Arquivo para março, 2010

O Massacre da Serra Elétrica: O Início

 

O Nascimento do Medo...

 

Após uma longa espera de mais de 1 ano e meio do lançamento americano, podemos acompanhar aqui no Brasil o remake do filme O Massacre da Serra Elétrica. Produzido por Michael Bay e Brad Fuller, através de sua produtora Platinium Dunes, o filme conseguiu de fato ser ao mesmo tempo uma boa homenagem ao original e dar um vigor à série, que ia mal das pernas desde o tosco Massacre da Serra Elétrica 2,  e que parecia ter sido sepultada com o horroroso The Next Generation. Enfim, o remake é sim um ótimo filme.
Alguns anos depois, Michael Bay (que, na minha opinião,
é um merda, mas consegue bons resultados “ajudado” por seus
colegas da Platinium Dunes) produziu um filme que decidiu contar
as origens da família e de Leatherface, que é o objeto deste artigo.
Mais uma vez, tivemos um bom resultado, apesar de inferior
se comparado ao remake. Na cena inicial, vemos uma mulher em processo de parto no abatedouro em que trabalha. Ela, mesmo aparentando grande dor, sofre as pressões do chefe (que terá um fatídico final) e cai dura no chão, dando a “luz” então a um dos maiores ícones do terror: Leatherface. O bebê (que nasceu deformado) é jogado no lixo e encontrado por uma senhora. Aí então a “família” está completa. O filme então pula para a narrativa principal: o ano de 1969, onde um grupo de jovens segue viajem rumo a um festival de música: Dean e Eric (são irmãos), Bayley e a scream queen desta edição Chrissie (a hispano- brasileira Jordana Brewster).
Não é surpresa que estes jovens irão cruzar a “cidade fantasma” onde a família se encontra e lá irão cair nas mãos dos canibais. O mais legal é ver como o arrogante Xerife Hoyt (R. Lee Ermey,ator que admiro desde o clássico Nascido para Matar) chegou ao seu posto, como a família passou ao estágio de loucura avançada devido ao abandono da cidade e como Leatherface progride no desenvolvivemnto de sua “personalidade”. Ainda temos outros personagens que claramente estão na trama apenas para morrer, mas mesmo assim ganham destaque. Obviamente, os personagens deste filme são um pouco melhor desenvolvidos em relação ao remake. A fotografia mais uma vez é arrebatadora, dando aquele clima ao mesmo sujo e forte. O som também é bem trabalhado, mas permanece a mesma coisa do remake, inclusive em muitos momentos com a mesma trilha. Se Marcus Nispel realizou um bom trabalho em 2003, o mesmo deve ser dito  Jonhatan Liebesman. O diretor manteve bons lances de câmera e, se não chegou a ter uma direção brilhante, não chegou nem perto de um trabalho fraco.
Agora, o que compromete de fato esse prequel são os furos do roteiro. Quem conhece a história, e principalmente viu atentamente o remake, conseguirá de longe identificar tais furos. Irei citar apenas um, mas que é o mais gritante de todos; O ínicio sugere que o abatedouro foi fechado e a cidade abandonada. Porém, no remake, na cena da perseguição de Leatherface à Erin, o abatedouro está em pleno funcionamento. Foi um furo gigantesco esse, e fico imaginando como deixaram passar essa. Além disso, algumas cenas parecem ter sido colocadas para justificar algo de uma forma qualquer, só para incrementar o roteiro. Posso citar a cena que explica como Monty perdeu as pernas, porém, mesmo que a família seja desequilibrada mentalmente, fica muito forçado pensarmos que Leatherface tenha feito aquilo com o aval deles….
Em pró, temos um filme bem mais violento que o remake, com mortes bem trabalhadas. Será difícil para quem é fã da série não vibrar com a primeira vez que Leatherface usa a serra elétrica…. Enfim, O Início é um filme bom, principalmente por se sobressair numa época em que filmes bons do genêro são que nem cabeça de bacalhau: a gente raramente vê… Apesar de pecar em alguns pontos, é interessante o desenvolvimento de Leatherface, além das perseguições e obviamente a cena do jantar! Recomendado!
Nota: 7,5

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Elenco:
Jordana Brewster
Taylor Handley
Diora Baird
Matthew Bomer
Cyia Batten
R. Lee Ermey
Andrew Bryniarski
Produção: Michael Bay,Mike Fleiss,Tobe Hooper,Kim Henkel,Andrew Form,Brad Fuller
Música: Steve Jablonsky
Edição: Jonathan Chibnall
Direção: Jonathan Liebesman
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A Órfã: um filme além das expectativas

 

Há algo de errado com Esther.

 

Todos nós sabemos que determiados tipos de filme já foram tão explorados que é quase impossível não desconfiarmos da qualidade de um lançamento com tais características. Filmes de crianças malvadas passaram a ser explorados exaustivamente após o sucesso do clássico A Profecia, e por que não, O Exorcista. Como, de fato, não há muito o que se explorar em um roteiro com esta característica principal, qualquer filme de “crianças do inferno” resulta num filme do medíocre para baixo. Felizmente existem as exeções.

A Órfã ( Orphan, 2009) é surpreendente devido a sua qualidade em relação aos  outros filmes desse tipo, e ainda ganha mais um mérito por ser um bom filme de horror numa época em que o cinema parece definhar até o âmago.O roteiro é simples: um casal que havia acabado de perder uma filha (Vera Farmiga e o razoável Peter Sarsgaard), vai até um orfanato em busca de uma criança para amenizar a dor da tragédia. Lá, eles encontram a orfã Esther (Isabelle Fuhrman, que surpreende com sua ótima atuação), e então decidem adotá-la, mesmo sabendo que ela é uma criança já um pouco madura. Eles tem outros dois filhos , Daniel (Jimmy Bennett, que já apareceu no também bom  Horror em Amityville) e a pequena Max (Aryana Engineer ), que interpreta muito bem uma menininha surda-murda.

A partir daqui acho melhor não mencionar o resto, pois além de haver o previsível tem alguns elementos que podem ser considerados como spoilers. Sobre os aspectos técnicos, merecem destaque a boa fotografia e a trilha sonora, que é moderada nos momentos certos. O diretor Jaume-Collet Serra faz um bom trabalho, apesar de pecar em insistir em momentos de susto fácil (sinceramente, quase tirei o dvd na cena do “susto” do espelho, usada aqui pela quinzentésima milionésima vez pelo cinema americano), além de merecer destaque o desenrolar denso do roteiro, que nos dá os pontos essenciais da história nos momentos certos.

A Órfã é uma feliz surpresa. O final pode ser muito surpreendente para uns e é um filme que garante bons momentos de suspense. Suas falhas são insistir em algumas coisas já absurdamente manjadas,mas esses são poucos momentos. Arriscaria dizer que esse é o melhor filme de “criança malvada” da década. As surpresas são bem vindas, e nesse caso, a garantia de uma boa noite de terror.

Nota: 8,0

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Elenco:

Vera Farmiga

Peter Sarsgaard

Isabelle Fuhrman

Jimmy Bennett

Aryana Engineer

CCH Pounder

Lorry Ayers

Karel Roden

Produção: Susan Downey, Erik Olsen

Música: Kenedall Bustter

Roteiro: David Johnson, Alex Mace

Direção: Jaume Collet-Serra


A Morte do Demônio (The Evil Dead – 1981) – A maior experiência do horror

 

Um grande clássico do terror

 

Existem filmes que, devido aos seus poucos recursos, não conseguem grande destaque. Isso é, de fato, um fator agravante, porém não é impeditivo para o sucesso do filme. Realmente, nos dias de hoje, é uma tarefa árdua conseguir realizar um filme que se destaque em meio as produções que ganham carisma com o público: as produções “pobres de espírito”, com efeitos especiais camuflando o que de fato é o cinema, roteiros sofríveis e orçamentos milionários que não se refletem no conjuto final, resumindo o filme  a um artefato capitalizado de entreternimento.

Mas existem aquelas exceções, aqueles filmes deliciosos feitos com pouco dinheiro e muita paixão dos envolvidos. E num já longínquo ano de 1981, um jovem cineasta se reúne com seus amigos e grava aquele filme que hoje é referência no gênero,além de ser um dos mais memoráveis da história do cinema: The Evil Dead.

O diretor Sam Raimi (que mais tarde seria um dos mais bem sucedidos dos EUA, dirigindo a trilogia inicial do Homem-Aranha) e o ator Bruce Campbell (que hoje faz a série Burn Notice), realizaram um curta metragem, chamado Within the Woods para conseguir algum patrocínio com investidores e financiar um projeto maior,  o aqui referido Evil Dead. Within the Woods já possuía muitos elementos que estariam presentes no filme. Em 1981, finalizam de fato o longa metragem que rapidamente causou um grande impacto.

O clima forte, o ambiente escuro, as cenas sangrentas e os inovadores jogos de câmera fizeram o filme obter grande sucesso.  Sam Raimi abusou da câmera e gravou cenas com técnica até então pouco utilizada no cinema, como a inicial do lago e as inúmeras perseguições do demônio ao Ash faziam o espectador de sentir dentro da ação do filme e tornavam a obra ainda mais tensa.  Mesmo com os furos de roteiro e os erros de sequência (não vou te enganar, são muitos!), a direção competente e rígida do iniciante Raimi já dariam destaque à película. O outro fator que traz destaque ao filme são suas violentas cenas. O filme é muito sangrento, com desmembramentos, os monstros (que se assemelham a zumbis, mas NÃO O SÃO)  vorazes atacando as vítimas e outras diversas formas de explorar o gore.  Algumas cenas são tão antológicas que merecem ser mencionadas aqui: A sequência em que Ash enterra “Linda”, a cena do projetor ensanguentado no porão, o duelo final entre Ash e Scott e Cheryl, e é claro, o “estupro” dos galhos. Mesmo que o gore já existisse há muito tempo (inaugurado com o pouco conhecido “Blood Feast” de 1963), nenhum filme havia causado o impacto que Evil Dead conseguiu com sua violência absurda. Obviamente, devido a isto, o filme recebeu vários cortes da censura e foi proibido em diversos países (na Alemanha foi liberado apenas 10 anos após seu lançamento, mesmo assim com diversos cortes), mas não impediu o sucesso do trabalho. Foi a fita mais vendida no ano de 1983 na Inglaterra e ficou marcado como um dos filmes essenciais do cinema de horror.

Sobre o elenco, não há muito o que falar. Bruce Campbell consegue destaque por ser protagonista, mas assume bem o seu papel (seu nível de atuação em Evil Dead 2 é muito melhor, mas é assunto para outro artigo, rsrsrs). Os outros atores também não fazem feio, porém em alguns momentos podemos notar uma certa superficialidade (principalmente de Richard DeManicor, que interpreta Scott), mas isso não compromete o filme.

O roteiro não tem nenhuma novidade, mas torna o filme ainda mais atrativo: o grupo de jovens aluga uma cabana no meio de uma floresta para passar um fim de semana. Dentro da cabada eles encontram um gravador de áudio, que contém os registros de um árqueologo sobre o conteúdo de Necronomicon, o Livro dos Mortos. Ao serem recitadas as palavras que invocam os mortos, os demônios Kandarianos (que nunca aparecem no filme, o que sugere que sejam uma força espiritual de fato) ressucitam e possuem Cheryl (quando esta vai para fora da casa, na clássica cena do “estupro dos galhos”) que então possui seus amigos um a um. No final, apenas Ash resta e inicia a sua luta pela sobrevivência. Há também destaque o momento dramático no qual Linda, namorada de Ash, é possuída, e este então sofre com os conflitos psicológicos de ter de enfrentar sua amada.

A trilha sonora é mais um destaque, onde ela aparece nos momentos de suspense com maestria. Há também os momentos em que a trilha sonora dá a falsa impressão de que algo vai acontecer, e então, nada acontece. Já quando não há trilha sonora, acontece algo e ela é tocada em alto volume. Excelente! Mais um grande ponto para este filme, o jogo entre a trilha e as cenas funciona muito bem e ainda engana (de forma positiva,claro) o espectador.

Este é aquele filme essencial, que marcou um gênero, e merece sim seu lugar de destaque na história do cinema. O filme ainda permanece mórbido nos dias de hoje, ainda tem um grande impacto (me lembro quando o vi pela primeira vez no “Cine Sinistro” da Band e fiquei doido para achar-lo) e mostra que o profissionalismo alcança resultados que um orçamento milionário raramente alcança sozinho. Mesmo quem não gosta do gênero deveria deixar um pouco de lado seu preconceito e saborear esta obra violenta e forte. Não meço elogios em falar de The Evil Dead: é ótimo, excelente, maravilhoso. É aquele filme que você vai sempre lembrar da primeira vez que o viu, e que sempre o verá novamente como uma deliciosa diversão.

Foram geradas 2 sequências :

– Evil Dead 2, de 1987, que é uma continuação do primeiro filme, porém abusa mais da comédia, mas mesmo assim não deixa de ser também impactante;

– e Army of Darkness, que segue o gancho deixado no segundo filme. Este, porém, é um filme mais voltado para a comédia, mas não deixa de ser bom.

Enfim, esta é uma obra prima do cinema. Muitos filmes posteriormente iriam chupinhar diversos elementos deste filme, porém todos sabemos que, The Evil Dead é The Evil Dead!! Se você ainda não viu, veja. Você terá quase 90 minutos de uma experiência única!

Nota: 10,0

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Elenco:

Bruce Campbell – Ashley J. “Ash” Williams
Ellen Sandweiss – Cheryl
Hal Delrich – Scotty
Betsy Baker – Linda
Sarah York – Shelly

Música – Joseph LoDuca

Câmera – Tim Philo

Edição – Edna Ruth Paul

Produção – Bruce Campbell

Sam Raimi

Robert G. Tapert

Escrito e dirigido por Sam Raimi


Drácula de 1931 – Um clássico eterno

Nesta noite (quente) de Domingo inicio as atividades deste blog. Aqui vocês encontrarão uma mistura de posts sobre cinema, música, história, jogos, etc, etc, . E para inaugurar este blog, resolvi falar sobre um filme seminal na História do Cinema: Drácula.

Realizado no ano de 1931, este filme foi uma verdadeira obra de arte e um dos marcos do cinema, ao introduzir de fato o gênero “terror” no cinema americano.  Obras anteriores  já haviam sido realizadas, como os fantásticos  “O Fantasma da Opera” (1925) e “O Corcunda de Notre Dame” (1923), com o igualmente fantástico Lon Chaney. Porém, foi a partir deste filme que o gênero realmente decolou nos EUA, talvez principalmente pelo fato de a película ter salvo a Universal, num período pós-crise de 1929 em que diversos estúdios fecharam. A história do filme se diferenciava muito da do livro,  pois teve como base a peça teatral da Broadway, no qual o ator Bela Lugosi já interpretava o personagem. Este ator húngaro teve Drácula, segundo a palavra do próprio, como “uma benção e uma maldição”, pois após este filme, Bela ficou conhecido como mais um ator de um papel só, sendo sua imagem eternamente associada ao vampiro. Obviamente Bela era um bom ator, e realizou trabalhos tão memoráveis quanto este, porém teve o infortúnio de ficar associado ao vampirão.

A direção do longa fica a caro de Tod Browning, diretor experiente do cinema mudo e que aqui realizava uma de suas primeiras incursões do cinema falado.  O estilo estático de câmera (que era incomum se levarmos em conta que o “homem da câmera” era o grande Farl Freund) e a falta de uma trilha sonora são consequência da recente transição do cinema e as origens teatrais da produção. O clima muitas vezes tétrico, o suspense das cenas, a trama misteriosa envolvendo um vampiro e diversos elementos visuais foram marcantes e inovadores para o assustado público pós-crise e garantiram o sucesso da obra. Após isso, a Universal entrou na sua “Era de Ouro” e passou a produzir vários outros filmes de terror, numa época saudosa…

Drácula é um excelente trabalho, um filme que marca pelo seu clima estranho e sua bela arte. Peço desculpas por não lhes trazer um post significativo para este filme (que na verdade merece um site inteiro p ele, rsrsr), mas prometo aprofundar-me futuramente em sua análise. É isso, espero que curtam este espaço, e promero que me empenharei em trazer a vocês bons artigos!

Até mais!

Nota: 9,5

The Cast