Comédia

Alice no País das Maravilhas (2010) – Um tropeço no meio do caminho

Um dos filmes mais esperados desse ano, Alice arrebentou nas bilheterias de todo o mundo. O diretor desta obra foi o conhecido e experimental Tim Burton, realizador de clássicos como Edward Mãos de Tesoura. Sua maior característica é sua excentricidade com os filmes, sempre enchendo as obras de temas e referências um tanto curiosas. Em Alice, uma história um tanto imaginativa e repleta de personagens únicos, isso seria um balde cheio para um cara como Burton. Daí eu pergunto por que o resultado final foi de certa forma “abaixo do esperado”.

Alerto que Alice é um filme com alguns bons momentos. Tem momentos bastante divertidos e é uma interessante experiência assisti-lo em 3D. O problema é que a sensação que temos é de que Burton juntou 2 média metragens: o filme se perde demais após sua metade. Bom, vamos por partes: em primeiro lugar, a Disney entregou o projeto para Burton com alguma coisa já realizada. Este então finalizou o que a Disney já havia esboçado. Talvez o motivo para uma obra de certa forma inconstante.

O roteiro conta a história de Alice (Mia Wasikowska) já adolescente, com 17 anos. Pois bem, ela está prestes a ter sua mão pedida em casamento por um burguesinho chato, em uma festa em que seus familiares estão presentes. Ela está confusa por isso, além de ter sonhos com o “país das maravilhas” todos os dias, desde a infância. Confusa, ela sai da festa e segue o Coelho Branco até uma arvóre, onde ela cai em um buraco e vai parar no mundo fantasioso. Lá, ela encontra com as criaturas do mundo de fantasia e descobre que o coelho a atraiu para salva-los da Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter).  Ela é apresentada ao Chapeleiro Maluco (Johnny Depp), Chesire (dublado por Stephen Fry) e outros personagens e então sabendo por que está ali começa a fugir dos soldados da Rainha Vermelha que a perseguem. O que acontece de fato é que ela já esteve lá com 7 anos, porém não se lembrava.

Pois bem, apesar do belo visual e um bom cast, o que temos aqui é incrivelmente inconstante. Burton seguiu bem a idéia da história de Alice nos primeiros 30 minutos, mostrando sua interação com as criaturas que vivem em Wonderland, sua ousadia, sua desconfiança e alguns diálogos engraçados. Porém, após isso o que temos é uma série de perseguições, personagens que deveriam ser engraçados não sendo, mais perseguições, efeitos esplendorosos, perseguições, etc. Além disso, agora Alice está lá para vestir uma armadura (!), empunhar uma espada sagrada (!!!!!!) e matar um dragão gigante (!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!), para salvar seus amigos e acabar com o reinado da Rainha Vermelha.

Sinceramente foi um susto ver o Chapeleiro Maluco não maluco, e sim quase “romântico” neste filme. Também não entendi absolutamente como Anne Hathaway deixou a Rainha Branca um verdadeiro saco. Deu vontade de ver a Rainha Vermelha dando “um sacode” nela, heheheh. Além de os outros personagens clássicos (com exceção de Chesire) terem tido pouco espaço e Tim Burton ter deixado de lado suas clássicas características. Sinceramente nunca fui fã de Alice, mas consegui identificar tais diferenças berrantes mesmo assim. Então gostaria que você, se for fã, deixasse aqui também coisas inevitáveis que foram deixadas de lado. Sobre a produção, deixo registrado que é impecável, com belos efeitos e um som de primeira.

Mesmo não sendo um filme ruim, é meio assombroso ver que Tim Burton, pegando uma história que originalmente já era bizarra e cheia de simbolismos, tenha tomado um direcionamento tão estranho. Pois, quem assumiu a cadeira foi o mesmo que criou o estranho e agradável A Noiva Cadáver e o cult Edward Mãos de Tesoura. E aqui desperdiçou uma grande chance de retratar como só ele sabe um dos mais clássicos e curiosos contos infantis.

Nota: 6,0

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País de Produção: Estado Unidos

Ano de Lançamento: 2010

Estúdio: Disney

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Elenco:

Mia Wasikowska (Alice)

Johnny Depp (Chapeleiro Maluco)

Helena Bonham Carter (Rainha Vermelha)

Anne Hathaway (Rainha Branca)

Crispin Glover (Stayne)

Michael Sheen (Coelho Branco)

Alan Rickman (Lagarta Azul)

Edição: Chris Lebenzon

Música: Danny Elfman

Cinematografia: Darius Wolski

Direção de Arte: Tim Browning

Produção: Joe Roth, Suzanne Todd e Richard D. Zanuck

Roteiro: Linda Woolverton, baseado na história de Lewis Carroll

Direção: Tim Burton

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Trailer Original

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