Frankenstein de Mary Shelley: uma boa versão do clássico livro.

A maior parte dos filmes que abordam a obra-prima de Mary Shelley não seguem a história do livro com exatidão. Em meio a tantas versões (Frankenstein só perde em quantidade de adaptações cinematográficas para Drácula) é complicado que uma nova obra sobre o tema consiga se destacar. Então, em 1994 surgiu este filme, com a proposta de ser a versão mais próxima da história do livro. Apesar de, assim como as outras, mudar muitos elementos (mesmo que em menores proporções) esta é sem dúvida uma das melhores alternativas sobre a história do Dr. Victor Frankenstein.

A história começa com a chegada do Dr. Frankenstein (Kenneth Branagh, que sinceramente é um ator ruim, mas dirigiu bem o filme) no Pólo Norte, onde é encontrado pela expedição do Capitão Robert Walton (Aidan Quinn) que o resgata. Então, o filme é seguido através da narrativa de Frankenstein sobre sua história. Frankenstein conta (de forma vaga) sua infância, quando conheceu Elizabeth (Helena Bonham Carter) ainda criança e como desenvolveu interesse por ciência. De fato, o filme se torna mais intenso com sua ida à Universidade de Ingolstadt, onde conhece o Dr. Waldman e Henry Clerval (Tom Hulce). Este é um dos pontos onde o roteiro mais desvia o enredo do livro, já que Victor e Henry se conheciam desde crianças na história original.

Bem, ao se aprofundar nos seus estudos sobre as ciências naturais e após conhecer o projeto do Dr. Waldman de reanimação da matéria, Victor decide tentar dar vida a um ser criado por si mesmo através de partes de cadáveres. Nesta busca, Victor se distancia mais de sua família e se torna mais obcecado pelo resultado final de sua experiência. Então, numa cena bem produzida sobre a criação do Monstro, Victor vê o resultado de sua obsessão: um ser demente (aparentemente), amedrontador, repulsivo. Então, Victor vai embora e abandona a criatura. Porém, de forma eficaz, o filme nos mostra como o Monstro (muito bem interpretado por Robert DeNiro) aprende a falar e sai em busca de Victor.

Um dos ápices, sem sombra de dúvidas, é a narrativa sobre o monstro. Vemos a passagem da criatura pela cidade, seu desolamento, sua esperança de compaixão na imagem de uma família e a reflexão de como esse mundo não é o seu lugar. Já o desfecho é um caso a parte: de forma muito inteligente foi usado o conceito da noiva do Monstro (que Shelley tinha, mas não chegou a publicar) e aproxima-se ainda mais da reflexão proposta pela autora sobre a semelhança criador e criatura. Obviamente, em contraponto, o roteiro tem momentos fracos e non sense, mas nada que comprometa demais.

O filme funciona bem para mostrar a história de Shelley, apesar de tomar diversas liberdades em relação ao livro. A fotografia é ótima e podemos nos deleitar com grandes e belos cenários ao longo do filme. É um daqueles filmes com clima épico, figurino arrebatador e quadros de câmera que tentam mostrar tudo. A trilha sonora também é boa, assim como os efeitos sonoros são precisos. A caracterização do Monstro pode até causar alguns estranhamentos para nós acostumados com as caracterizações de Boris Karloff e dos Frankensteins da Hammer, mas é possível perceber que a maquiagem foi muito bem feita.

Como ponto fraco da parte técnica eu cito a edição, que quebra o clima do filme com seqüências muito diferentes em seus padrões.

Assim como o livro é excelente, o filme poderá trazer alguns momentos de reflexão ao espectador. Infelizmente a obra foi massacrada pela crítica (fato que pode até ser bom sinal, já que o que a crítica elogia na maior parte das vezes é pura merda). Kenneth Branagh definitivamente é um péssimo ator (sua atuação às vezes põe o filme em risco), mas dirigiu bem o filme, que como detalhe curioso, foi co-escrito por Frank Darabont, o gênio por trás das adaptações dos livros de Stephen King À Espera de um Milagre e Um Sonho de Liberdade. Se ainda não viu Frankenstein de Mary Shelley, assim que encontrar-lo aproveite.

Nota: 8,0

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Elenco:

Robert de Niro – A criatura

Kenneth Branagh – Victor Frankenstein

Helena Bonham Carter – Elizabeth

Tom Hulce – Henry Clerval

Aidan Quinn – Capitão Walton

Ian Holm – Barão Frankenstein

Robert Hardy – Professor Krempe

John Cleese – Dr. Walderman

Richard Briers – Avô

Cherie Lunghi – Caroline Beaufort Frankenstein

Celia Imrie – Sra. Moritz

Gerard Horan – Claude

Trevyn McDowell – Justine

Roteiro: Steph Lady e Frank Darabont, baseados no livro de Mary Shelley

Edição: Andrew Marcus

Cinematografia: Roger Pratt

Música: Patrick Doyle

Produção: Francis Ford Coppola

Direção: Kenneth Branagh

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Trailer Original:

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2 Respostas

  1. Nossa, realmente, esse filme do “Frank” com o Robert de Niro é muito bom! Assisti umas 3 vzs.
    E muito bom os seus textos. Parabéns.

    Abraço

    abril 13, 2010 às 9:20 pm

    • Sem dúvidas é um bom filme, considerando os que buscaram seguir bem a história eu considero um dos melhores. Grande Abraço!

      abril 14, 2010 às 2:58 pm

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