente, ainda não vi filme deste homem sair abaixo do ótimo. Um Sonho de Liberdade, Cine Majestic… o inquietante O Nevoeiro…. um novo gênio da sétima arte. Mas permita-me falar do filme em questão no artigo, que é seu maior acerto, sem dúvidas.

[ATENÇÃO: Spoilers nos próximos 2 parágrafos] The Green Mile, como a maior parte dos filmes dirigidos por Darabont, é uma adaptação cinematográfica de uma obra de Stephen King, lançada em 1996. O filme começa com Paul Edgecomb, um antigo guarda de prisão, em um asilo, tendo uma crise emocional ao ver o filme Top Hat, com Fred Astaire. Então, ele começa a contar sua história para uma amiga de asilo. Somos levados então ao ano de 1935, onde Paul Edgecomb (retratado aqui por Tom Hanks) era chefe de guarda de um corredor da morte, apelidado pelos guardas de “A Milha Verde”. Ao chegar um novo prisioneiro, todos se impressionam com o mesmo: um homem negro (num tempo em que o racismo era ainda intenso) com mais de 2 metros de altura, de aparência forte, mas de uma mentalidade inocente e até mesmo infantil. O nome dele é John Coffee (Michael Clarke Duncan) e foi condenado à morte pelo assassinato de duas garotinhas. Mas conforme o filme decorre, John Coffee demonstra ser uma boa pessoa, e guarda um segredo: ele tem o dom de curar as pessoas. O próprio Edgecomb tem uma infecção urinária curada por Coffee. Após isso, Edgecomb passa a ter uma nova imagem do prisioneiro.

Mas o filme tem outros personagens tão ricos quanto: Eduard Delacroix (Michael Jeter), um prisioneiro profundamente arrependido do que fez e que “doma” um outro personagem muito especial (e que tem grande importância na trama), o ratinho Mr. Jingles; Percy Wetmore (Doug Hutchison), um guarda imbecil que chegou ao cargo através do conhecimento de pessoas importantes; Will Bill (Sam Rockwell), um assassino que chega após John Coffee no corredor da morte, e também guarda um segredo essencial na trama, além  dos guardas Brutal Howell (o ótimo David Morse), Dean Stanton (Barry Pepper) e Hal Moores (James Crowmwell), que também presencia os milagres de Coffe, após sua mulher ser curada de um câncer terminal pelas mãos do prisioneiro.

Aliás, a forma como o filme é conduzido faz o espectador interagir de forma única na história. Mesmo que Coffee seja de certa forma o ponto principal do filme, a narrativa dá espaço para os outros personagens se desenvolverem e ganharem o carisma (ou ódio) do espectador. E como é característico nas obras de King, os personagens refletem vários aspectos que compõe o ser humano como um todo. Enfim, é um dos filmes com personagens melhor construídos que eu já vi.

A parte técnica também é uma maravilha. A imagem cria um clima nostálgico, mas não deixa de ser límpida e viva. Até mesmo o contraste da Milha Verde com a falta de cores (e porque não de vida?) do cenário da prisão causa um grande impacto. O som é muito bem cuidado, enfatizando nas ações dos personagens, tornado o resultado quase teatral. As atuações são ótimas. Tom Hanks, na minha opinião, é o melhor ator das duas últimas décadas, e aqui mais uma vez tem um resultado muito bom (mesmo que um pouco contido). Michael Clarke Duncan impressiona e tem uma atuação assombrosa. Até hoje fico pensando na burrada que a “Academia de Imbecilidades de Hollywood” fez em não dar o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante de 2000 para Duncan… Também outro que brilha é Sam Rockwell que conseguiu tornar Wild Bill extremamente repulsivo, mas sarcasticamente engraçado.

Além disso, dois dos maiores pontos da trama são as surpresas do final. Reconheço que pode ser um pouco difícil para algumas pessoas se “entusiasmar” em ver um filme de drama com 3 horas de duração, mas eu recomendo: é uma ótima experiência. Se os filmes americanos da atualidade tivessem pelo menos a metade da qualidade de Green Mile, o cinema americano estaria muito longe de seu atual estado lastimável. Mas Frank Darabont mostrou que até mesmo numa industria cinematográfica onde as cifras ofuscam a arte é possível alcançar resultados magníficos. E sua competência nos presenteou com um dos mais belos e intensos filmes da história.

Nota: 10,0


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País: Estados Unidos

Estúdio: Castle Rock

Ano de Lançamento: 1999

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Elenco:

Tom Hanks (Paul Edgecomb)

Michael Clarke Duncan (John Coffee)

David Morse (Brutus Howell)

Bonnie Hunt (Jan Edgecomb)

Sam Rockwell (Wild Bill)

Michael Jeter (Eduard Delacroix)

James Cromwell (Hal Moores)

Doug Hutchison (Percy Wetmore)

Edição: Richard Francis-Bruce

Música: Thomas Newman

Direção de Fotografia: David Tattersall

Direção de Arte: William Cruse

Produção: Frank Darabont e David Valdes

Roteiro: Frank Darabont, escrito a partir da obra de Stephen King

Direção: Frank Darabont.

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Trailer Original

Rocky – Um Lutador (1976) – Até mesmo os piores tem os seus melhores

Sabe aqueles atores absurdamente ruins, canastrões, fodões dos filmes de ação e tal? Pois é, a maior parte de seus filmes são puros caça níqueis, mas grande parte destes atores tem ao menos um filme que preste (claro que ainda há exceções, como Steven Seagal que é o cúmulo da ruindade, me desculpem seus fãs). Como exemplo podemos citar Hell, com Jean Claude van Damme, que é uma bela abordagem sobre o que o homem pode se tornar. O outro bom exemplo é o objeto deste artigo, essa produção do ano de 1976.

A história é a seguinte: Rocky Balboa (Sylvester Stallone) é um lutador de boxe do subúrbio da Filadélfia. Lutando esporiadicamente em um pequeno clube de boxe, acaba tendo que trabalhar para um agiota como cobrador para conseguir algum dinheiro a mais. Enquanto isso, o campeão mundial  Apollo Creed planeja realizar uma luta especial no ano novo de 1976 com um boxeador desconhecido, tanto para melhorar sua imagem como para oferecer o espetáculo que planejara. Então, Rocky é escolhido como esse desconhecido que terá a chance de lutar com o campeão mundial. Rocky então passa a lutar contra suas próprias dificuldades e se empenha ao máximo para a grande luta, enquanto Creed apenas está preocupado com sua imagem pública no espetáculo. Paralelo a isto, temos o romance entre Rocky e Adrian (Talia Shire) e seus conflitos emocionais.

O filme foi feito com pouco dinheiro, cerca de 1 milhão de dólares, e foi filmado em apenas 28 dias. O roteiro escrito por Stallone foi inspirado na luta em que o desconhecido Chuck Wepner conseguiu ficar 15 rounds em luta contra o campeão dos pesos pesados Muhammad Ali. Os produtores queriam outro ator no papel do boxeador, mas Stallone só concordou em passar o roteiro caso pudesse interpretar Rocky Balboa. Apesar da curta verba, o filme teve uma bem cuidada fotografia e a produção foi cuidadosa com diversos elementos. O filme foi um estrondoso sucesso e gerou uma franquia que, sinceramente, é deprimente.

Eu acredito que Rocky é um daqueles filmes que tem um significado de acordo com o que a pessoa lhe atribui inicialmente. Pessoalmente odeio boxe, e acredito que luta não é esporte, mas o contraponto posto aqui no filme entre um personagem cheio de problemas mas dedicado e um personagem egocêntrico e mesquinho que se preocupa apenas com o sucesso é muito bem trabalhado. O personagem de Creed reflete o oposto do esforço, das dificuldades que encontramos na vida. Balboa tem seus dilemas pessoais, é obrigado a trabalhar com algo que não gosta enquanto não consegue sucesso no que realmente ama e não ambiciona o ápice da luta, que seria a vitória, mas sim agüentar os 15 rounds no ringue. Os outros personagens da trama são muito bem trabalhos também, em especial o treinador Mickey (Burgess Meredith). Se a atuação de Stallone não é algo fabuloso (não entendo como é que ele foi indicado ao Oscar por este filme), o resto do elenco segura bem as rédeas.

Rocky é mais uma daquelas produções da época em que o cinema americano ainda rendia boas obras. Infelizmente o personagem se tornou uma “marionete” a favor dos ideiais americanos, atingindo este ápice no horrendo e ridículo Rocky IV. Mas aqui fica a lembrança de um filme que foi excelente e de um ator que pelo menos estrelou duas boas produções (a outra é a excêntrica e divertidíssima comédia Oscar).

Nota: 9,0

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País: Estados Unidos

Estúdio: United Artists

Ano: 1976

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Elenco:

Sylvester Stallone (Rocky Balboa)

Talia Shire (Adrian)

Burt Young (Paulie)

Carl Weathers (Appolo Creed)

Burgess Meredith (Mickey)

Joe Spinnel (Joe Gazzo)

Edição: Scott Conrad e Richard Halsey

Direção de Arte: James H. Spencer

Música: Bill Conti

Produção: Robert Chartoff e Irwin Winkler

Roteiro: Sylvester Sttallone

Direção: John G. Avildsen

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Trailer Original