Clássicos

A Morte Cansada (Der Müde Tod, 1921) – O primeiro grande ato de Fritz Lang

Se houve um movimento extremamente simbólico e surrealista no cinema, este foi o Expressionismo Alemão. As obras originadas deste obscuro período do cinema alemão criaram elementos que perduram até hoje no cinema, além de ajudar a moldar o que hoje conhecemos como terror, suspense e de certa forma o noir. Infelizmente o gênero não foi muito duradouro, principalmente pelo fato de ter sido oprimido com a ascensão dos ideários nazistas já no final da década de 20. Dos envolvidos neste filão, vários foram expulsos ou fugiram da Alemanha, como o diretor Fritz Lang, que neste filme já mostrava elementos que perduraram em suas obras mais clássicas, como a trilogia do Dr. Mabuse e Os Ninbelungos.

A Morte Cansada foi a primeira incursão do diretor no Expressionismo Alemão. O filme conta a história de um casal (Lil Dagover, a Jane de O Gabinete do Dr. Caligari, e Walter Janssen) prestes a se casar. Ao pararem em uma taberna, encontram com um homem misterioso (o excelente Bernhard Goetzke), que na verdade é a Morte. Então, enquanto a jovem estava em um outro local da taberna, a Morte leva seu noivo e a jovem então se põe a buscar seu amado em vários pontos da cidade. Ao ver a alma de seu amado vagando, desmaia e é resgatada por um alquimista. Ao acordar, decide cometer suicídio e tentar buscar a alma de seu amado. Ao encontrar com a Morte, suplica para que tenha a vida de seu amado devolvida, e esta então lhe oferece três desafios: a jovem deve salvar 3 vidas (simbolizadas pelas chamas de 3 velas), em ambientes distintos. Na representação destas 3 histórias, ela vê as pessoas que devem ser salvas na imagem de seu noivo, mas não consegue salvar-las. Então, a Morte lhe dá mais uma chance, obrigando a jovem a oferecer a vida de alguém para ter a de seu noivo de volta.

A interpretação da Morte talvez seja a marca maior do filme: vemos aí não um ser demoníaco, mas sim uma criatura destinada a cumprir algo que é obrigada a fazer. Mesmo que durante as 3 histórias ela demonstre piedade e deseje ajudar os jovens, ela não pode deixar de cumprir seu dever, estando disfarçada nas 3 histórias passadas para cumprir seu objetivo. No fim das contas, a obra aborda as questões sobre o amor e a válvula de escape perante uma situação indesejada: o suicídio.

Enfim, A Morte Cansada na minha opinião é um dos melhores filmes do Expressionismo Alemão. Em primeiro lugar, é um dos que mais exemplifica as idéias essenciais do movimento. Em segundo lugar, por ser uma obra com uma estrutura narrativa tão rica e bem trabalhada. E em terceiro lugar por ser a apresentação do gênio Fritz Lang ao cinema e ser uma obra que definiu o padrão seguido por este diretor, seja em sua linha narrativa, seja em sua representação visual. Mesmo que você não goste de filmes mudos, dê uma chance a si mesmo para assistir uma obra tão cheia de qualidades. Mais do que um filme, A Morte Cansada é uma abordagem filosófica sobre a vida e suas conseqüências.

Nota: 9,0

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País de Produção: Alemanha

Ano: 1921

Estúdio: Decla Bioscope

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Elenco:

Lil Dagover (A Jovem)

Walter Janssen (O Jovem)

Bernhard Goetzke (A Morte)

Hans Sterneberg (O Prefeito)

Paul Rehkopth (O Coveiro)

Karl Rucket (O Reverendo)

Karl Platen (O Alquimista)

Direção de Arte: Robert Herlth, Walter Rohrig e Hermann Warm

Cinematografia: Bruno Mondi, Erich Nitschmann, Herrmann Saalfrank e Fritz Arno Wagner

Produção: Erich Pommer

Roteiro: Fritz Lang e Thea von Arbour

Direção: Fritz Lang

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Primeira parte do filme (siga os links no final do video para assistir as partes seguintes)


Freaks (Monstros, 1932) – Um clássico do grotesco.

 

Pôster original.

 

 

Elenco reunido com o diretor Browning.

 

Dedico este post a um dos meus filmes preferidos. Se você perguntar porque este é um dos meus filmes preferidos, devo ser sincero em lhe dizer que não sei responder exatamente. Poderia dizer que seja pelo fato de a obra ter sido uma das mais, digamos, “amaldiçoadas” da história do cinema. Poderia também dizer que seja por sua ousadia surpreendente para a época (mesmo que os espetáculos envolvendo freaks fossem comuns). E obviamente posso citar também a outra ousadia que seria mostrar quem são os verdadeiros monstros: as pessoas “perfeitas”. Enfim, o que importa mesmo é que esta chocante produção do ano de 1932 é um absoluto clássico do cinema e merece ser visto por todos, independente de suas preferências.

O cineasta Tod Browning estava a todo vapor na época, graças aos sucessos de seus filmes anteriores, como London After Midnight (de 1927, com o grande Lon Chaney) e Drácula (de 1931, com Bela Lugosi). Então, este cineasta que estava acostumado a retratar o bizarro, resolve lançar este filme que é uma adaptação da história “Spurs”, de Tod Robbins. Obviamente o cinema de horror da época era muito “brando”. Talvez por isso as pessoas tenham sofrido um impacto tão grande ao assistir a esta obra. Curioso, pois como já falei, espetáculos que exploravam a deformidade dessas pessoas explodiam nos Estados Unidos. O que importa é sua importância histórica e seu valor de entretenimento, uma obra que foi banida em vários países ,foi massacrada pela crítica,sofreu inúmeros cortes e praticamente arruinou a carreira de Tod Browning.

Mesmo durante a sua produção, Browning foi muito criticado. Vários atores chamados por Browning recusaram papéis. Nos estúdios da MGM, a equipe do filme chegou a ser obrigada a almoçar fora dos estúdios, em tendas, pois vários profissionais da companhia não conseguiam comer perto dos “freaks” (a vida imitando a arte, não?). O filme teve sua exibição teste em 1931 e foi um desastre total. Frente a isto, o estúdio decidiu remover a maior parte das cenas com os “freaks”, alterou seu epílogo original e encurtou bastante as cenas finais. As partes que foram censuradas do filme infelizmente estão perdidas, e da película de 90 minutos sobraram apenas pouco mais de 60. Seu final original também foi alterado, sendo substituído por um final feliz, no intuito de amenizar o impacto da obra. Não adiantou. A critica considerou o filme “doentio”. Cinemas boicotaram a obra. No Reino Unido, o filme ficou proibido por mais de 30 anos. E o pobre Browning teve sua carreira futura bastante prejudicada, conseguindo dirigir apenas mais 4 filmes (o diretor tinha realizado desde a década de 10 57 obras). Felizmente o filme foi resgatado na década de 60 e finalmente pode receber o prestígio que merecia (graças ao público já ter sido submetido a maiores “horrores” nesta época).

[ATENÇÃO: Spoilers neste parágrafo]: O filme começa com um homem prestes a revelar, em uma caixa, um dos maiores “mistérios da natureza” (Vale ressaltar que este prólogo não estava presente na versão original do filme). Então somos apresentados a um circo, onde artistas “normais” se misturam às “aberrações”. Logo no início, numa cena onde Madame Tetrallini (Rose Dione) está com alguns dos freaks em um gramado já temos o impacto da obra em geral: vemos o “homem torso” Prince Radian, que não tem nenhum membro, Johnny Eck que aparentava não ter nada da cintura para baixo, além dos microencefálicos, dos quais destacamos Schilitzie (que, apesar de retratado como mulher, na verdade era um homem e provavelmente chamava-se Simon). Nesta cena, vemos dois homens abordando Madame Tetrallini, onde podemos já identificar a abordagem sobre o preconceito das pessoas aos deficientes. O filme segue e vemos então a trama principal: a trapezista Cleópatra (Olga Baclanova) observa que o anão Hans (Harry Earles) a observa com admiração, e ao descobrir que ele é herdeiro de uma fortuna, passa a seduzi-lo e ele, mesmo sabendo da diferença óbvia entre ambos, a pede em casamento. Só que Cleópatra na verdade tinha um caso com o trapezista Hércules (Henry Victor) e planejava matar Hans para herdar sua herança. Ao perceber as verdadeiras intenções de Cleópatra, a anã Frieda (Daisy Earles) tenta alertar seu ex-noivo Hans, que não lhe dá atenção. Então, esta passa apenas a contar com o apoio de Vênus (Leila Hyams) e Phroso (Wallace Ford), que também desconfiam dos verdadeiros objetivos de Cleópatra. Na festa de casamento, numa das cenas mais memoráveis do cinema, os freaks estão reunidos numa grande mesa e cantam para Cleópatra “Você é uma de nós!”. Esta, com repulsa por ser comparada a eles, os agride verbalmente e caçoa de Hans, além de beijar Hércules na frente de todos. Hans aparentemente a perdoa, porém no momento em que Cleópatra iria envenenar-lo, os freaks montam uma armadilha para ela e Hans revela que sabe de tudo. A vingança dos Freaks começa. No fim do filme é revelado o conteúdo da caixa: Cleópatra foi “transformada” numa freak.

Obviamente os maiores destaque são as cenas com os freaks. Temos a clássica cena do homem-torso acendendo o cigarro com a boca (no filme original,ele também enrolava o cigarro com a língua), Johnny Eck “andando com os braços”, a Vênus de Milo (Frances O’Connor) realizando afazeres com as pernas, Schilitzie tentando se comunicar com Phroso, o “homem esqueleto” (Peter Robinson) comemorando o nascimento de seu filho com a mulher barbada,e obviamente a cena do banquete de casamento. Pena que tantas outras cenas estejam perdidas… O filme enfatiza o preconceito que muitas pessoas tem com deficientes, mas mostra também o outro lado da moeda, na imagem de Vênus e Phroso que protegem os freaks.

O aspecto técnico do filme é bom, considerando as limitações que existiam na época em ambientar complexos ambientes externos em estúdio,neste caso um circo.Browning manteve uma boa direção e a interação entre os atores e “freaks” tornam o ambiente ainda mais convincente. O filme pode nos passar um daqueles dilemas ambíguos, entre o moral e o amoral que estava presente na época de sua produção: os “freaks” eram explorados como aberrações, e isso desrespeitava os direitos humanos. Porém, era a única forma de conseguirem dinheiro (e conseguiam uma razoável quantia), já que planos assistenciais naquela época mal garantiam uma digna existência. Com os shows, os “freaks” conseguiam uma vida confortável dentro de seus limites, se casavam e constituíam famílias. Somente na década de 60, quando tais espetáculos foram abolidos, houve uma preocupação social maior com essas pessoas. Bom, é um julgamento que considero intrínseco, depende do ponto de vista de cada pessoa, mas o fato é que graças àqueles shows os artistas não se tornavam confinados em asilos decadentes do início do século.

Este é um dos trabalhos mais espetaculares da história do cinema, sem sombra de dúvidas. Fico imaginando a reação da platéia na época ao ver a película (ainda mais nervosa pelo fato de o “Fantasma da Crise de 29” ainda estar presente em 1932), e a seguinte questão surge: teriam ficado chocados pelas imagens das pessoas com limitações ou horrorizados por verem como eles mesmos podiam ser tão preconceituosos? Tirem suas conclusões e se deleitem com um dos maiores espetáculos da história do cinema.

P.S: Em breve farei um post especial sobre os freaks presentes neste filme e a suposta “maldição do filme Freaks”.

Nota: 9,5

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Elenco:

Wallace Ford – Phroso

Leila Hyams – Venus

Olga Baclanova – Cleópatra

Henry Victor – Hércules

Harry Earles – Hans

Daisy Earles – Frieda

Johnny Eck – Half Boy

Roscoe Ates – Roscoe

Rose Dione – Madame Tetrallini

Frances O’Connor – Armless Wonder

Peter Robinson – Human Eskeleton

Roteiro: Willis Goldbeck e Elliot Clawson, baseado numa história de Tod Robbins

Edição: Basil Wrangwell

Produzido e Dirigido por: Tod Browning

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A clássica cena do banquete:


Nosferatu: o maior horror de todos os tempos.

 

Um dos maiores marcos da história do cinema.

 

Muitos olham os filmes de horror com preconceito e repulsa. A dúvida de que tais produções possam ser bem feitas é resultado da injusta banalização do que seria de fato o cinema de horror. Seria bom mostrar para estas pessoas (mesmo que as obrigando) quais dos filmes de horror são os pilares não só para  gênero, mas também para o cinema em geral. Diversas vertentes do cinema ajudaram a moldar a sétima arte (coisa que o cinema americano hoje em dia está fazendo ao contrário, quer dizer, está destruindo o cinema),  dentre elas o Expressionismo Alemão. Tal vanguarda artística foi adotada na Alemanha (então República de Weimar) no final da década de 10,  refletindo o espírito da nação naquele momento: angustiada, desesperada, amedrontada.. sem esperanças. Através deste movimento artístico podemos perceber o sentimento alemão no momento e podemos notar como é possível criar arte através da dor. Infelizmente o movimento não foi tão duradouro (por motivos alheios), mas parte de sua obra perdurou (para nossa felicidade) até os dias de hoje.

Grandes trabalhos da época são considerados perdidos (devido ao fato de muitos filmes terem sido derretidos durante o período da Segunda Guerra para aproveitar o nitrato de prata, componete muito caro), e alguns dos que sobraram hoje tiveram apenas algumas cópias resistentes. Dentre estes filmes, está o objeto deste artigo: Nosferatu, Uma Sinfonia do Horror (Nosferatu, Eine Symphonie des Grauens), filme realizado no ano de 1922 pelo genial F.W Murnau, que infelizmente morreu ainda jovem, no ano de 1931.

Nosferatu foi a primeira adaptação cinematográfica do livro Drácula, de Bram Stoker (muitos pensam que a primeira seria o hungariano Drakula Halála, porém este filme é de 1923), mas por questões de direitos autorais, a obra teve sua exibição proibida após a estréia, graças a uma ação realizada pela viúva de Stoker,  Florence. Como na época tais questões não eram muito conhecidas, Murnau não se preocupou em pegar a história do livro, e o roteiro que foi escrito por Henrik Galeen (que não foi creditado) apenas trocou o nome dos personagens. Após ter sua exibição proibida (e a maior parte de suas cópias confiscadas), Murnau seguiu em frente com outros projetos, como Der brennende Acker (Terra em Chamas) e o belo Phantom (Fantasma). Mal sabia ele o passo gigantesco que havia dado com seu filme proibido, e como nós, quase 100 anos depois, admirariamos a obra.

Mesmo que outras obras alemãs já tivessem congelado a espinha de seus espectadores, além de outras obras européias, nada como Nosferatu ainda havia sido feito. Em primeiro lugar, Murnau insistiu em filmagens externas (ao contrário de quase todos os filmes do gênero, que eram filmados em estúdios, com pinturas trêmulas), mas incrementadas com quadros de câmera não convencionais e personagens com expressão dramática, o que passa ao espectador a sensação de que os pesadelos das pinturas não estão nas fantasias góticas e sim no próprio mundo real. Além disso, tais cenários evocam a desolação e  o medo do desconhecido: florestas amplas (com o genial truque de colocar filmes de rolos nos galhos para dar uma aparência mais sinistra), castelos e ruínas, aldeias longínquas e os escuros cômodos do castelo de Drácula, onde a parte inicial da trama se desenrola.

Mas nada é mais impactante no visual quanto o próprio Drácula, interpretado pelo ótimo Max Schreck (que, pasmem, seu sobrenome em alemão significa “medo” e era realmente o sobrenome verdadeiro dele!). A caracterização do personagem é fenomenal e torna a obra ainda mais impactante: o vampiro é um ser esquelético, careca, suas orelhas pontudas, com dentes pontiagudos semelhantes a um roedor,que associados aos olhos profundos de Schreck tornam o vampiro ainda mais repulviso. Considero o Nosferatu um ícone tão grandioso quando a caracterização do monstro de Frankenstein por Boris Karloff. Aliás, essa é a representação original por Sotker: o vampiro é repulsivo, grotesco, traiçoeiro, em outras palavras, o não-humano.

Se a atuação de Schreck é um caso a parte, o mesmo não podemos dizer de Gustav von Waggenheim, que interpreta Hutter (que corresponde ao Jonathan Harker de Drácula). O ator era muito exagerado (mesmo para os padrões teatrais da época) e em algumas vezes que contracena com Schreck passa os únicos momentos no qual um risco de artificialidade pode ferir o filme…  Os outros atores são competentes e carregam com Schreck o dever de tornar o pesadelo incrivelmente real, com destaque para a ótima Greta Schroder (Ellen Hutter) que junto a Schreck imortalizou maravilhosas cenas.

O roteiro é similar ao livro, porém com algumas diferenças: Hutter atravessa os Montes Cárpatos em direção ao castelo do conde Graf Orlock para fechar o contrato de compra de uma propriedade (próxima a residência de Hutter). Porém, Orlock é um vampiro, e espalha o horror enquanto se dirige à nova propriedade (além de ter tornado a estadia de Hutter no castelo em um verdadeiro pesadelo). Lá, se apaixona pela esposa de Hutter e tem o final que todos nós sabemos. A cena de sua morte é igualmente clássica e dá o tom de dramaticidade à história.

Neste filme podemos perceber o pesar da eterna existência e toda uma narrativa dramática sobre o que é o ser humano. Além disso, a associação do  vampiro à peste é fenomenal. Cenas memoráveis do vampiro aos ratos intensificam ainda mais o quão o monstro é repulsivo. Porém, mesmo com toda a aversão causada pelo monstro, vemos ainda que ele sofre com sua maldição. Sua solidão, sua angustiante existência e sua ilusão em busca do amor culminam em sua extinção. Era isso o povo alemão na época: uma junção de devaneios, a consciência de algo que não poderiam obter, o sentimento lúgubre em seu presente…. E Murnau passa brilhantemente esta imagem através de um dos maiores filmes da história!

A equipe é competente e seu trabalho conjunto torna o filme maravilhosamente sincronizado e narrado de agradável forma cadenciada. Infelizmente não puderam presenciar todo o impacto que a obra causaria caso pudesse ter sido tranquilamente exibida. Nosferatu é um filme que já foi homenageado diversas vezes no cinema e ganhou um remake e um filme fictício sobre seu processo de gravação:

Nosferatu, o Vampiro da Noite: O experiente Werner Herzog filmou este maravilhoso remake na década de 70, porém com algumas liberdades em relação à obra de Murnau. O resultado é excelente, com uma ambientação assustadora, excelentes atuações de Bruno Ganz, Issabelle Adjiani e do excêntrico Klaus Kinski, que nos faz as vezes pensar de sua atuação não desbancou a de Schreck. É um filme extremamente recomendado.

A Sombra do Vampiro:  Esse filme dirigido por E. Elias Merhige é ao mesmo tempo uma homenagem e uma ficção em torno das gravações da obra original. Nosferatu agora é interpretado por Willem Dafoe, que apesar de manter uma excelente atuação, perde se comparado à Schreck e Kinski. O diretor F.W Murnau foi interpretado pelo ótimo John Malkovich,e mesmo que o filme tenha pontos interessantes em sua história, erra feio ao retratar Murnau de forma hipócrita. É um filme interessante, principalmente na recriação de cenas do original, mas não chega ao brilhantismo que a obra original mereceria.

Além destes dois filmes, devemos citar também o hilário A Dança dos Vampiros , de Roman Polanski, que traz várias referências ao filme original, e Nosferatu em Venezia, também com Klaus Kinski que, apesar de ser um filme que não chega nem aos pés de O Vampiro da Noite, é uma sequência e merece ser visto.

Enfim, poderia me alongar mais ao falar sobre este filme, mas acho que não são necessárias milhares de palavras para mostrar o quão importante a obra é. Murnau foi um dos maiores diretores da história e este filme só mostra como o cinema é uma forma versátil em representar emoções, pensamentos e sentimentos. Nosferatu é um ícone da arte, um filme que nem mesmo o destino com seu desenrolar consegui destruir. E quem agradece somos nós, que podemos nos deleitar com um dos ápices da sétima arte e da representação drámatica.

Nota: 10,0

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Elenco:

Max Schreck,

Alexander Granach,

Greta Schroder-Matray,

Gustav von Waggenheim,

G. H. Schnell,

Ruth Landshoff

Fotografia: Fritz Arno Wagner e Gunther Krampf

Figurino e Direção de Arte: Albin Grau

Produção: Enrico Dieckmann; Albin Grau

Roteiro: Henrik Galeen

Direção: F.W Murnau

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O filme inteiro disponível pelo YouTube


Drácula de 1931 – Um clássico eterno

Nesta noite (quente) de Domingo inicio as atividades deste blog. Aqui vocês encontrarão uma mistura de posts sobre cinema, música, história, jogos, etc, etc, . E para inaugurar este blog, resolvi falar sobre um filme seminal na História do Cinema: Drácula.

Realizado no ano de 1931, este filme foi uma verdadeira obra de arte e um dos marcos do cinema, ao introduzir de fato o gênero “terror” no cinema americano.  Obras anteriores  já haviam sido realizadas, como os fantásticos  “O Fantasma da Opera” (1925) e “O Corcunda de Notre Dame” (1923), com o igualmente fantástico Lon Chaney. Porém, foi a partir deste filme que o gênero realmente decolou nos EUA, talvez principalmente pelo fato de a película ter salvo a Universal, num período pós-crise de 1929 em que diversos estúdios fecharam. A história do filme se diferenciava muito da do livro,  pois teve como base a peça teatral da Broadway, no qual o ator Bela Lugosi já interpretava o personagem. Este ator húngaro teve Drácula, segundo a palavra do próprio, como “uma benção e uma maldição”, pois após este filme, Bela ficou conhecido como mais um ator de um papel só, sendo sua imagem eternamente associada ao vampiro. Obviamente Bela era um bom ator, e realizou trabalhos tão memoráveis quanto este, porém teve o infortúnio de ficar associado ao vampirão.

A direção do longa fica a caro de Tod Browning, diretor experiente do cinema mudo e que aqui realizava uma de suas primeiras incursões do cinema falado.  O estilo estático de câmera (que era incomum se levarmos em conta que o “homem da câmera” era o grande Farl Freund) e a falta de uma trilha sonora são consequência da recente transição do cinema e as origens teatrais da produção. O clima muitas vezes tétrico, o suspense das cenas, a trama misteriosa envolvendo um vampiro e diversos elementos visuais foram marcantes e inovadores para o assustado público pós-crise e garantiram o sucesso da obra. Após isso, a Universal entrou na sua “Era de Ouro” e passou a produzir vários outros filmes de terror, numa época saudosa…

Drácula é um excelente trabalho, um filme que marca pelo seu clima estranho e sua bela arte. Peço desculpas por não lhes trazer um post significativo para este filme (que na verdade merece um site inteiro p ele, rsrsr), mas prometo aprofundar-me futuramente em sua análise. É isso, espero que curtam este espaço, e promero que me empenharei em trazer a vocês bons artigos!

Até mais!

Nota: 9,5

The Cast