30 Dias de Noite (2007) – Mais um suspiro do horror moderno

 

O horror em 30 dias sem parar.

 

Ah, que saudades da época em que os filmes de terror tinham uma produção de baixo orçamento, mas eram repletos de gente empenhada em fazer algo divertido. Saudosa Hammer Films, que produziu Dráculas e Frankensteins tão bons… Sem contar a era de ouro da Universal, onde Bela Lugosi, Boris Karloff, Lon Chaney e tantos outros ajudaram a moldar o cinema fantástico, iniciado com os “pesadelos germânicos” do Expressionismo Alemão… Pois bem, hoje em dia parece que a investida de nossos heróis foi quase em vão, já que o gênero está aos poucos sendo destruído… Quando uma boa obra de terror surge nos dias de hoje é quase um motivo de festa. Já lhes recomendei aqui no Vortex A Órfã e o magistral [REC], e venho aqui falar do ótimo 30 Dias de Noite (30 Days of Night), filme de 2007 baseado nos quadrinhos de Steve Niles que conta com a produção do mestre Sam Raimi.

[ATENÇÃO: Spoilers neste parágrafo] Vamos ao roteiro: A história se passa na cidade de Barrow, no Alasca, onde em determinado momento do inverno o sol deixa de aparecer por 30 dias. O xerife Eben (Josh Harnett) vai averiguar o aparecimento de um estranho (Ben Foster) que está falando sobre “estranhos eventos”. Ao voltar para a cidade, Eben encontra a policial e esposa Stella (Melissa George) voltando para a cidade, pois perdeu o último vôo antes dos 30 dias (os dois estavam quase se separando). Na cadeia, o Estranho revela que a morte está chegando para eles. Então com o cair da noite um grupo de vampiros invade a cidade e corta todos os meios de comunicação da população. Eben e Stella então saem pela cidade e avisam para todos os moradores se trancarem e carregarem todas as armas. O grupo de vampiros, liderado por Marlowe (Danny Huston), busca o Estranho. A partir do momento em que este pede para ser transformado, é morto e Marlowe ordena a todos os vampiros que não transformem mais ninguém e matem todos da cidade. Eben e Stella são salvos por Beau Brower e então se isolam no porão de uma casa com outros moradores da cidade, e lá pretendem inicialmente permanecer durante os 30 dias. Porém, como você já pode imaginar, eventos que impedirão isso ocorrerão.

Quando eu vi esse filme eu pensei: Caralho, como ninguém nunca pensou nisso? É uma daquelas idéias que são óbvias e mesmo assim nós não conseguimos pensar, rsrsrsr. O clima desolado da cidade é aproveitado de forma espetacular: a quase ausência de uma trilha incidental faz o barulho do vento soar macabro e inquietante. Imagine só: uma cidade gélida, no meio do nada, com vampiros espreitando e sem nenhum meio de comunicação; como seria estar nela? O diretor David Slade explorou muito bem este clima tétrico, além de dar ao filme um andamento ótimo. No primeiro momento você pode pensar: – Ah, tem umas 10 pessoas com armas no porão, e uma porrada de vampiros do lado de fora. Daqui a pouco vai rolar tiro, sangue, pescoços dilacerados, etc… Mas não é isso o que acontece. O filme segue de forma arrastada, transmitindo ao espectador a tensão presente e a incerteza do que pode acontecer. Isso é fenomenal para os padrões de hoje, onde qualquer “blockbusteriano” (como Stephen Sommers em Van Helsing) pensaria logo em arrumar um meio de colocar os vampiros dentro da casa e filmar uma “fuga desenfreada” dentro da casa. Tais momentos rolam apenas nos momentos que devem rolar, e nenhum dos humanos é algum super-homem ou matador de vampiros piadista. Além disso, o filme permite um desenvolvimento dos personagens, que faz com que o espectador realmente simpatize com seus dramas.

A fotografia é excelente, com belos contrates e imagem límpida. As atuações são seguras e Josh Harnett realmente nos transmite a desconfiança do personagem. A maquiagem dos vampiros é bem cuidada, com cada um tendo uma distinta feição. Agora, devemos ressaltar que estes vampiros não são como estamos acostumados a ver hoje, de forma romantizada: se assemelham mesmo a monstros vorazes, com dentes afiados e bocas enormes. A forma violenta dos vampiros ao atacar suas vítimas surpreende. Eu diria que o que o Drácula de Bram Stoker tem de repulsivo estes aqui tem de filhos das putas! Agora, uma coisa peca muito: não é mostrada a origem destes vampiros, assim como algumas coisas sobre os monstros ficam sem explicação…. Bem, é possível desconsiderar estes pontos fracos.

30 Dias de Noite é uma das melhores opções de filme de terror dos últimos 5 anos. Além de o diretor David Slade ter trazido um excelente clima e o filme ser inquietante com algumas cenas claustrofóbicas, a obra ganha ainda maior destaque por sua produção caprichada (mas sem exageros, como zilhões de efeitos especiais) e quebrar um pouco a mesmice com a qual vampiros tem sido retratados ultimamente. Indicado!

Nota: 8,5


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País: Estados Unidos

Ano de Produção: 2007

Estúdio: Dark Horse Entertainement/ Ghost House Pictures

Distribuição: Columbia Pictures

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Elenco:

Josh Harnett (Eben Oleson)

Melissa George (Stella Oleson)

Danny Huston (Marlowe)

Ben Foster (o Estranho)

Mark Boone Junior (Beau Brower)

Mark Rendal (Jake Oleson)

Amber Sainsbury (Denise)

Manu Bennett (Billy Kitka)

Edição: Art Jones

Cinematografia: Jo Willems

Produção: Sam Raimi, Ted Adams e Rob Tapert

Roteiro: Steve Niles, Stuart Beattie e Brian Nelson, baseado na história de Steve Niles

Direção: David Slade

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Trailer original:

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