Arquivo para abril, 2010

30 Dias de Noite (2007) – Mais um suspiro do horror moderno

 

O horror em 30 dias sem parar.

 

Ah, que saudades da época em que os filmes de terror tinham uma produção de baixo orçamento, mas eram repletos de gente empenhada em fazer algo divertido. Saudosa Hammer Films, que produziu Dráculas e Frankensteins tão bons… Sem contar a era de ouro da Universal, onde Bela Lugosi, Boris Karloff, Lon Chaney e tantos outros ajudaram a moldar o cinema fantástico, iniciado com os “pesadelos germânicos” do Expressionismo Alemão… Pois bem, hoje em dia parece que a investida de nossos heróis foi quase em vão, já que o gênero está aos poucos sendo destruído… Quando uma boa obra de terror surge nos dias de hoje é quase um motivo de festa. Já lhes recomendei aqui no Vortex A Órfã e o magistral [REC], e venho aqui falar do ótimo 30 Dias de Noite (30 Days of Night), filme de 2007 baseado nos quadrinhos de Steve Niles que conta com a produção do mestre Sam Raimi.

[ATENÇÃO: Spoilers neste parágrafo] Vamos ao roteiro: A história se passa na cidade de Barrow, no Alasca, onde em determinado momento do inverno o sol deixa de aparecer por 30 dias. O xerife Eben (Josh Harnett) vai averiguar o aparecimento de um estranho (Ben Foster) que está falando sobre “estranhos eventos”. Ao voltar para a cidade, Eben encontra a policial e esposa Stella (Melissa George) voltando para a cidade, pois perdeu o último vôo antes dos 30 dias (os dois estavam quase se separando). Na cadeia, o Estranho revela que a morte está chegando para eles. Então com o cair da noite um grupo de vampiros invade a cidade e corta todos os meios de comunicação da população. Eben e Stella então saem pela cidade e avisam para todos os moradores se trancarem e carregarem todas as armas. O grupo de vampiros, liderado por Marlowe (Danny Huston), busca o Estranho. A partir do momento em que este pede para ser transformado, é morto e Marlowe ordena a todos os vampiros que não transformem mais ninguém e matem todos da cidade. Eben e Stella são salvos por Beau Brower e então se isolam no porão de uma casa com outros moradores da cidade, e lá pretendem inicialmente permanecer durante os 30 dias. Porém, como você já pode imaginar, eventos que impedirão isso ocorrerão.

Quando eu vi esse filme eu pensei: Caralho, como ninguém nunca pensou nisso? É uma daquelas idéias que são óbvias e mesmo assim nós não conseguimos pensar, rsrsrsr. O clima desolado da cidade é aproveitado de forma espetacular: a quase ausência de uma trilha incidental faz o barulho do vento soar macabro e inquietante. Imagine só: uma cidade gélida, no meio do nada, com vampiros espreitando e sem nenhum meio de comunicação; como seria estar nela? O diretor David Slade explorou muito bem este clima tétrico, além de dar ao filme um andamento ótimo. No primeiro momento você pode pensar: – Ah, tem umas 10 pessoas com armas no porão, e uma porrada de vampiros do lado de fora. Daqui a pouco vai rolar tiro, sangue, pescoços dilacerados, etc… Mas não é isso o que acontece. O filme segue de forma arrastada, transmitindo ao espectador a tensão presente e a incerteza do que pode acontecer. Isso é fenomenal para os padrões de hoje, onde qualquer “blockbusteriano” (como Stephen Sommers em Van Helsing) pensaria logo em arrumar um meio de colocar os vampiros dentro da casa e filmar uma “fuga desenfreada” dentro da casa. Tais momentos rolam apenas nos momentos que devem rolar, e nenhum dos humanos é algum super-homem ou matador de vampiros piadista. Além disso, o filme permite um desenvolvimento dos personagens, que faz com que o espectador realmente simpatize com seus dramas.

A fotografia é excelente, com belos contrates e imagem límpida. As atuações são seguras e Josh Harnett realmente nos transmite a desconfiança do personagem. A maquiagem dos vampiros é bem cuidada, com cada um tendo uma distinta feição. Agora, devemos ressaltar que estes vampiros não são como estamos acostumados a ver hoje, de forma romantizada: se assemelham mesmo a monstros vorazes, com dentes afiados e bocas enormes. A forma violenta dos vampiros ao atacar suas vítimas surpreende. Eu diria que o que o Drácula de Bram Stoker tem de repulsivo estes aqui tem de filhos das putas! Agora, uma coisa peca muito: não é mostrada a origem destes vampiros, assim como algumas coisas sobre os monstros ficam sem explicação…. Bem, é possível desconsiderar estes pontos fracos.

30 Dias de Noite é uma das melhores opções de filme de terror dos últimos 5 anos. Além de o diretor David Slade ter trazido um excelente clima e o filme ser inquietante com algumas cenas claustrofóbicas, a obra ganha ainda maior destaque por sua produção caprichada (mas sem exageros, como zilhões de efeitos especiais) e quebrar um pouco a mesmice com a qual vampiros tem sido retratados ultimamente. Indicado!

Nota: 8,5


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País: Estados Unidos

Ano de Produção: 2007

Estúdio: Dark Horse Entertainement/ Ghost House Pictures

Distribuição: Columbia Pictures

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Elenco:

Josh Harnett (Eben Oleson)

Melissa George (Stella Oleson)

Danny Huston (Marlowe)

Ben Foster (o Estranho)

Mark Boone Junior (Beau Brower)

Mark Rendal (Jake Oleson)

Amber Sainsbury (Denise)

Manu Bennett (Billy Kitka)

Edição: Art Jones

Cinematografia: Jo Willems

Produção: Sam Raimi, Ted Adams e Rob Tapert

Roteiro: Steve Niles, Stuart Beattie e Brian Nelson, baseado na história de Steve Niles

Direção: David Slade

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Trailer original:

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Faust – O Pesadelo Eterno (2000) – Tudo tem um preço…

Lembram do post anterior sobre [REC]? Se vocês observarem, verão que a distribuidora do filme se chama Filmax e que o produtor é Julio Fernandez. Pois bem, acontece que Julio Fernandez é um dos maiores entusiastas do cinema fantástico espanhol, não por que seus filmes são excelentes, mas sim porque o cara atua na produção de vários filmes de terror. A principio a Filmax realizava obras do gênero ao lado da Fantastic Factory (que na verdade fazia parte da própria Filmax), e desta parceria surgiram 8 filmes fantásticos, incluindo o objeto deste artigo.

[ATENÇÃO: Spoilers neste parágrafo] Pois bem, Faust é baseado numa história em quadrinhos, que explora o conceito da obra de Goethe, ao personagem principal fazer um pacto com um ser sinistro chamado M (Andrew Divoff) que aqui representa o demônio, ou de acordo com a obra de Goethe, Mephistofeles. John Jaspers (Mark Frost) vende a sua alma para poder se vingar da gangue que matou sua namorada Blue (Jennifer Rope). Ele ganha umas espécies de garras retráteis, com o qual ele decepa os vigaristas. Só que M quer que ele mate mais, e John entra em um conflito mental. Ele mata todas as pessoas de uma reunião de negócios e é encontrado em estado catatônico pelo Detetive Margólies (Jeffrey Combs). Ao ser levado para um sanatório, tem seu caso acompanhado de perto pela doutora Jade de Camp, que se interessa pelo caso do jovem. Só que John está entrando em uma transformação e virando uma espécie de demônio destinado a matar por M. Conforme John passa a acreditar mais em Jade, ele vai recuperando sua humanidade e tendo maior controle sobre o demônio em si, o que enfurece M, que decide matar-lo e capturar a doutora Jade para o ritual de evocação do Homunculus, verdadeiro motivo pelo qual M queria que John matasse tanta gente.

É com esta história que explora apenas vagamente o conceito do livro de Goethe que a trama se desenrola. Apesar de o filme ser espanhol, seu idioma é o inglês (infelizmente, já que muitos personagens forçam tanto o sotaque que fica cômico). Os efeitos são bem produzidos na maioria das vezes (assinados pelo grande Screaming Mad George) e em diversos momentos o espectador testemunha um show de gore. Se a produção tosca até é bem cuidada, a direção é capenga, já que quem assume a cadeira é o ruim Brian Yuzna (diretor de Re-Animator), que deixa diversos erros técnicos passarem (sério, alguém sabe se ele deixa microfones aparecerem na cara de pau de propósito???), além de sofrer do erro de gravar cenas de ação um tanto inconstantes e tentar padronizar ao estilo americano a obra. Quando John vira um demônio ele se torna uma mente sarcástica, matando por prazer, mesmo que seja para salvar a doutora. Alguns diálogos são engraçados, mas a maior parte das vezes o filme explora um humor estúpido.

Faust provavelmente não será um filme que você sentirá uma vontade louca de rever após os créditos finais. Mas também não é um trabalho de todo ruim. Se por um lado temos deslizes incompetentes, por outro temos algumas idéias legais e o clima tosco da produção tem seu charme. Obviamente a história é muito “Spawn”, mas é uma boa pedida para quem quer conhecer um pouco mais o cinema fantástico europeu e principalmente ver que a Filmax começou com obras despretensiosas até chegar no seu ápice maior [REC]. Ah, e vale ressaltar que Faust  é muito melhor que a produção seguinte da Fantastic Factory, Re-Animator: Fase Terminal (esse sim é um filme ruim).

Nota: 5,5

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País: Espanha

Ano de Produção: 2000

Distribuidora: Filmax

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Elenco:

Mark Frost (John Jaspers/ Faust)

Andrew Divoff (M)

Isabel Brook (Jade de Camp)

Jeffrey Combs (Det. Margólies)

Monica van Campen (Claire)

Junix Inocian (Dr. Yuri Yamato)

Fermi Reixach (Comissioner Marino)

Edição: Luis de la Madrid

Efeitos Especiais: Screaming Mad George

Música: Xavier Capellas

Direção de Arte: Isidre Prunés

Produção: Julio Fernandez

Roteiro: David Quinn, baseado na história de David Quinn e Tim Vigil

Direção: Brian Yuzna

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Trailer original:


[REC] (2007) – Uma obra prima do cinema espanhol.

 

Uma experiência única.

 

Um dos maiores prazeres que há, para um fã de terror, é assistir uma nova obra fundamental sobre o gênero. Existem idéias que se reciclam no cinema sem conseguir determinado destaque, enquanto outros formatos de cara ganham seu reconhecimento. Me lembro que no ano de 1999 uma obra de baixo orçamento e com uma idéia supostamente inédita explodiu nos cinemas. O filme em questão é A Bruxa de Blair. O filme causou um verdadeiro alvoroço. A propaganda do filme foi certeira, sugerindo que aquela obra de fato fosse o resultado de fitas encontradas em uma floresta, após 3 jovens terem ido gravar um documentário e nunca mais terem retornado. Eu , ainda criança, pensei:- caralho,deve dar muito medo! Perguntei para alguns amigos que viram o filme e estes me disseram: – cara, dá muito medo! Um amigo meu não conseguiu dormir durante 1 semana! Então, quando eu vi de fato o filme, pensei: – Dos dois um: ou eu não entendi esse filme ou meus amigos odiaram também e quiseram me enganar!

Anos depois, vi novamente, temendo que naquela época eu fosse pirralho demais para entender o filme (eu tinha 12 anos). De fato o filme não era tão “absurdamente ruim”. Era ruim. Quadros de câmera sem lógica para quem estaria num momento de distração, diálogos muito “bem cuidados” em momentos que os jovens estavam frustrados, momentos non-sense, momentos que dariam um bom clima de suspense e não foram aproveitados, etc, etc, etc. Além disso, qualquer bom fã de terror sabe que o conceito usado em A Bruxa já havia sido muitas vezes realizado, tendo inicio (provavelmente, apesar de eu ainda ter minhas dúvidas) no clássico Cannibal Holocaust. Bom, esta introdução toda tem a finalidade de mostrar que idéias podem ser desprezadas pelo simples fato de não terem sido exploradas. Mesmo que depois de A Bruxa outros filmes com a idéia de “gravar o terror” tenham surgido, nenhum foi tão primoroso como esta obra espanhola, [REC].

Se nos filmes anteriores nós víamos pessoas até um tanto “moderadas” em situações de pavor, aqui nós temos a reação que qualquer um de nós teria: gritar, dar socos, correr em escadas e tropeçar, falar palavrões…. Para aumentar o sentimento de caos do filme, os atores mal foram informados sobre o roteiro: Os diretores passaram “aos poucos” as informações sobre a trama, aumentando ainda mais a surpresa dos atores em diversas cenas. Com a tensão à flor da pele na maior parte do filme, ainda somos brindados com zumbis vorazes aparecendo do nada, perseguindo os “infelizes” na subida de uma escada mal iluminada e os personagens brigando entre si, devido ao inferno que enfrentam. Enfim, o cinema espanhol conseguiu trazer verdadeiramente o pavor ao espectador, coisa que o cinema americano vem tentando há muito tempo e não conseguiu.

[ATENÇÃO: Spoilers no próximo parágrafo] Vamos a história: O filme se passa através da gravação que a repórter Angela Vidal (Manuela Velasco) e seu cameraman Pablo (a gravação foi realizada pelo cameraman do filme Pablo Rosso, mas a voz é do ator Pep Sais) realizam para um programa chamado “Enquanto Você Dorme”. Eles seguem até um quartel do Corpo de Bombeiros de Barcelona para mostrar a atividade dos profissionais durante a madrugada. Eles são recebidos pelos bombeiros Manu (Ferran Terraza) e Alex (David Vert), que lhes apresentam o quartel e explicam mais ou menos o que “fazem” durante a madrugada. De repente há um chamado e os bombeiros seguem para o local da ocorrência, acompanhados pela equipe de TV. Ao chegar em um edifico pra lá de caído, Angela passa a narrar tudo o que acontece e pede que Pablo grave tudo. Dois policiais estão no local, Sergio (Jorge Serrano) e um outro policial que nem me lembro se tem o nome dito (Vicente Gil), além dos moradores apavorados com a situação. Os moradores chamaram os bombeiros porque uma senhora que mora no prédio (Maria Lanau)do maluca. Os policiais e os bombeiros vão até o apartamento averiguar o ocorrido (sendo seguidos pela equipe de TV, claro). No apartamento escuro, o espectador se situa em um grande momento de suspense, onde a velha está parada e os policiais tentam alguma comunicação. A velha do nada corre em direção aos homens e dilacera o pescoço de um dos policiais com os dentes. Sergio atira nela e a equipe volta para o saguão trazendo o homem ferido. Ao chegarem no saguão, são informados por uma equipe militar, do lado de fora do prédio,que o edifício foi isolado a pedido das autoridades sanitárias. A partir daí o inferno se instala no prédio. A câmera segue captando tudo com pouquíssimos cortes, o que confere ainda mais realismo ao filme. Como se não bastasse os momentos de pavor devido ao desconhecido, as pessoas passam a discutir freneticamente, inclusive com o policial Sergio chegando a apontar a arma para os bombeiros e a equipe de TV. Angela não obedece a ordem de parar de cobrir o acontecimento e por várias vezes confronta o policial e até mesmo os bombeiros Alex e Manu. Para o caos completo, bastam apenas alguns instantes, quando o primeiro infectado finalmente vira um zumbi.

[REC] é uma obra absolutamente forte. O nível de realismo é absurdo, sinceramente o filme tem a capacidade de trazer o espectador para o inferno que a trama é. Os atores se mantém em um clima de pavor absoluto e dão mais credibilidade por serem desconhecidos do público. Os diretores usaram muito bem o clima decadente do edifício (que na vida real é um prédio abandonado) e gravaram muitas cenas claustrofóbicas. O maior acerto, na minha opinião, é o nível de tensão ir aumentando gradativamente, enquanto dados sobre o que está acontecendo vão sendo coletados (apesar de tudo ficar muito solto, sem muita explicação). E obviamente o filme ter pouquíssimos cortes, o que dá maior ilusão de credibilidade. O som foi bem cuidado (o filme, por motivos óbvios, não possui trilha sonora),e usado de forma certeira nos momentos de suspense.

Os zumbis não tem nada a ver com os zumbizões de Romero: podemos dizer que são próximos dos vampiros de 30 Dias de Noite, na forma de atacar. A fonte da infecção é mostrada no filme e é um dos momentos mais mórbidos que eu já vi nos filmes de terror. Não irei dar detalhes desta cena, pois, se você ainda não viu o filme, saber como ela é tirará todo o impacto da cena. E mesmo que a função do filme seja assustar pelo seu ritmo, a maquiagem também foi muito bem cuidada, com ferimentos expostos sem muito exagero e zumbis parecendo loucos carnívoros.

Eu sinceramente até me atrapalho em elogiar a obra: mais surpreendente do que o filme ser tão bom nos tempos de hoje é o fato de ele surpreender absurdamente num formato que muitos não davam valor. A Espanha virou um celeiro de ótimos filmes do cinema fantástico (vide O Orfanato e o excepcional O Labirinto do Fauno), e [REC] é a prova mor de como ainda é possível dar novas guinadas no cinema reciclando idéias. Eu ainda não vi [REC2], pois eu havia baixado e meu HD foi pro espaço antes de eu dar uma conferidaL . Bem, após isso decidi que irei ver a seqüência quando estrear no cinema, para ser “vítima” do impacto, rsrsrs. Sei que a seqüência decepcionou muita gente e que o roteiro mostra que viajaram muito, mas mesmo assim acho que vale a pena assistir a seqüência de um filme que mostrou a essência há muito perdida dos filmes de terror: assustar.

Nota: 10,0

OBS: O filme foi “adaptado” pelo cinema americano e gerou o filme Quarentena. O americano copiou até mesmo as cenas de [REC] e, mesmo que tenham copiado algo bom, o resultado é bastante insatisfatório. Além dos atores “carinha de elenco da Malhação”, o filme maquia muitos elementos que poderiam dar realismo à obra e ainda por cima os atores mantém o erro da atuação moderada em vários pontos. Recomendo que assista antes [REC], pois além de garantir o impacto de uma primeira vista, pode ser que você perca o entusiasmo de conferir a obra se usar como parâmetro de comparação o “filhote” americano.

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Ano de Produção: 2007

Ano de Lançamento: 2007

Distribuição: Filmax

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Elenco:

Manuela Velasco (Angela Vidal)

Ferran Terraza (Manu)

Pablo Rosso (Pablo)

David Vert (Alex)

Carlos Vicente (Guillem)

Vicente Gil (Policial)

Sergio (Jorge Serrano)

Martha Carbonell (Sra. Izquierdo)

Maria Teresa Ortega (Abuela)

Manuel Bronchud (Abuelo)

Akemi Goto (Japonesa)

Chen Min Kao (Japonês)

Maria Lanau (Madre Histérica)

Claudia Silva (Jennifer)

Carlos Lasarte (César)

Edição: David Gallart

Cinematografia: Pablo Rosso

Efeitos Visuais: Alex Villagrassa

Produção: Julio Fernandéz

Roteiro: Jaume Balagueró, Luis Berdejo e Paco Plaza

Direção: Jaume Balagueró e Luis Berdejo

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Trailer legendado em português


2012 (2009) – Esse filme realmente é uma catástrofe…

Como diria um sargento quando eu servi: “Eu não sou Roberto Carlos e não estou aqui para fazer milhares de amigos”. Aplico esta frase dele em questão aos filmes. Aqui no Vortex você não irá apenas ver posts de filmes bons, mas também verá que eu “descarrego” ódio em cima de produções ruins. Se você observar, a resenha do Sexta Feira 13 2009 foi nesta linha, e aqui está um outro filme que critico. Diferente de Sexta Feira 13, que peca por seu roteiro e direcionamento, este filme aqui peca por tudo, é  péssimo, horrível. Por que tocar nesta questão? Para observarmos em quais pontos o cinema está mais, digamos, “desprovido”. O cinema atual é quase sempre uma reciclagem de antigas idéias, e conforme os anos passam, filmes inteligentes rareiam cada vez mais.

E é com esta introdução que inicio a análise deste filme que mostra como os “cineastas” americanos estão cada vez mais preocupados apenas com o retorno financeiro e nem se importam de oferecer um produto com algum profissionalismo. O pior é ver que estes filmes rendem muito e a “crítica especializada” os venera. Daí você pode falar: “Ah, mas o que você vai esperar de um filme catástrofe dirigido por Roland Emmerich?”. Obviamente não posso esperar muitas qualidades de um filme hollywoodiano de um diretor que hoje se dedica a dirigir pensando apenas nas cifras. Porém, isso tem um limite.

Eu acho que nem há necessidade de comentar o roteiro, pois, se você já viu alguns filmes de ação e catástrofe americanos vai matar de cara, mas vamos lá para os mais desavisados. O geólogo Adrian (Chiwetel Ejiofor) e o Dr. Santam (Jimi Mistry) descobrem que as radiações solares estão influenciando o aumento da temperatura do núcleo da Terra. Bem, isso não fica muito claro, já que pouco mais dos cinco minutos iniciais abordam a teoria do problema e o diretor preferiu não estender este tempo, para dar lugar às “perseguições blockbuster”, personagens engraçadinhos falando merda e os efeitos arrasa quarteirão…. Mas, voltemos ao roteiro. Adrian informa a descoberta à Casa Branca (com Danny Glover interpretando o presidente), e em uma reunião com o G8,é decidida a costrução de arcas gigantes para salvar as pessoas (leia-se pessoas com astronômicos poderes aquisitivos). Após isso somos apresentados ao “herói” da história: o escritor Jackson Curtis (John Cusack) se dirige até a casa de sua ex-mulher Kate (Amanda Peet), agora casada com Gordon (Thomas McCarthy), para buscar seus filhos Noan (Liam James) e Lily (Morgan Lilly) para acampar. Lá, eles encontram um cara estranho, Charlie Frost, que os alerta sobre os eventos catastróficos que irão acontecer….

Bom, como você já pode presumir, vai acontecer o caos, Jackson foge com seus filhos, ex-esposa e Gordon, eles escapam de diversos acidentes, contestam a hipocrisia do tipo de pessoas da barca, etc, etc, etc. Mas o que mais chama a atenção é que Roland nem se preocupou ao pegar coisas tão batidas no cinema: Noan tem dificuldades de relacionamento com o seu pai, é metido a revoltado e toma iniciativas perigosas durante o filme. Porra, Roland, a gente viu isso há dois anos, em Guerra dos Mundos!!!! Se não bastasse,até a caracterização do moleque é parecida com o filho emo de Tom Cruise. Além disso, Jackson escapa das situações mais absurdas sempre proferindo piadinhas a lá Brendan Fraser na péssima trilogia da Múmia. E sem contar, obviamente, com os elementos incontáveis que Roland pegou de uma obra anterior sua, O Dia Depois de Amanhã.

Ainda sobre o roteiro, Roland deveria aprender que um roteiro não deve ter personagens tão vazios: neste filme tudo é motivo de piada. O grupo escapa da morte milhões de vezes por diferenças de milésimos de segundos, realizam façanhas de super heróis, escapam da morte e gozam uns aos outros e, o pior de tudo, são os mais próximos de humanos que temos durante o filme todo! O espectador não tem escolha: ou simpatiza com a Família Buscapé do futuro, com o presidente (difícil, já que seu papel na trama é mínimo), ou com os vilões, torcendo para que deixem todos morrerem e que se foda. É deprimente. Mas não acaba por aqui, o mais absurdo ainda é o que acontece no final: [ATENÇÃO: super spoiler] Ao tentar achar uma forma de entrarem na arca, Gordon morre como herói. Até aí tudo bem. Mas poucas cenas depois, com poucas horas depois da morte de Gordon, Jackson e Kate se beijam e ficam juntos. PORRA, durante o filme todo eles mal mostraram algum tipo de afeição que poderiam ainda ter um pelo outro, Gordon pareceu sempre prestativo e atencioso, e no final, mal sentindo a morte de Gordon, Kate se entrega a Jackson? PUTA QUE PARIU, Roland quase fez Uwe  Boll sentir-se um grande cineasta…

À par das atuações sofríveis, temos uma avalanche de efeitos especiais para disfarçar o quão vazio o filme é. Você vai ver vários cartões postais do mundo sendo destruídos (Inclusive o Cristo Redentor), mas isso não faz esquecer o tanto de bobagens que vimos até esta altura do filme. Se pelos menos em O Dia Depois de Amanhã Roland passou alguma mensagem moral, aqui a zorra foi lançada e tudo não passa de uma desculpa para fazer mais um filme caça-níqueis e que chupinha diversos elementos de outros blockbusters americanos. Se o diretor não se empenhou para justificar a razão da catástrofe, também nem ao menos se importou em criar algum clima de suspense. A cena onde Jackson e Gordon vão acessar um lugar estreito da arca poderia dar um ótimo clima de suspense… Mas Roland preferiu “refilmar” situações em lugares fechados que já apareceram em diversos outros filmes. Ah, e tem uma piadinha do “cara legal” Jackson.

Enfim, se você já assistiu A Múmia (qualquer filme da trilogia moderna do personagem, favor não confundir com o clássico de Karloff) não vai estar perdendo absolutamente nada. Se assistiu algum Indiana Jones, não vai estar perdendo nada. Se assistiu o remake de Guerra dos Mundos, também não vai estar perdendo nada. Em suma, se assistiu alguma produção americana de ação ou filme catástrofe, não vai estar perdendo absolutamente nada, pois, esta película não passa de uma das mais cafajestes justificativas de arrumar dinheiro fácil nas salas de cinemas e exibir efeitos especiais dentro de um contexto nulo (assim como Avatar, mas isso já é assunto para um outro post…).

Nota: 2,0

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Ano de Produção: 2009

Ano de Lançamento: 2009

Estúdio: Centropolis Entertainment
The Mark Gordon Company

Distribuição: Columbia Pictures

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Elenco:

John Cusack  (Jackson Curtis)

Danny Glover (Presidente Wilson)

Amanda Peet (Kate Jackson)

Woody Harrelson (Charlie Frost)

Thomas McCarthy (Gordon)

Thandie Newton (Laura Wilson)

John Billingsey (Professor West)

Chiweltel Ejiofor (Adrian Hemsley)

Música: Harald Kloser

Cinematografia: Dean Semler

Edição: David Brenner e Peter S. Elliot

Produção: Roland Emmerich, Mark Gordon, Harald Kloser e Larry J. Franco

Roteiro: Harald Kloser e Roland Emmerich

Direção: Roland Emmerich


Ressurreição – Retalhos de um Crime : Boa opção para fãs de thrillers.

Não sei se é grande a quantidade de pessoas que tem esse costume, mas eu muitas vezes compro filmes que nunca vi, quando estão baratos. Acho mais vantajoso do que alugar por 3 ou 4 reais comprar um filme por 7 ou até 10, pois se você gosta de um filme alugado  depois irá gastar um dinheiro para comprar a obra. Neste blog vocês verão muitos posts sobre filmes que para mim foram desta forma, “um tiro no escuro”, e muitas vezes revelarei verdadeiras bombas cinematográficas, mas ocorrem também as surpresas, como este Ressurreição, filme feito para a TV americana no ano de 1999.

Este filme tem como protagonista Christopher Lambert,que é um ator meio canastrão pro meu gosto, mas tem filmes no qual ele consegue uma boa atuação. Dirigido por Russell Mulcahy (mesmo diretor de Highlander, maior êxito de Lambert), numa época em que thrillers estavam rareando os cinemas, fez os críticos relembrarem de Seven (Se7en, de 1995), mega sucesso do gênero. E, como a história é parecida, foi comparado a este, o que na verdade prejudicou bastante o filme, já que tinha um menor orçamento, sem astros de peso e obviamente sem propaganda massiva. Infelizmente, como conseqüência disto, foi tratado como “cópia de Seven”. Afirmar isso é uma daquelas ingenuidades que de tão extremas chegam a dar raiva, como se Seven tivesse inaugurado um estilo de fato. Seven é excelente, mas bebeu das fontes de filmes antigos, como, por exemplo, Jennifer 8 – A Próxima Vítima (com o bom Andy Garcia) e até mesmo de séries de suspense dos anos 60. Bem, estou me desviando de novo do post, hehe. Voltemos ao filme.

[ATENÇÃO: Spoilers neste parágrafo] A história é a seguinte: o detetive John Prudhomme (Lambert) e seu parceiro Andrew Hollinsworth (Leland Orser, que vejam só, também esteve presente em Seven) passam a investigar assassinatos no qual partes dos corpos das vítimas são levados. O amargurado Prudhomme então chega a conclusão de que o assassino é motivado por razões religiosas, e escolhe suas vítimas de acordo com a Bíblia. Ao concluir o intervalo de tempo no qual o assassino age, os dois policiais saem em busca do asssassino, e no momento em que conseguem confronta-lo, o assassino torna o detetive Hollinsworth em sua próxima vítima. Com o desenrolar da trama, Prudhomme conclui que …. Bem, mesmo que eu tenha colocado o aviso de spoiler no começo do parágrafo, sei que muita gente que não viu o filme mesmo assim vai ler isto, e os pontos altos da obra são as reviravoltas do roteiro, então prefiro não revelar maiores detalhes da trama.

Co-escrito pelo próprio Lambert,  o roteiro é bem trabalhado e mantém o suspense da história em medidas certeiras. Seu ponto fraco é sofrer do mal de “personagem vidente”: em determinados momentos, Prudhomme parece tirar as conclusões “do ar”, e isso fere demais a obra. Com isso posto de lado, temos um roteiro bom, que não tem uma surpresa em seu final, mas muitas durante seu decorrer. A fotografia tem a intenção de tornar o filme ora nítido, ora sombrio. Isso funciona bem na maioria das vezes. O som é bem trabalhado e traz todo um clima de suspense para a obra.

Mesmo com algumas limitações, o filme nos traz para um clima nervoso, onde os personagens interagem com o caos de um assassino que eles sabem quando vai agir de novo, mas não conseguem capturar. Mulcahy tentou também mexer um pouco com o psicológico do espectador, com ângulos não convencionais mostrando cenas de ação e cenas no qual os personagens estão em conflito psicológico intenso. E claro, não posso deixar de mencionar as cenas violentas, que, mesmo não desbancando para uma linha tão explícita, expressam bem o horror e a insanidade do assassino.

Este é mais um daqueles filmes injustiçados por uma crítica formada na maior parte das vezes por “burocratas” vestidos de cineastas e que estão a serviço de grandes estúdios que lançam porcarias sem limites. Ressurreição não é aquele filme que irá se tornar um clássico para você, até mesmo porque está claramente não é a intenção da produção. Mas, caso você encontre este filme (pelo menos no Rio de Janeiro facilmente é possível encontrar-lo por menos de 10 reais) e esteja com uma graninha sobrando, aproveite a oportunidade de prestigiar um bom trabalho que não precisou de orçamento gigantesco e um cast formidável para transpor ao espectador um bom clima de suspense e inquietação na medida certa. Obviamente pode surgir na sua memória Seven, ou até mesmo Jogos Mortais, mas o filme tem a sua identidade. Indicado!

Nota: 7,5

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Ano de Produção: 1999

País: Estados Unidos

Estúdio: Interlight

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Elenco:

Christopher Lambert (John Prudhomme)

Leland Orser (Andrew Hollinsworth)

Robert Joy (Gerald Demus)

Barbara Tyson (Sara Prudhomme)

Rick Fox (Scholfield)

David Cronnenberg (Father Rousell)

Roteiro: Brad Mirmam, co-escrito por Christopher Lambert

Musica: Jim McGrath

Edição: Gordon McClellan

Casting: Carmen Tetzlaff

Produção: Howard Baldwin, Pratick D. Choi e Christopher Lambert

Direção: Russell Mulcahy

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Trailer Original:


Freaks (Monstros, 1932) – Um clássico do grotesco.

 

Pôster original.

 

 

Elenco reunido com o diretor Browning.

 

Dedico este post a um dos meus filmes preferidos. Se você perguntar porque este é um dos meus filmes preferidos, devo ser sincero em lhe dizer que não sei responder exatamente. Poderia dizer que seja pelo fato de a obra ter sido uma das mais, digamos, “amaldiçoadas” da história do cinema. Poderia também dizer que seja por sua ousadia surpreendente para a época (mesmo que os espetáculos envolvendo freaks fossem comuns). E obviamente posso citar também a outra ousadia que seria mostrar quem são os verdadeiros monstros: as pessoas “perfeitas”. Enfim, o que importa mesmo é que esta chocante produção do ano de 1932 é um absoluto clássico do cinema e merece ser visto por todos, independente de suas preferências.

O cineasta Tod Browning estava a todo vapor na época, graças aos sucessos de seus filmes anteriores, como London After Midnight (de 1927, com o grande Lon Chaney) e Drácula (de 1931, com Bela Lugosi). Então, este cineasta que estava acostumado a retratar o bizarro, resolve lançar este filme que é uma adaptação da história “Spurs”, de Tod Robbins. Obviamente o cinema de horror da época era muito “brando”. Talvez por isso as pessoas tenham sofrido um impacto tão grande ao assistir a esta obra. Curioso, pois como já falei, espetáculos que exploravam a deformidade dessas pessoas explodiam nos Estados Unidos. O que importa é sua importância histórica e seu valor de entretenimento, uma obra que foi banida em vários países ,foi massacrada pela crítica,sofreu inúmeros cortes e praticamente arruinou a carreira de Tod Browning.

Mesmo durante a sua produção, Browning foi muito criticado. Vários atores chamados por Browning recusaram papéis. Nos estúdios da MGM, a equipe do filme chegou a ser obrigada a almoçar fora dos estúdios, em tendas, pois vários profissionais da companhia não conseguiam comer perto dos “freaks” (a vida imitando a arte, não?). O filme teve sua exibição teste em 1931 e foi um desastre total. Frente a isto, o estúdio decidiu remover a maior parte das cenas com os “freaks”, alterou seu epílogo original e encurtou bastante as cenas finais. As partes que foram censuradas do filme infelizmente estão perdidas, e da película de 90 minutos sobraram apenas pouco mais de 60. Seu final original também foi alterado, sendo substituído por um final feliz, no intuito de amenizar o impacto da obra. Não adiantou. A critica considerou o filme “doentio”. Cinemas boicotaram a obra. No Reino Unido, o filme ficou proibido por mais de 30 anos. E o pobre Browning teve sua carreira futura bastante prejudicada, conseguindo dirigir apenas mais 4 filmes (o diretor tinha realizado desde a década de 10 57 obras). Felizmente o filme foi resgatado na década de 60 e finalmente pode receber o prestígio que merecia (graças ao público já ter sido submetido a maiores “horrores” nesta época).

[ATENÇÃO: Spoilers neste parágrafo]: O filme começa com um homem prestes a revelar, em uma caixa, um dos maiores “mistérios da natureza” (Vale ressaltar que este prólogo não estava presente na versão original do filme). Então somos apresentados a um circo, onde artistas “normais” se misturam às “aberrações”. Logo no início, numa cena onde Madame Tetrallini (Rose Dione) está com alguns dos freaks em um gramado já temos o impacto da obra em geral: vemos o “homem torso” Prince Radian, que não tem nenhum membro, Johnny Eck que aparentava não ter nada da cintura para baixo, além dos microencefálicos, dos quais destacamos Schilitzie (que, apesar de retratado como mulher, na verdade era um homem e provavelmente chamava-se Simon). Nesta cena, vemos dois homens abordando Madame Tetrallini, onde podemos já identificar a abordagem sobre o preconceito das pessoas aos deficientes. O filme segue e vemos então a trama principal: a trapezista Cleópatra (Olga Baclanova) observa que o anão Hans (Harry Earles) a observa com admiração, e ao descobrir que ele é herdeiro de uma fortuna, passa a seduzi-lo e ele, mesmo sabendo da diferença óbvia entre ambos, a pede em casamento. Só que Cleópatra na verdade tinha um caso com o trapezista Hércules (Henry Victor) e planejava matar Hans para herdar sua herança. Ao perceber as verdadeiras intenções de Cleópatra, a anã Frieda (Daisy Earles) tenta alertar seu ex-noivo Hans, que não lhe dá atenção. Então, esta passa apenas a contar com o apoio de Vênus (Leila Hyams) e Phroso (Wallace Ford), que também desconfiam dos verdadeiros objetivos de Cleópatra. Na festa de casamento, numa das cenas mais memoráveis do cinema, os freaks estão reunidos numa grande mesa e cantam para Cleópatra “Você é uma de nós!”. Esta, com repulsa por ser comparada a eles, os agride verbalmente e caçoa de Hans, além de beijar Hércules na frente de todos. Hans aparentemente a perdoa, porém no momento em que Cleópatra iria envenenar-lo, os freaks montam uma armadilha para ela e Hans revela que sabe de tudo. A vingança dos Freaks começa. No fim do filme é revelado o conteúdo da caixa: Cleópatra foi “transformada” numa freak.

Obviamente os maiores destaque são as cenas com os freaks. Temos a clássica cena do homem-torso acendendo o cigarro com a boca (no filme original,ele também enrolava o cigarro com a língua), Johnny Eck “andando com os braços”, a Vênus de Milo (Frances O’Connor) realizando afazeres com as pernas, Schilitzie tentando se comunicar com Phroso, o “homem esqueleto” (Peter Robinson) comemorando o nascimento de seu filho com a mulher barbada,e obviamente a cena do banquete de casamento. Pena que tantas outras cenas estejam perdidas… O filme enfatiza o preconceito que muitas pessoas tem com deficientes, mas mostra também o outro lado da moeda, na imagem de Vênus e Phroso que protegem os freaks.

O aspecto técnico do filme é bom, considerando as limitações que existiam na época em ambientar complexos ambientes externos em estúdio,neste caso um circo.Browning manteve uma boa direção e a interação entre os atores e “freaks” tornam o ambiente ainda mais convincente. O filme pode nos passar um daqueles dilemas ambíguos, entre o moral e o amoral que estava presente na época de sua produção: os “freaks” eram explorados como aberrações, e isso desrespeitava os direitos humanos. Porém, era a única forma de conseguirem dinheiro (e conseguiam uma razoável quantia), já que planos assistenciais naquela época mal garantiam uma digna existência. Com os shows, os “freaks” conseguiam uma vida confortável dentro de seus limites, se casavam e constituíam famílias. Somente na década de 60, quando tais espetáculos foram abolidos, houve uma preocupação social maior com essas pessoas. Bom, é um julgamento que considero intrínseco, depende do ponto de vista de cada pessoa, mas o fato é que graças àqueles shows os artistas não se tornavam confinados em asilos decadentes do início do século.

Este é um dos trabalhos mais espetaculares da história do cinema, sem sombra de dúvidas. Fico imaginando a reação da platéia na época ao ver a película (ainda mais nervosa pelo fato de o “Fantasma da Crise de 29” ainda estar presente em 1932), e a seguinte questão surge: teriam ficado chocados pelas imagens das pessoas com limitações ou horrorizados por verem como eles mesmos podiam ser tão preconceituosos? Tirem suas conclusões e se deleitem com um dos maiores espetáculos da história do cinema.

P.S: Em breve farei um post especial sobre os freaks presentes neste filme e a suposta “maldição do filme Freaks”.

Nota: 9,5

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Elenco:

Wallace Ford – Phroso

Leila Hyams – Venus

Olga Baclanova – Cleópatra

Henry Victor – Hércules

Harry Earles – Hans

Daisy Earles – Frieda

Johnny Eck – Half Boy

Roscoe Ates – Roscoe

Rose Dione – Madame Tetrallini

Frances O’Connor – Armless Wonder

Peter Robinson – Human Eskeleton

Roteiro: Willis Goldbeck e Elliot Clawson, baseado numa história de Tod Robbins

Edição: Basil Wrangwell

Produzido e Dirigido por: Tod Browning

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A clássica cena do banquete:


Frankenstein de Mary Shelley: uma boa versão do clássico livro.

A maior parte dos filmes que abordam a obra-prima de Mary Shelley não seguem a história do livro com exatidão. Em meio a tantas versões (Frankenstein só perde em quantidade de adaptações cinematográficas para Drácula) é complicado que uma nova obra sobre o tema consiga se destacar. Então, em 1994 surgiu este filme, com a proposta de ser a versão mais próxima da história do livro. Apesar de, assim como as outras, mudar muitos elementos (mesmo que em menores proporções) esta é sem dúvida uma das melhores alternativas sobre a história do Dr. Victor Frankenstein.

A história começa com a chegada do Dr. Frankenstein (Kenneth Branagh, que sinceramente é um ator ruim, mas dirigiu bem o filme) no Pólo Norte, onde é encontrado pela expedição do Capitão Robert Walton (Aidan Quinn) que o resgata. Então, o filme é seguido através da narrativa de Frankenstein sobre sua história. Frankenstein conta (de forma vaga) sua infância, quando conheceu Elizabeth (Helena Bonham Carter) ainda criança e como desenvolveu interesse por ciência. De fato, o filme se torna mais intenso com sua ida à Universidade de Ingolstadt, onde conhece o Dr. Waldman e Henry Clerval (Tom Hulce). Este é um dos pontos onde o roteiro mais desvia o enredo do livro, já que Victor e Henry se conheciam desde crianças na história original.

Bem, ao se aprofundar nos seus estudos sobre as ciências naturais e após conhecer o projeto do Dr. Waldman de reanimação da matéria, Victor decide tentar dar vida a um ser criado por si mesmo através de partes de cadáveres. Nesta busca, Victor se distancia mais de sua família e se torna mais obcecado pelo resultado final de sua experiência. Então, numa cena bem produzida sobre a criação do Monstro, Victor vê o resultado de sua obsessão: um ser demente (aparentemente), amedrontador, repulsivo. Então, Victor vai embora e abandona a criatura. Porém, de forma eficaz, o filme nos mostra como o Monstro (muito bem interpretado por Robert DeNiro) aprende a falar e sai em busca de Victor.

Um dos ápices, sem sombra de dúvidas, é a narrativa sobre o monstro. Vemos a passagem da criatura pela cidade, seu desolamento, sua esperança de compaixão na imagem de uma família e a reflexão de como esse mundo não é o seu lugar. Já o desfecho é um caso a parte: de forma muito inteligente foi usado o conceito da noiva do Monstro (que Shelley tinha, mas não chegou a publicar) e aproxima-se ainda mais da reflexão proposta pela autora sobre a semelhança criador e criatura. Obviamente, em contraponto, o roteiro tem momentos fracos e non sense, mas nada que comprometa demais.

O filme funciona bem para mostrar a história de Shelley, apesar de tomar diversas liberdades em relação ao livro. A fotografia é ótima e podemos nos deleitar com grandes e belos cenários ao longo do filme. É um daqueles filmes com clima épico, figurino arrebatador e quadros de câmera que tentam mostrar tudo. A trilha sonora também é boa, assim como os efeitos sonoros são precisos. A caracterização do Monstro pode até causar alguns estranhamentos para nós acostumados com as caracterizações de Boris Karloff e dos Frankensteins da Hammer, mas é possível perceber que a maquiagem foi muito bem feita.

Como ponto fraco da parte técnica eu cito a edição, que quebra o clima do filme com seqüências muito diferentes em seus padrões.

Assim como o livro é excelente, o filme poderá trazer alguns momentos de reflexão ao espectador. Infelizmente a obra foi massacrada pela crítica (fato que pode até ser bom sinal, já que o que a crítica elogia na maior parte das vezes é pura merda). Kenneth Branagh definitivamente é um péssimo ator (sua atuação às vezes põe o filme em risco), mas dirigiu bem o filme, que como detalhe curioso, foi co-escrito por Frank Darabont, o gênio por trás das adaptações dos livros de Stephen King À Espera de um Milagre e Um Sonho de Liberdade. Se ainda não viu Frankenstein de Mary Shelley, assim que encontrar-lo aproveite.

Nota: 8,0

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Elenco:

Robert de Niro – A criatura

Kenneth Branagh – Victor Frankenstein

Helena Bonham Carter – Elizabeth

Tom Hulce – Henry Clerval

Aidan Quinn – Capitão Walton

Ian Holm – Barão Frankenstein

Robert Hardy – Professor Krempe

John Cleese – Dr. Walderman

Richard Briers – Avô

Cherie Lunghi – Caroline Beaufort Frankenstein

Celia Imrie – Sra. Moritz

Gerard Horan – Claude

Trevyn McDowell – Justine

Roteiro: Steph Lady e Frank Darabont, baseados no livro de Mary Shelley

Edição: Andrew Marcus

Cinematografia: Roger Pratt

Música: Patrick Doyle

Produção: Francis Ford Coppola

Direção: Kenneth Branagh

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Trailer Original: