Suspense/ Thriller

Jogos Mortais 7 – O Final (Saw 3D – 2010) – Após as preliminares, um coito interrompido…

ATENÇÃO:  Nesta crítica, farei referências a acontecimentos de filmes anteriores da franquia.  Não será nada tão revelador, mas não me xingue depois, já estou deixando avisado.

ATENÇÃO 2: Não irei revelar pontos muito importantes deste filme nessa crítica, para preservar as surpresas do filme. O único parágrafo que poderá sinalizar algum ponto importante estará destacado, ok?

Parece que foi ontem quando um filme de baixo orçamento se destacou nos cinemas de todo o mundo, devido à sua tensão e incrivelmente surpreendente final. Este filme em questão, Jogos Mortais, gerou uma franquia que seguiu religiosamente a tradição de um novo capítulo em curto espaço de tempo, e por isso não é surpreendente que a fórmula tenha se desgastado tanto. Mesmo assim, tivemos no geral filmes acima da média, e sempre finais que tentavam manter a surpresa geral. O objeto desse artigo é supostamente um final para a série (duvido…), e sua produção foi carregada de especulações, promessas dos produtores, revelações surpreendentes, etc, etc, etc. Devo ser sincero em dizer que estava muito entusiasmado, porque Jogos Mortais 6 conseguiu resgatar a qualidade da série, numa trama rica e um final bastante surpreendente. E quando fui ver o “último” capítulo, caí de cara no asfalto…

Bobby Dagen (Sean Patrick Flanery) é um cara que supostamente escapou de um dos jogos de Jigsaw e agora fatura com entrevistas e seu recém-lançado livro. Mas tudo não passa de uma farsa, e ele será o jogador principal deste filme, onde terá de salvar os membros de sua equipe e sua esposa Joyce (Gina Holden). Enquanto isso, acompanhamos Hoffman (Costas Mandylor) planejando se vingar de Jill (Betsy Russell), que tentou matá-lo no filme anterior. Esta então busca ajuda da polícia, denunciando Hoffman como o autor dos novos jogos e pedindo proteção, concedida pelo policial Gibson (Chad Donella). Mas como você já pode desconfiar, novos elementos aparecerão, enquanto rola o jogo de Bobby e blá, blá, blá. Além disso, Jisgsaw (Tobin Bell) ainda estará presente em alguns flashbacks (mesmo que numa menor quantidade, se comparado aos outros filmes), e personagens dos outros filmes aparecerão.

O que chama mais atenção no filme é o visível desgaste da fórmula. Se em outros filmes ainda tentava se camuflar isso, aqui parece que os produtores ficaram de saco cheio e resolveram chutar o balde. Eu diria que este filme sofre da “síndrome do Jogos Mortais 5”: o jogo se mostra praticamente desnecessário, pouco interfere na trama de Hoffman e é extremamente mal inspirado. De fato, a prioridade aqui parece ter sido apenas o uso do 3D: as armadilhas na maior parte das vezes parecem ter sido criadas apenas para aproveitar o efeito.  O choque provavelmente se tornou maior pelo fato de a 6ª parte da franquia ter sido um considerável acerto, quando tudo parecia estar perdido.  Mas, o resultado final ficou muito além do jogo bem elaborado, da trama rica e do final surpreendente do filme anterior. Sem contar que também tem os aleatórios “jogos paralelos” , cujo um deles (com a curiosa participação do vocalista do Linkin Park, Chester Bennington) tem, pasmem, uma maior relevância na trama do que o jogo principal.

ATENÇÃO: Este parágrafo não possui spoiler, mas pode entregar alguns pontos essenciais da trama. Selecione o texto se quiser ler. Mas a maior decepção do filme é o seu final. Quem acompanhou a produção do filme irá matar de cara o que acontece no final. Quer dizer, até mesmo quem jamais viu um filme da série pode decifrar isso. Por que? Porque os produtores parecem realmente ter chutado o balde e dão diversas evidências do que acontecerá no final durante o decorrer do filme.  Se não bastasse isso, os roteiristas resolveram complicar ainda mais a cronologia da série, e além de não remediarem alguns furos deixados nos filmes anteriores, ainda criam novos nesta sequência.

Enfim, eu acho que o título do artigo não poderia ser mais apropriado. O motivo? Os filmes, mesmo com a perda de qualidade a cada ano, nos presentearam com uma divertida franquia, numa época em que produções do gênero definham em filmes porcos e sem criatividade. E, quando revelam um “final” para a série, onde prometem várias surpresas e um filme com maior metragem da série, jogam essa bomba homérica, que transtorna qualquer fã de verdade da série. Bom, se você espera um filme que resgate a qualidade dos primeiros e a surpresa do 6º,  então lhe digo que você provavelmente se decepcionará. Agora, se você gostou de todos (até mesmo do 5º filme “caça níqueis”), talvez curta esse também. Mas em qualquer um dos casos, tenha certeza que não terá surpresas e que a série provavelmente não será sepultada ainda…

Nota: 5,0

—————————————————————

Trailer

Anúncios

Atividade Paranormal (2007) – A maior surpresa é ver que não é tudo o que falam

Ok, com este título para o artigo você já pode achar que eu considero esse filme ruim. Na verdade não. Quando eu afirmei que a “maior surpresa é ver que não é tudo o que falam” me refiro à inocência que tive em realmente ter acreditado que o filme tinha algo de novo, levado pelo que as pessoas que o viram me falaram, pois eu sinceramente achei que o público seria incapaz de se surpreender com algo convencional após tantos anos de exposição com os mais variados tipos de filme… me enganei. Enfim, Atividade Paranormal é um filme mediano que foi tratado como algo genial.

Sinceramente fico pensando: “Por que não explorar melhor produções de baixo orçamento e disponibilizar-las através de algum espaço no circuito?”. Já foi provado que Hollywood na verdade gosta de tais obras de orçamento baixíssimo, e até mesmo de suas idéias experimentais. O engraçado é que apenas uma  ou outra obra destas aparecem do nada, fazem um estrondoso sucesso e outros diretores que amarguram o anonimato com obras melhores não conseguem destaque. Obviamente, Oren Peli contou com a sorte, devido ao seu filme ter chamado a atenção de executivos da Paramount em sua exibição em um festival. Mas isso não tira o fato de outras obras até mesmo mais consistentes terem sua divulgação um tanto dificultada.

Vamos ao filme. [ATENÇÃO: Spoilers neste parágrafo] Como todos já sabem, ele segue aquele estilo “filme real”, tipo A Bruxa de Blair e [REC], também conhecido como “Mockumentary”.  Ele inicia com a gravação de uma câmera comprada por Micah (Micah Sloat), andando pela casa e filmando tudo que pode, junto de sua namorada Katie (Katie Featherston). Pois bem, o motivo da filmagem integral é a tentativa de flagrar supostas atividades paranormais que estão ocorrendo na casa. Durante a noite, Micah coloca a câmera no quarto para analisar no dia seguinte qualquer evento paranormal presente nas imagens. A cada noite eventos estranhos, como sons de passos e portas se mexendo sozinhas ocorrem e numa escala gradativa. Apesar de buscar ajuda até mesmo espiritual, os eventos aumentam e Micah descobre que Katie é perseguida por um demônio desde a infância. A partir daí, a rotina na casa fica cada vez mais pesada.

A simplicidade do filme é bem usada e os dois atores conseguem segurar bem a trama. As revelações ocorrem num ritmo bastante arrastado e a ambientação dos eventos é bastante realista. Como ponto fraco eu cito a insistência do personagem de Micah em soltar piadinhas em momentos tensos. Tanta coisa para copiar dos filmes blockbuster, o diretor Oren foi copiar justamente este irritante estilo “cara legal, piadas imbecis”. Algumas cenas são muito bem produzidas e destaco como a mais marcante a cena em que Katie é arrastada para fora da cama.

O filme possui três finais. Como eu vi no DVD nacional, que contém o final utilizado no cinema e o final original, devo confessar que o final original é infinitamente superior à versão do cinema. O final utilizado no cinema é um tanto desnecessário (desnecessário para uma boa trama, mas muito conveniente para os produtores deixarem o gancho para a seqüência já anunciada para este ano) e destoa completamente do filme inteiro, gerando um resultado que, ironicamente, é o único momento que deve ter custado alguma grana e é justamente o mais artifical! O final original é muito melhor, mas inconveniente para os papa-cifras já que não deixa gancho algum.

Enfim, Atividade Paranormal não é um filme ruim, obviamente. Eu diria que ele ganha de lavada de A Bruxa de Blair, porém perde de lavada para [REC], em termos de comparação. Vale mais como exemplo de que se pode alcançar bons resultados com pouco dinheiro do que ser de fato algum novo clássico do terror. Alugue, divirta-se (ou talvez até se assuste), mas não espere algum divisor de águas.

Nota: 6,5

—————–

País de Produção: Estados Unidos

Ano de Produção: 2007

Estúdio: Oren Peli Productions

Distribuição: Paramount Pictures

————————–

Elenco:

Katie Fatherston (Katie)

Micah Sloat (Micah)

Mark Fredrichs

Amber Armstrong

Produção: Jason Blum e Oren Peli

Edição, Roteiro e Direção: Oren Peli

——————————

Trailer Original


[REC] (2007) – Uma obra prima do cinema espanhol.

 

Uma experiência única.

 

Um dos maiores prazeres que há, para um fã de terror, é assistir uma nova obra fundamental sobre o gênero. Existem idéias que se reciclam no cinema sem conseguir determinado destaque, enquanto outros formatos de cara ganham seu reconhecimento. Me lembro que no ano de 1999 uma obra de baixo orçamento e com uma idéia supostamente inédita explodiu nos cinemas. O filme em questão é A Bruxa de Blair. O filme causou um verdadeiro alvoroço. A propaganda do filme foi certeira, sugerindo que aquela obra de fato fosse o resultado de fitas encontradas em uma floresta, após 3 jovens terem ido gravar um documentário e nunca mais terem retornado. Eu , ainda criança, pensei:- caralho,deve dar muito medo! Perguntei para alguns amigos que viram o filme e estes me disseram: – cara, dá muito medo! Um amigo meu não conseguiu dormir durante 1 semana! Então, quando eu vi de fato o filme, pensei: – Dos dois um: ou eu não entendi esse filme ou meus amigos odiaram também e quiseram me enganar!

Anos depois, vi novamente, temendo que naquela época eu fosse pirralho demais para entender o filme (eu tinha 12 anos). De fato o filme não era tão “absurdamente ruim”. Era ruim. Quadros de câmera sem lógica para quem estaria num momento de distração, diálogos muito “bem cuidados” em momentos que os jovens estavam frustrados, momentos non-sense, momentos que dariam um bom clima de suspense e não foram aproveitados, etc, etc, etc. Além disso, qualquer bom fã de terror sabe que o conceito usado em A Bruxa já havia sido muitas vezes realizado, tendo inicio (provavelmente, apesar de eu ainda ter minhas dúvidas) no clássico Cannibal Holocaust. Bom, esta introdução toda tem a finalidade de mostrar que idéias podem ser desprezadas pelo simples fato de não terem sido exploradas. Mesmo que depois de A Bruxa outros filmes com a idéia de “gravar o terror” tenham surgido, nenhum foi tão primoroso como esta obra espanhola, [REC].

Se nos filmes anteriores nós víamos pessoas até um tanto “moderadas” em situações de pavor, aqui nós temos a reação que qualquer um de nós teria: gritar, dar socos, correr em escadas e tropeçar, falar palavrões…. Para aumentar o sentimento de caos do filme, os atores mal foram informados sobre o roteiro: Os diretores passaram “aos poucos” as informações sobre a trama, aumentando ainda mais a surpresa dos atores em diversas cenas. Com a tensão à flor da pele na maior parte do filme, ainda somos brindados com zumbis vorazes aparecendo do nada, perseguindo os “infelizes” na subida de uma escada mal iluminada e os personagens brigando entre si, devido ao inferno que enfrentam. Enfim, o cinema espanhol conseguiu trazer verdadeiramente o pavor ao espectador, coisa que o cinema americano vem tentando há muito tempo e não conseguiu.

[ATENÇÃO: Spoilers no próximo parágrafo] Vamos a história: O filme se passa através da gravação que a repórter Angela Vidal (Manuela Velasco) e seu cameraman Pablo (a gravação foi realizada pelo cameraman do filme Pablo Rosso, mas a voz é do ator Pep Sais) realizam para um programa chamado “Enquanto Você Dorme”. Eles seguem até um quartel do Corpo de Bombeiros de Barcelona para mostrar a atividade dos profissionais durante a madrugada. Eles são recebidos pelos bombeiros Manu (Ferran Terraza) e Alex (David Vert), que lhes apresentam o quartel e explicam mais ou menos o que “fazem” durante a madrugada. De repente há um chamado e os bombeiros seguem para o local da ocorrência, acompanhados pela equipe de TV. Ao chegar em um edifico pra lá de caído, Angela passa a narrar tudo o que acontece e pede que Pablo grave tudo. Dois policiais estão no local, Sergio (Jorge Serrano) e um outro policial que nem me lembro se tem o nome dito (Vicente Gil), além dos moradores apavorados com a situação. Os moradores chamaram os bombeiros porque uma senhora que mora no prédio (Maria Lanau)do maluca. Os policiais e os bombeiros vão até o apartamento averiguar o ocorrido (sendo seguidos pela equipe de TV, claro). No apartamento escuro, o espectador se situa em um grande momento de suspense, onde a velha está parada e os policiais tentam alguma comunicação. A velha do nada corre em direção aos homens e dilacera o pescoço de um dos policiais com os dentes. Sergio atira nela e a equipe volta para o saguão trazendo o homem ferido. Ao chegarem no saguão, são informados por uma equipe militar, do lado de fora do prédio,que o edifício foi isolado a pedido das autoridades sanitárias. A partir daí o inferno se instala no prédio. A câmera segue captando tudo com pouquíssimos cortes, o que confere ainda mais realismo ao filme. Como se não bastasse os momentos de pavor devido ao desconhecido, as pessoas passam a discutir freneticamente, inclusive com o policial Sergio chegando a apontar a arma para os bombeiros e a equipe de TV. Angela não obedece a ordem de parar de cobrir o acontecimento e por várias vezes confronta o policial e até mesmo os bombeiros Alex e Manu. Para o caos completo, bastam apenas alguns instantes, quando o primeiro infectado finalmente vira um zumbi.

[REC] é uma obra absolutamente forte. O nível de realismo é absurdo, sinceramente o filme tem a capacidade de trazer o espectador para o inferno que a trama é. Os atores se mantém em um clima de pavor absoluto e dão mais credibilidade por serem desconhecidos do público. Os diretores usaram muito bem o clima decadente do edifício (que na vida real é um prédio abandonado) e gravaram muitas cenas claustrofóbicas. O maior acerto, na minha opinião, é o nível de tensão ir aumentando gradativamente, enquanto dados sobre o que está acontecendo vão sendo coletados (apesar de tudo ficar muito solto, sem muita explicação). E obviamente o filme ter pouquíssimos cortes, o que dá maior ilusão de credibilidade. O som foi bem cuidado (o filme, por motivos óbvios, não possui trilha sonora),e usado de forma certeira nos momentos de suspense.

Os zumbis não tem nada a ver com os zumbizões de Romero: podemos dizer que são próximos dos vampiros de 30 Dias de Noite, na forma de atacar. A fonte da infecção é mostrada no filme e é um dos momentos mais mórbidos que eu já vi nos filmes de terror. Não irei dar detalhes desta cena, pois, se você ainda não viu o filme, saber como ela é tirará todo o impacto da cena. E mesmo que a função do filme seja assustar pelo seu ritmo, a maquiagem também foi muito bem cuidada, com ferimentos expostos sem muito exagero e zumbis parecendo loucos carnívoros.

Eu sinceramente até me atrapalho em elogiar a obra: mais surpreendente do que o filme ser tão bom nos tempos de hoje é o fato de ele surpreender absurdamente num formato que muitos não davam valor. A Espanha virou um celeiro de ótimos filmes do cinema fantástico (vide O Orfanato e o excepcional O Labirinto do Fauno), e [REC] é a prova mor de como ainda é possível dar novas guinadas no cinema reciclando idéias. Eu ainda não vi [REC2], pois eu havia baixado e meu HD foi pro espaço antes de eu dar uma conferidaL . Bem, após isso decidi que irei ver a seqüência quando estrear no cinema, para ser “vítima” do impacto, rsrsrs. Sei que a seqüência decepcionou muita gente e que o roteiro mostra que viajaram muito, mas mesmo assim acho que vale a pena assistir a seqüência de um filme que mostrou a essência há muito perdida dos filmes de terror: assustar.

Nota: 10,0

OBS: O filme foi “adaptado” pelo cinema americano e gerou o filme Quarentena. O americano copiou até mesmo as cenas de [REC] e, mesmo que tenham copiado algo bom, o resultado é bastante insatisfatório. Além dos atores “carinha de elenco da Malhação”, o filme maquia muitos elementos que poderiam dar realismo à obra e ainda por cima os atores mantém o erro da atuação moderada em vários pontos. Recomendo que assista antes [REC], pois além de garantir o impacto de uma primeira vista, pode ser que você perca o entusiasmo de conferir a obra se usar como parâmetro de comparação o “filhote” americano.

——————————-

Ano de Produção: 2007

Ano de Lançamento: 2007

Distribuição: Filmax

——————————–

Elenco:

Manuela Velasco (Angela Vidal)

Ferran Terraza (Manu)

Pablo Rosso (Pablo)

David Vert (Alex)

Carlos Vicente (Guillem)

Vicente Gil (Policial)

Sergio (Jorge Serrano)

Martha Carbonell (Sra. Izquierdo)

Maria Teresa Ortega (Abuela)

Manuel Bronchud (Abuelo)

Akemi Goto (Japonesa)

Chen Min Kao (Japonês)

Maria Lanau (Madre Histérica)

Claudia Silva (Jennifer)

Carlos Lasarte (César)

Edição: David Gallart

Cinematografia: Pablo Rosso

Efeitos Visuais: Alex Villagrassa

Produção: Julio Fernandéz

Roteiro: Jaume Balagueró, Luis Berdejo e Paco Plaza

Direção: Jaume Balagueró e Luis Berdejo

—————————

Trailer legendado em português


Ressurreição – Retalhos de um Crime : Boa opção para fãs de thrillers.

Não sei se é grande a quantidade de pessoas que tem esse costume, mas eu muitas vezes compro filmes que nunca vi, quando estão baratos. Acho mais vantajoso do que alugar por 3 ou 4 reais comprar um filme por 7 ou até 10, pois se você gosta de um filme alugado  depois irá gastar um dinheiro para comprar a obra. Neste blog vocês verão muitos posts sobre filmes que para mim foram desta forma, “um tiro no escuro”, e muitas vezes revelarei verdadeiras bombas cinematográficas, mas ocorrem também as surpresas, como este Ressurreição, filme feito para a TV americana no ano de 1999.

Este filme tem como protagonista Christopher Lambert,que é um ator meio canastrão pro meu gosto, mas tem filmes no qual ele consegue uma boa atuação. Dirigido por Russell Mulcahy (mesmo diretor de Highlander, maior êxito de Lambert), numa época em que thrillers estavam rareando os cinemas, fez os críticos relembrarem de Seven (Se7en, de 1995), mega sucesso do gênero. E, como a história é parecida, foi comparado a este, o que na verdade prejudicou bastante o filme, já que tinha um menor orçamento, sem astros de peso e obviamente sem propaganda massiva. Infelizmente, como conseqüência disto, foi tratado como “cópia de Seven”. Afirmar isso é uma daquelas ingenuidades que de tão extremas chegam a dar raiva, como se Seven tivesse inaugurado um estilo de fato. Seven é excelente, mas bebeu das fontes de filmes antigos, como, por exemplo, Jennifer 8 – A Próxima Vítima (com o bom Andy Garcia) e até mesmo de séries de suspense dos anos 60. Bem, estou me desviando de novo do post, hehe. Voltemos ao filme.

[ATENÇÃO: Spoilers neste parágrafo] A história é a seguinte: o detetive John Prudhomme (Lambert) e seu parceiro Andrew Hollinsworth (Leland Orser, que vejam só, também esteve presente em Seven) passam a investigar assassinatos no qual partes dos corpos das vítimas são levados. O amargurado Prudhomme então chega a conclusão de que o assassino é motivado por razões religiosas, e escolhe suas vítimas de acordo com a Bíblia. Ao concluir o intervalo de tempo no qual o assassino age, os dois policiais saem em busca do asssassino, e no momento em que conseguem confronta-lo, o assassino torna o detetive Hollinsworth em sua próxima vítima. Com o desenrolar da trama, Prudhomme conclui que …. Bem, mesmo que eu tenha colocado o aviso de spoiler no começo do parágrafo, sei que muita gente que não viu o filme mesmo assim vai ler isto, e os pontos altos da obra são as reviravoltas do roteiro, então prefiro não revelar maiores detalhes da trama.

Co-escrito pelo próprio Lambert,  o roteiro é bem trabalhado e mantém o suspense da história em medidas certeiras. Seu ponto fraco é sofrer do mal de “personagem vidente”: em determinados momentos, Prudhomme parece tirar as conclusões “do ar”, e isso fere demais a obra. Com isso posto de lado, temos um roteiro bom, que não tem uma surpresa em seu final, mas muitas durante seu decorrer. A fotografia tem a intenção de tornar o filme ora nítido, ora sombrio. Isso funciona bem na maioria das vezes. O som é bem trabalhado e traz todo um clima de suspense para a obra.

Mesmo com algumas limitações, o filme nos traz para um clima nervoso, onde os personagens interagem com o caos de um assassino que eles sabem quando vai agir de novo, mas não conseguem capturar. Mulcahy tentou também mexer um pouco com o psicológico do espectador, com ângulos não convencionais mostrando cenas de ação e cenas no qual os personagens estão em conflito psicológico intenso. E claro, não posso deixar de mencionar as cenas violentas, que, mesmo não desbancando para uma linha tão explícita, expressam bem o horror e a insanidade do assassino.

Este é mais um daqueles filmes injustiçados por uma crítica formada na maior parte das vezes por “burocratas” vestidos de cineastas e que estão a serviço de grandes estúdios que lançam porcarias sem limites. Ressurreição não é aquele filme que irá se tornar um clássico para você, até mesmo porque está claramente não é a intenção da produção. Mas, caso você encontre este filme (pelo menos no Rio de Janeiro facilmente é possível encontrar-lo por menos de 10 reais) e esteja com uma graninha sobrando, aproveite a oportunidade de prestigiar um bom trabalho que não precisou de orçamento gigantesco e um cast formidável para transpor ao espectador um bom clima de suspense e inquietação na medida certa. Obviamente pode surgir na sua memória Seven, ou até mesmo Jogos Mortais, mas o filme tem a sua identidade. Indicado!

Nota: 7,5

——————–

Ano de Produção: 1999

País: Estados Unidos

Estúdio: Interlight

—————————-

Elenco:

Christopher Lambert (John Prudhomme)

Leland Orser (Andrew Hollinsworth)

Robert Joy (Gerald Demus)

Barbara Tyson (Sara Prudhomme)

Rick Fox (Scholfield)

David Cronnenberg (Father Rousell)

Roteiro: Brad Mirmam, co-escrito por Christopher Lambert

Musica: Jim McGrath

Edição: Gordon McClellan

Casting: Carmen Tetzlaff

Produção: Howard Baldwin, Pratick D. Choi e Christopher Lambert

Direção: Russell Mulcahy

——————–

Trailer Original:


Frankenstein de Mary Shelley: uma boa versão do clássico livro.

A maior parte dos filmes que abordam a obra-prima de Mary Shelley não seguem a história do livro com exatidão. Em meio a tantas versões (Frankenstein só perde em quantidade de adaptações cinematográficas para Drácula) é complicado que uma nova obra sobre o tema consiga se destacar. Então, em 1994 surgiu este filme, com a proposta de ser a versão mais próxima da história do livro. Apesar de, assim como as outras, mudar muitos elementos (mesmo que em menores proporções) esta é sem dúvida uma das melhores alternativas sobre a história do Dr. Victor Frankenstein.

A história começa com a chegada do Dr. Frankenstein (Kenneth Branagh, que sinceramente é um ator ruim, mas dirigiu bem o filme) no Pólo Norte, onde é encontrado pela expedição do Capitão Robert Walton (Aidan Quinn) que o resgata. Então, o filme é seguido através da narrativa de Frankenstein sobre sua história. Frankenstein conta (de forma vaga) sua infância, quando conheceu Elizabeth (Helena Bonham Carter) ainda criança e como desenvolveu interesse por ciência. De fato, o filme se torna mais intenso com sua ida à Universidade de Ingolstadt, onde conhece o Dr. Waldman e Henry Clerval (Tom Hulce). Este é um dos pontos onde o roteiro mais desvia o enredo do livro, já que Victor e Henry se conheciam desde crianças na história original.

Bem, ao se aprofundar nos seus estudos sobre as ciências naturais e após conhecer o projeto do Dr. Waldman de reanimação da matéria, Victor decide tentar dar vida a um ser criado por si mesmo através de partes de cadáveres. Nesta busca, Victor se distancia mais de sua família e se torna mais obcecado pelo resultado final de sua experiência. Então, numa cena bem produzida sobre a criação do Monstro, Victor vê o resultado de sua obsessão: um ser demente (aparentemente), amedrontador, repulsivo. Então, Victor vai embora e abandona a criatura. Porém, de forma eficaz, o filme nos mostra como o Monstro (muito bem interpretado por Robert DeNiro) aprende a falar e sai em busca de Victor.

Um dos ápices, sem sombra de dúvidas, é a narrativa sobre o monstro. Vemos a passagem da criatura pela cidade, seu desolamento, sua esperança de compaixão na imagem de uma família e a reflexão de como esse mundo não é o seu lugar. Já o desfecho é um caso a parte: de forma muito inteligente foi usado o conceito da noiva do Monstro (que Shelley tinha, mas não chegou a publicar) e aproxima-se ainda mais da reflexão proposta pela autora sobre a semelhança criador e criatura. Obviamente, em contraponto, o roteiro tem momentos fracos e non sense, mas nada que comprometa demais.

O filme funciona bem para mostrar a história de Shelley, apesar de tomar diversas liberdades em relação ao livro. A fotografia é ótima e podemos nos deleitar com grandes e belos cenários ao longo do filme. É um daqueles filmes com clima épico, figurino arrebatador e quadros de câmera que tentam mostrar tudo. A trilha sonora também é boa, assim como os efeitos sonoros são precisos. A caracterização do Monstro pode até causar alguns estranhamentos para nós acostumados com as caracterizações de Boris Karloff e dos Frankensteins da Hammer, mas é possível perceber que a maquiagem foi muito bem feita.

Como ponto fraco da parte técnica eu cito a edição, que quebra o clima do filme com seqüências muito diferentes em seus padrões.

Assim como o livro é excelente, o filme poderá trazer alguns momentos de reflexão ao espectador. Infelizmente a obra foi massacrada pela crítica (fato que pode até ser bom sinal, já que o que a crítica elogia na maior parte das vezes é pura merda). Kenneth Branagh definitivamente é um péssimo ator (sua atuação às vezes põe o filme em risco), mas dirigiu bem o filme, que como detalhe curioso, foi co-escrito por Frank Darabont, o gênio por trás das adaptações dos livros de Stephen King À Espera de um Milagre e Um Sonho de Liberdade. Se ainda não viu Frankenstein de Mary Shelley, assim que encontrar-lo aproveite.

Nota: 8,0

——————————————

Elenco:

Robert de Niro – A criatura

Kenneth Branagh – Victor Frankenstein

Helena Bonham Carter – Elizabeth

Tom Hulce – Henry Clerval

Aidan Quinn – Capitão Walton

Ian Holm – Barão Frankenstein

Robert Hardy – Professor Krempe

John Cleese – Dr. Walderman

Richard Briers – Avô

Cherie Lunghi – Caroline Beaufort Frankenstein

Celia Imrie – Sra. Moritz

Gerard Horan – Claude

Trevyn McDowell – Justine

Roteiro: Steph Lady e Frank Darabont, baseados no livro de Mary Shelley

Edição: Andrew Marcus

Cinematografia: Roger Pratt

Música: Patrick Doyle

Produção: Francis Ford Coppola

Direção: Kenneth Branagh

———————–

Trailer Original:


A Noite das Brincadeiras Mortais – 1º de Abril de uma época que não volta….

 

Welcome to the Party...

 

No finalzinho dos anos 70 e começo dos anos 80, o sucesso de produções como Halloween e Sexta Feira 13 fez surgir uma avalanche de novos filmes do gênero assim chamado “Slasher”. Porém, mesmo que na maioria das produções deste tipo os roteiros fossem mal escritos, os atores péssimos e a produção capenga, tais obras eram divertidas, descompromissadas e davam uma boa sessão pipoca. Essa é uma época saudosa (mesmo que infelizmente eu não a tenha vivido, já que sou de 1988), em que os envolvidos se divertiam produzindo tais filmes e não havia apenas a ganância pelo dinheiro (ela existia sim, mas não tão explícita como hoje). E é desta leva este filme do ano de 1986, A Noite das Brincadeiras Mortais (April Fool’s Day).

Obviamente o roteiro não é nada primoroso. Os amigos Harvey, Nikki, Rob, Skip, Nan, Kit e Arch vão passar o fim de semana na mansão de Muffy, numa ilha. Porém, a partir daí diversos acontecimentos tornam o fim de semana um inferno, mas no final tudo não passava de uma brincadeira de Muffy. Daí você diz: o roteiro é só isso? Sim. Como eu disse, este filme é mais um “slasher”: o casal que só transa, a inocente, o metido a fodão, etc, etc, etc. Mas é divertido! A produção tosca ganha o brilho com as imbecilidades dos personagens, e se comparado à outras produções, o roteiro deste filme é brilhante, já que camufla bem o que o filme na verdade é.

A produção fica a cargo de Frank Mancuso Jr. e Sean Cunningham (o mercenário que conseguiu destruir sua criação, Jason) e a equipe técnica tem vários nomes que já apareceram em algum Sexta Feira 13. Óbvio, esse filme é da Paramount, que na época explorou exaustivamente o formato! Vale lembrar ainda a participação especial de Amy Stell, a Ginny de Sexta Feira 13 – Parte 2!

Enfim, vai aqui minha indicação de um filme bobo, descompromissado, mal produzido, mas que diverte, causa risos e lhe faz remeter à saudosa época em que o cinema ainda não era algo 99% capitalizado.

Nota: 6,0

————————-

Elenco:

Jay Baker como Edison Harvey, Jr.

Deborah Foreman como Muffy St. John /Buffy

Deborah Goodrich como Nikki Brashares

Ken Olandt como Rob Ferris

Griffin O’Neal como Skip St. John

Leah Pinsent como Youngblood Nan

Clayton Rohner como Chaz Vyshinski

Amy Steel como Graham Kit

Thomas F. Wilson como Arch Cummings

Produção: Frank Mancuso Jr.,  Sean Cunningham

Roteiro: Danilo Bach

Música: Charles Bernstein

Edição: Bruce Green

Direção: Fred Walton

Trailer


A Órfã: um filme além das expectativas

 

Há algo de errado com Esther.

 

Todos nós sabemos que determiados tipos de filme já foram tão explorados que é quase impossível não desconfiarmos da qualidade de um lançamento com tais características. Filmes de crianças malvadas passaram a ser explorados exaustivamente após o sucesso do clássico A Profecia, e por que não, O Exorcista. Como, de fato, não há muito o que se explorar em um roteiro com esta característica principal, qualquer filme de “crianças do inferno” resulta num filme do medíocre para baixo. Felizmente existem as exeções.

A Órfã ( Orphan, 2009) é surpreendente devido a sua qualidade em relação aos  outros filmes desse tipo, e ainda ganha mais um mérito por ser um bom filme de horror numa época em que o cinema parece definhar até o âmago.O roteiro é simples: um casal que havia acabado de perder uma filha (Vera Farmiga e o razoável Peter Sarsgaard), vai até um orfanato em busca de uma criança para amenizar a dor da tragédia. Lá, eles encontram a orfã Esther (Isabelle Fuhrman, que surpreende com sua ótima atuação), e então decidem adotá-la, mesmo sabendo que ela é uma criança já um pouco madura. Eles tem outros dois filhos , Daniel (Jimmy Bennett, que já apareceu no também bom  Horror em Amityville) e a pequena Max (Aryana Engineer ), que interpreta muito bem uma menininha surda-murda.

A partir daqui acho melhor não mencionar o resto, pois além de haver o previsível tem alguns elementos que podem ser considerados como spoilers. Sobre os aspectos técnicos, merecem destaque a boa fotografia e a trilha sonora, que é moderada nos momentos certos. O diretor Jaume-Collet Serra faz um bom trabalho, apesar de pecar em insistir em momentos de susto fácil (sinceramente, quase tirei o dvd na cena do “susto” do espelho, usada aqui pela quinzentésima milionésima vez pelo cinema americano), além de merecer destaque o desenrolar denso do roteiro, que nos dá os pontos essenciais da história nos momentos certos.

A Órfã é uma feliz surpresa. O final pode ser muito surpreendente para uns e é um filme que garante bons momentos de suspense. Suas falhas são insistir em algumas coisas já absurdamente manjadas,mas esses são poucos momentos. Arriscaria dizer que esse é o melhor filme de “criança malvada” da década. As surpresas são bem vindas, e nesse caso, a garantia de uma boa noite de terror.

Nota: 8,0

———————–

Elenco:

Vera Farmiga

Peter Sarsgaard

Isabelle Fuhrman

Jimmy Bennett

Aryana Engineer

CCH Pounder

Lorry Ayers

Karel Roden

Produção: Susan Downey, Erik Olsen

Música: Kenedall Bustter

Roteiro: David Johnson, Alex Mace

Direção: Jaume Collet-Serra