2012 (2009) – Esse filme realmente é uma catástrofe…

Como diria um sargento quando eu servi: “Eu não sou Roberto Carlos e não estou aqui para fazer milhares de amigos”. Aplico esta frase dele em questão aos filmes. Aqui no Vortex você não irá apenas ver posts de filmes bons, mas também verá que eu “descarrego” ódio em cima de produções ruins. Se você observar, a resenha do Sexta Feira 13 2009 foi nesta linha, e aqui está um outro filme que critico. Diferente de Sexta Feira 13, que peca por seu roteiro e direcionamento, este filme aqui peca por tudo, é  péssimo, horrível. Por que tocar nesta questão? Para observarmos em quais pontos o cinema está mais, digamos, “desprovido”. O cinema atual é quase sempre uma reciclagem de antigas idéias, e conforme os anos passam, filmes inteligentes rareiam cada vez mais.

E é com esta introdução que inicio a análise deste filme que mostra como os “cineastas” americanos estão cada vez mais preocupados apenas com o retorno financeiro e nem se importam de oferecer um produto com algum profissionalismo. O pior é ver que estes filmes rendem muito e a “crítica especializada” os venera. Daí você pode falar: “Ah, mas o que você vai esperar de um filme catástrofe dirigido por Roland Emmerich?”. Obviamente não posso esperar muitas qualidades de um filme hollywoodiano de um diretor que hoje se dedica a dirigir pensando apenas nas cifras. Porém, isso tem um limite.

Eu acho que nem há necessidade de comentar o roteiro, pois, se você já viu alguns filmes de ação e catástrofe americanos vai matar de cara, mas vamos lá para os mais desavisados. O geólogo Adrian (Chiwetel Ejiofor) e o Dr. Santam (Jimi Mistry) descobrem que as radiações solares estão influenciando o aumento da temperatura do núcleo da Terra. Bem, isso não fica muito claro, já que pouco mais dos cinco minutos iniciais abordam a teoria do problema e o diretor preferiu não estender este tempo, para dar lugar às “perseguições blockbuster”, personagens engraçadinhos falando merda e os efeitos arrasa quarteirão…. Mas, voltemos ao roteiro. Adrian informa a descoberta à Casa Branca (com Danny Glover interpretando o presidente), e em uma reunião com o G8,é decidida a costrução de arcas gigantes para salvar as pessoas (leia-se pessoas com astronômicos poderes aquisitivos). Após isso somos apresentados ao “herói” da história: o escritor Jackson Curtis (John Cusack) se dirige até a casa de sua ex-mulher Kate (Amanda Peet), agora casada com Gordon (Thomas McCarthy), para buscar seus filhos Noan (Liam James) e Lily (Morgan Lilly) para acampar. Lá, eles encontram um cara estranho, Charlie Frost, que os alerta sobre os eventos catastróficos que irão acontecer….

Bom, como você já pode presumir, vai acontecer o caos, Jackson foge com seus filhos, ex-esposa e Gordon, eles escapam de diversos acidentes, contestam a hipocrisia do tipo de pessoas da barca, etc, etc, etc. Mas o que mais chama a atenção é que Roland nem se preocupou ao pegar coisas tão batidas no cinema: Noan tem dificuldades de relacionamento com o seu pai, é metido a revoltado e toma iniciativas perigosas durante o filme. Porra, Roland, a gente viu isso há dois anos, em Guerra dos Mundos!!!! Se não bastasse,até a caracterização do moleque é parecida com o filho emo de Tom Cruise. Além disso, Jackson escapa das situações mais absurdas sempre proferindo piadinhas a lá Brendan Fraser na péssima trilogia da Múmia. E sem contar, obviamente, com os elementos incontáveis que Roland pegou de uma obra anterior sua, O Dia Depois de Amanhã.

Ainda sobre o roteiro, Roland deveria aprender que um roteiro não deve ter personagens tão vazios: neste filme tudo é motivo de piada. O grupo escapa da morte milhões de vezes por diferenças de milésimos de segundos, realizam façanhas de super heróis, escapam da morte e gozam uns aos outros e, o pior de tudo, são os mais próximos de humanos que temos durante o filme todo! O espectador não tem escolha: ou simpatiza com a Família Buscapé do futuro, com o presidente (difícil, já que seu papel na trama é mínimo), ou com os vilões, torcendo para que deixem todos morrerem e que se foda. É deprimente. Mas não acaba por aqui, o mais absurdo ainda é o que acontece no final: [ATENÇÃO: super spoiler] Ao tentar achar uma forma de entrarem na arca, Gordon morre como herói. Até aí tudo bem. Mas poucas cenas depois, com poucas horas depois da morte de Gordon, Jackson e Kate se beijam e ficam juntos. PORRA, durante o filme todo eles mal mostraram algum tipo de afeição que poderiam ainda ter um pelo outro, Gordon pareceu sempre prestativo e atencioso, e no final, mal sentindo a morte de Gordon, Kate se entrega a Jackson? PUTA QUE PARIU, Roland quase fez Uwe  Boll sentir-se um grande cineasta…

À par das atuações sofríveis, temos uma avalanche de efeitos especiais para disfarçar o quão vazio o filme é. Você vai ver vários cartões postais do mundo sendo destruídos (Inclusive o Cristo Redentor), mas isso não faz esquecer o tanto de bobagens que vimos até esta altura do filme. Se pelos menos em O Dia Depois de Amanhã Roland passou alguma mensagem moral, aqui a zorra foi lançada e tudo não passa de uma desculpa para fazer mais um filme caça-níqueis e que chupinha diversos elementos de outros blockbusters americanos. Se o diretor não se empenhou para justificar a razão da catástrofe, também nem ao menos se importou em criar algum clima de suspense. A cena onde Jackson e Gordon vão acessar um lugar estreito da arca poderia dar um ótimo clima de suspense… Mas Roland preferiu “refilmar” situações em lugares fechados que já apareceram em diversos outros filmes. Ah, e tem uma piadinha do “cara legal” Jackson.

Enfim, se você já assistiu A Múmia (qualquer filme da trilogia moderna do personagem, favor não confundir com o clássico de Karloff) não vai estar perdendo absolutamente nada. Se assistiu algum Indiana Jones, não vai estar perdendo nada. Se assistiu o remake de Guerra dos Mundos, também não vai estar perdendo nada. Em suma, se assistiu alguma produção americana de ação ou filme catástrofe, não vai estar perdendo absolutamente nada, pois, esta película não passa de uma das mais cafajestes justificativas de arrumar dinheiro fácil nas salas de cinemas e exibir efeitos especiais dentro de um contexto nulo (assim como Avatar, mas isso já é assunto para um outro post…).

Nota: 2,0

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Ano de Produção: 2009

Ano de Lançamento: 2009

Estúdio: Centropolis Entertainment
The Mark Gordon Company

Distribuição: Columbia Pictures

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Elenco:

John Cusack  (Jackson Curtis)

Danny Glover (Presidente Wilson)

Amanda Peet (Kate Jackson)

Woody Harrelson (Charlie Frost)

Thomas McCarthy (Gordon)

Thandie Newton (Laura Wilson)

John Billingsey (Professor West)

Chiweltel Ejiofor (Adrian Hemsley)

Música: Harald Kloser

Cinematografia: Dean Semler

Edição: David Brenner e Peter S. Elliot

Produção: Roland Emmerich, Mark Gordon, Harald Kloser e Larry J. Franco

Roteiro: Harald Kloser e Roland Emmerich

Direção: Roland Emmerich

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3 Respostas

  1. Quanto a essa nota que vc deu pro filme, acho muito justo. Roteiro previsível D+++, terremotos, tsunamis, furacões, meteoros… Já vimos tudo isso antes. Ele é mais um filme de catástrofes naturais. E os efeitos especiais? Ah sim, legal. Mas só.

    abril 20, 2010 às 5:59 pm

    • Opa meu amigo, esse filme é péssimo mesmo. É mais uma obra que sofre do defeito de se camuflar em efeitos. Sinceramente, o cinema “blockbuster” parece mais uma exibição de avanços tecnológicos do que cinema de fato. Grande Abraço!

      abril 22, 2010 às 12:17 pm

  2. Carlos

    Cliches e + cliches…. Fiquei um tempao esperando por esse fime,comprei ingresso antecipado e chegando no dia,foi so decepcao.Esperava alguma mensagem de proveito ou + artigos sobre 2012.Esse filme foi sim um abuso.

    julho 6, 2010 às 11:03 pm

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