Arquivo para agosto, 2010

Avatar (2009) – Maquiando um roteiro retalhado

Há mais de 10 anos, um certo filme causava um alvoroço absurdo no mundo. Como se ninguém tivesse jamais visto um filme de romance na vida, o filme em questão arrebentou na bilheteria de todos os países em que foi exibido. Este filme, tido como uma obra de arte para muitos, COPIOU vários elementos de uma mesma produção, realizada um ano antes. Pois bem, o filme em questão é Titanic, com Leonardo DiCaprio e Kate Winslet. Um ano antes foi lançado um filme também baseado na tragédia do navio da década de 10, desta vez com astros como Catherina Zeta Jones e George C. Scott. Mas o primeiro filme foi feito para a tv, e não causou muito alarde. Então, os executivos da Paramount viram aí um baú de ouro mal explorado, e então decidiram investir numa luxuosa produção sobre a mesma história, inclusive copiando cenas na cara de pau do filme do ano anterior. O resultado: um filme chato, onde a produção impecável apenas se salva. Então em 2009, vimos algo do tipo acontecer novamente, com Avatar. A coincidência? As duas obras foram dirigidas pelo mesmo homem: James Cameron.

Tudo bem, Avatar não copiou descaradamente uma obra anterior. Desta vez a cópia foi de fragmentos de diversas obras anteriores. Mas, será que a história de Avatar é tão desprovida de originalidade? Sim e não. [ATENÇÃO: Spoiles no resto deste parágrafo e no seguinte] Os seres humanos, em toda sua arrogância, procuram minérios pelo Universo. Então numa lua (acho que é isso, se não um planeta mesmo) chamada Pandora, é encontrado um minério que pode dar uma ajuda na questão da crise energética do planeta Terra. Porém, existe um problema: o lugar é muito tóxico, e os seres humanos não resistiriam em sua atmosfera. Então, um grupo de cientistas cria um organismo que pode ser ligado mentalmente aos humanos: estes seres são os Avatares em questão. Sua aparência é semelhante a dos Na’vi, serem que habitam Pandora.

Então, somos apresentados ao ex-fuzileiro naval Jake Suly (Sam Worthington), que faz parte da operação junto com a doutora Grace (Sigourney Weaver) e Norm Spellman (Joel Moore), que também possuem seus avatares. Pois bem, eles se adentram em Pandora para uma missão de reconhecimento, porém em um acidente JAke cai do helicóptero em que estava e se vê perdido no local. Então, numa cena bastante previsível, ele conhece a Na’vi Neytiri (Zoe Saldana), que é filha do líder da tribo. A história se desenrola num ritmo lento, e como o espectador já desconfia, Jake entra numa crise de identidade, vendo que o que eles estavam fazendo é errado e então passa a lutar contra a ambição dos militares americanos. Só que isso não irá agradar o Coronel Miles (Stephen Lang), líder da operação. A luta então é travada e várias reviravoltas (que você já cansou de ver em outros filmes) acontecem: morre um dos amigos de Jake, ele é visto como traidor, ele é perdoado, ele do nada vira o fodão e destrói tudo, etc, etc, etc.

Este é o pior defeito do filme: sua previsibilidade. Sinceramente, eu matei o resto do filme todo no cinema ainda nos seus 30 minutos de projeção. Talvez por isso eu tenha achado o filme tão “bobo”. Meu caro leitor, deixo claro que é minha opinião pessoal sobre a obra e não estou aqui querendo ser dono da verdade, mas na minha opinião Avatar foi o maior desperdício de dinheiro da história de Hollywood. O assombroso investimento do filme não justifica isso. Convenhamos: o filme é muito bonito. A produção gráfica é super caprichada, assim como os efeitos e a parte sonora. Mas mesmo assim não dá para engolir. Toy Story foi uma formidável inovação, numa história curiosa, tornando o conjunto um tant divertido. Assim tudo bem. Mas Avatar “inova” formulas tão batidas que hoje em dia se tornam chatas. O pior é ver uma porrada de gente (mesmo da “crítica especializada”) falando que o roteiro é uma maravilha. Então porque essa mesma crítica especializada escurraçou O Ultimo Samurai (com Tom Cruise) cujo personagem de Jake Sully se mostra completamente baseado?? Porque então essa mesma crítica chamou Uma Verdade Inconveniente de “raciocínio alarmista e infundado sobre o meio ambiente”, se Avatar põe em prática até mesmo um elemento teorizado por Al Gore??? E quantas vezes nós já vimos o desenrolar do roteiro de Avatar em filmes “satanizados” pelos “críticos” do New York Times e afins?

E deixe-me falar de James Cameron, que mencionei e até havia esquecido aí em cima. Ele é até um bom diretor. As cenas são bem dirigidas, inclusive algumas partes com maior dose de ação. Mas isso não evita o diretor de insistir em alguns momentos monótonos e outros cujo o heroísmo do personagem principal é focado de tal forma que parece que o filme virou um remake de Ben-Hur. Além de muitas piadinhas em momentos críticos serem proferidas (o maniazinha maldita essa dos cineastas americanos). Mas minha maior crítica a esse cidadão nem se dá no quesito técnico, mas sim por sua postura em relação à obra. O diretor enfatizou na mensagem sobre o meio ambiente. Tudo bem, ela está presente, mas o diretor não deve ter se lembrado que muitas das empresas que deram suporte ao filme no exterior são algumas das maiores agressoras do ambiente (como a Nestlé). Ele mencionou que a história é muito boa e bem trabalhada. Mas ele deve ter se esquecido que 99,9% dos espectadores já tinha visto algum romance ou aventura americanos. E pensar que ele demorou tanto tento para recortar partes de outros roteiros e encaixar aqui…. Por fim, ele enfatizou a inovação tecnológica do filme. Aí sim, concordo com ele em gênero, número e grau. Mas, do que adianta essa maquiagem num filme tão vazio? Afinal, se ele se esqueceu, estamos tratando de CINEMA, e não de um espetáculo tecnológico. E infelizmente este é o caminho que o cinema americano tem trilhado durante estes últimos anos.

Nota: 4,5

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País: Estados Unidos

Ano de Produção: 2009

Estúdio: Fox

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Elenco:

Sam Worthington (Jake Sully)

Zoe Saldana (Neyriti)

Sigourney Weaver (Dra. Grace Augustine)

Stephen Lang (Coronel Miles Quaritch)

Joel Moore (Norm Spellman)

Michelle Rodriguez (Trudy Chalcon)

Música: James Horner

Produtores: James Cameron e Jon Landau

Roteiro e Direção: James Cameron

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Trailer Original


À Espera de um Milagre (The Green Mile – 1999): Soberbo!

Olá meus caros! Como vão?? Primeiramente, informo que infelizmente estive impossibilitado de postar no blog, graças a contratempos (leia-se bloqueio da internet em meu trabalho). Mas agora estou com um acesso estável, e prometo que sempre postarei sobre antigos e novos clássicos do cinema aqui 🙂 ! E em segundo, vamos falar sobre um filme que, na minha opinião, é o melhor do cinema americano: À Espera de um Milagre.

Vamos começar falando do diretor desta obra de arte: Frank Darabont. Enquanto muitos apontam como “gênio do cinema moderno americano” diretores como M. Night Shyamalan, eu digo que quem merece este título é nosso querido Darabont. Sinceramente, eu até acho que ele é injustiçado, por não ter um renome tão grande como cineastas modernos, como Shyamalan e cia.. Sinceramente, ainda não vi filme deste homem sair abaixo do ótimo. Um Sonho de Liberdade, Cine Majestic… o inquietante O Nevoeiro…. um novo gênio da sétima arte. Mas permita-me falar do filme em questão no artigo, que é seu maior acerto, sem dúvidas.

[ATENÇÃO: Spoilers nos próximos 2 parágrafos] The Green Mile, como a maior parte dos filmes dirigidos por Darabont, é uma adaptação cinematográfica de uma obra de Stephen King, lançada em 1996. O filme começa com Paul Edgecomb, um antigo guarda de prisão, em um asilo, tendo uma crise emocional ao ver o filme Top Hat, com Fred Astaire. Então, ele começa a contar sua história para uma amiga de asilo. Somos levados então ao ano de 1935, onde Paul Edgecomb (retratado aqui por Tom Hanks) era chefe de guarda de um corredor da morte, apelidado pelos guardas de “A Milha Verde”. Ao chegar um novo prisioneiro, todos se impressionam com o mesmo: um homem negro (num tempo em que o racismo era ainda intenso) com mais de 2 metros de altura, de aparência forte, mas de uma mentalidade inocente e até mesmo infantil. O nome dele é John Coffee (Michael Clarke Duncan) e foi condenado à morte pelo assassinato de duas garotinhas. Mas conforme o filme decorre, John Coffee demonstra ser uma boa pessoa, e guarda um segredo: ele tem o dom de curar as pessoas. O próprio Edgecomb tem uma infecção urinária curada por Coffee. Após isso, Edgecomb passa a ter uma nova imagem do prisioneiro.

Mas o filme tem outros personagens tão ricos quanto: Eduard Delacroix (Michael Jeter), um prisioneiro profundamente arrependido do que fez e que “doma” um outro personagem muito especial (e que tem grande importância na trama), o ratinho Mr. Jingles; Percy Wetmore (Doug Hutchison), um guarda imbecil que chegou ao cargo através do conhecimento de pessoas importantes; Will Bill (Sam Rockwell), um assassino que chega após John Coffee no corredor da morte, e também guarda um segredo essencial na trama, além  dos guardas Brutal Howell (o ótimo David Morse), Dean Stanton (Barry Pepper) e Hal Moores (James Crowmwell), que também presencia os milagres de Coffe, após sua mulher ser curada de um câncer terminal pelas mãos do prisioneiro.

Aliás, a forma como o filme é conduzido faz o espectador interagir de forma única na história. Mesmo que Coffee seja de certa forma o ponto principal do filme, a narrativa dá espaço para os outros personagens se desenvolverem e ganharem o carisma (ou ódio) do espectador. E como é característico nas obras de King, os personagens refletem vários aspectos que compõe o ser humano como um todo. Enfim, é um dos filmes com personagens melhor construídos que eu já vi.

A parte técnica também é uma maravilha. A imagem cria um clima nostálgico, mas não deixa de ser límpida e viva. Até mesmo o contraste da Milha Verde com a falta de cores (e porque não de vida?) do cenário da prisão causa um grande impacto. O som é muito bem cuidado, enfatizando nas ações dos personagens, tornado o resultado quase teatral. As atuações são ótimas. Tom Hanks, na minha opinião, é o melhor ator das duas últimas décadas, e aqui mais uma vez tem um resultado muito bom (mesmo que um pouco contido). Michael Clarke Duncan impressiona e tem uma atuação assombrosa. Até hoje fico pensando na burrada que a “Academia de Imbecilidades de Hollywood” fez em não dar o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante de 2000 para Duncan… Também outro que brilha é Sam Rockwell que conseguiu tornar Wild Bill extremamente repulsivo, mas sarcasticamente engraçado.

Além disso, dois dos maiores pontos da trama são as surpresas do final. Reconheço que pode ser um pouco difícil para algumas pessoas se “entusiasmar” em ver um filme de drama com 3 horas de duração, mas eu recomendo: é uma ótima experiência. Se os filmes americanos da atualidade tivessem pelo menos a metade da qualidade de Green Mile, o cinema americano estaria muito longe de seu atual estado lastimável. Mas Frank Darabont mostrou que até mesmo numa industria cinematográfica onde as cifras ofuscam a arte é possível alcançar resultados magníficos. E sua competência nos presenteou com um dos mais belos e intensos filmes da história.

Nota: 10,0


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País: Estados Unidos

Estúdio: Castle Rock

Ano de Lançamento: 1999

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Elenco:

Tom Hanks (Paul Edgecomb)

Michael Clarke Duncan (John Coffee)

David Morse (Brutus Howell)

Bonnie Hunt (Jan Edgecomb)

Sam Rockwell (Wild Bill)

Michael Jeter (Eduard Delacroix)

James Cromwell (Hal Moores)

Doug Hutchison (Percy Wetmore)

Edição: Richard Francis-Bruce

Música: Thomas Newman

Direção de Fotografia: David Tattersall

Direção de Arte: William Cruse

Produção: Frank Darabont e David Valdes

Roteiro: Frank Darabont, escrito a partir da obra de Stephen King

Direção: Frank Darabont.

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Trailer Original