Terror

Brinquedo Assassino (1988) – Lembranças de pesadelos infantis

Aí está um dos melhores exemplos de como histórias bobas e um orçamento baixo podem gerar um filme bom. Chucky ganhou espaço entre os ícones do gênero slasher e gerou uma série de filmes que infelizmente não foi muito bem aproveitada. Sem contar que muitos de nós com certeza nos sentimos pelo menos um pouco “incomodado” quando assistiu algum filme da série ainda criança. A série Brinquedo Assassino me remete aos bons tempos em que filmes do gênero passavam com uma certa freqüência na tv aberta. Bons tempos em que o cinema americano ainda não era absurdamente hipócrita como hoje… Pois bem, vamos ao que interessa.

[ATENÇÃO: Spoilers neste parágrafo] O filme começa com o detetive Norris (Chris Sarandon) perseguindo o assassino Charles Lee Ray (Brad Dourif) pelas ruas de Chicago. Durante a perseguição, Ray é atingido por um tiro e busca esconderijo dentro de uma loja de brinquedos, após ser abandonado por seu comparda Eddie (Neil Giuntoli). Lá dentro, percebendo que está perto da morte, transfere sua alma para um boneco da linha “bonzinhos”, por intermédio de um ritual vodu. Após esse pequeno prólogo, somos apresentados à Karen (Catherine Hicks) e seu filho Andy Barclay (Alex Vincent) que é fã nos bonzinhos. Karen consegue comprar de um mendigo um boneco bonzinho e dá de presente para seu filho. Porém, o boneco (Chucky) é na verdade Charles Lee Ray aprisionado, e quando uma amiga de Karen é jogada da janela, Andy vê que Chucky na verdade é um assassino e obviamente ninguém acredita nele. Chucky precisa transferir sua alma para o corpo de uma criança, e tentará de todas as formas “possuir” o corpo de Andy.

Sim, esse filme tem vários clichês (que mesmo assim na época não eram tão acentuados como são para nós hoje) e a história é absurda. Mas as coisas aqui fluem e o filme tem suas doses de suspense nos momentos certos. Ao contrário do que uma idéia inicial possa sugerir, o filme não desbanca para o trash; o diretor Tom Holland teve vários cuidados com andamentos e cenas, além de os atores manterem-se firmes em seus papéis e a fotografia ter sido bem cuidadosa. Obviamente merece destaque também o mecanismo do boneco, que é muito bem cuidado é não fica tão artificial (na seqüência, é possível perceber que esse mecanismo é muito melhor elaborado). E se temos no filme uma  mãe e um filho inocentes e apavorados, em contraponto temos um assassino sarcástico e traiçoeiro, gerando um contraste muito bom… Chucky é muito filho da puta, hehehe.

Enfim, Brinquedo Assassino na minha opinião é mais do que um filme “que diverte”. Além de nos apresentar um ser maligno que pode usar várias estratégias para surpreender as suas vítimas, tem boas doses de suspense e em alguns momentos você pode até ficar com raiva das atitudes de Chucky. Infelizmente a série trilhou caminhos que sinceramente não funcionaram. O criador da série Don Mancini afirmou que o remake (sem previsão de produção) irá retomar os elementos originais da série. Tomara que isso se concretize, já que o velho Chucky se saía muito melhor em filmes despretensiosos e crus do que em duvidosas produções de humor negro.

Nota: 8,0

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País de Produção: Estados Unidos

Ano de Produção: 1988

Estúdio e Distribuição: United Artists

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Elenco:

Catherine Hicks (Karen Barclay)

Alex Vincent (Andy Barclay)

Chris Sarandon (Det. Norris)

Brad Dourif (Charles Lee Ray/ voz do Chucky)

Dina Mannoff (Maggie)

Tommy Swerdlor (John Santos)

Fotografia: Bill Butler

Efeitos Especiais: Richard O’Helmer e James Kagel

Edição: Roy E. Peterson e Edward Warschilka

Música: Joe Renzetti

Produção: David Kirschner

Roteiro: Don Mancini, John Lafia e Tom Holland

Direção: Tom Holland

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Trailer Original

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Atividade Paranormal (2007) – A maior surpresa é ver que não é tudo o que falam

Ok, com este título para o artigo você já pode achar que eu considero esse filme ruim. Na verdade não. Quando eu afirmei que a “maior surpresa é ver que não é tudo o que falam” me refiro à inocência que tive em realmente ter acreditado que o filme tinha algo de novo, levado pelo que as pessoas que o viram me falaram, pois eu sinceramente achei que o público seria incapaz de se surpreender com algo convencional após tantos anos de exposição com os mais variados tipos de filme… me enganei. Enfim, Atividade Paranormal é um filme mediano que foi tratado como algo genial.

Sinceramente fico pensando: “Por que não explorar melhor produções de baixo orçamento e disponibilizar-las através de algum espaço no circuito?”. Já foi provado que Hollywood na verdade gosta de tais obras de orçamento baixíssimo, e até mesmo de suas idéias experimentais. O engraçado é que apenas uma  ou outra obra destas aparecem do nada, fazem um estrondoso sucesso e outros diretores que amarguram o anonimato com obras melhores não conseguem destaque. Obviamente, Oren Peli contou com a sorte, devido ao seu filme ter chamado a atenção de executivos da Paramount em sua exibição em um festival. Mas isso não tira o fato de outras obras até mesmo mais consistentes terem sua divulgação um tanto dificultada.

Vamos ao filme. [ATENÇÃO: Spoilers neste parágrafo] Como todos já sabem, ele segue aquele estilo “filme real”, tipo A Bruxa de Blair e [REC], também conhecido como “Mockumentary”.  Ele inicia com a gravação de uma câmera comprada por Micah (Micah Sloat), andando pela casa e filmando tudo que pode, junto de sua namorada Katie (Katie Featherston). Pois bem, o motivo da filmagem integral é a tentativa de flagrar supostas atividades paranormais que estão ocorrendo na casa. Durante a noite, Micah coloca a câmera no quarto para analisar no dia seguinte qualquer evento paranormal presente nas imagens. A cada noite eventos estranhos, como sons de passos e portas se mexendo sozinhas ocorrem e numa escala gradativa. Apesar de buscar ajuda até mesmo espiritual, os eventos aumentam e Micah descobre que Katie é perseguida por um demônio desde a infância. A partir daí, a rotina na casa fica cada vez mais pesada.

A simplicidade do filme é bem usada e os dois atores conseguem segurar bem a trama. As revelações ocorrem num ritmo bastante arrastado e a ambientação dos eventos é bastante realista. Como ponto fraco eu cito a insistência do personagem de Micah em soltar piadinhas em momentos tensos. Tanta coisa para copiar dos filmes blockbuster, o diretor Oren foi copiar justamente este irritante estilo “cara legal, piadas imbecis”. Algumas cenas são muito bem produzidas e destaco como a mais marcante a cena em que Katie é arrastada para fora da cama.

O filme possui três finais. Como eu vi no DVD nacional, que contém o final utilizado no cinema e o final original, devo confessar que o final original é infinitamente superior à versão do cinema. O final utilizado no cinema é um tanto desnecessário (desnecessário para uma boa trama, mas muito conveniente para os produtores deixarem o gancho para a seqüência já anunciada para este ano) e destoa completamente do filme inteiro, gerando um resultado que, ironicamente, é o único momento que deve ter custado alguma grana e é justamente o mais artifical! O final original é muito melhor, mas inconveniente para os papa-cifras já que não deixa gancho algum.

Enfim, Atividade Paranormal não é um filme ruim, obviamente. Eu diria que ele ganha de lavada de A Bruxa de Blair, porém perde de lavada para [REC], em termos de comparação. Vale mais como exemplo de que se pode alcançar bons resultados com pouco dinheiro do que ser de fato algum novo clássico do terror. Alugue, divirta-se (ou talvez até se assuste), mas não espere algum divisor de águas.

Nota: 6,5

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País de Produção: Estados Unidos

Ano de Produção: 2007

Estúdio: Oren Peli Productions

Distribuição: Paramount Pictures

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Elenco:

Katie Fatherston (Katie)

Micah Sloat (Micah)

Mark Fredrichs

Amber Armstrong

Produção: Jason Blum e Oren Peli

Edição, Roteiro e Direção: Oren Peli

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Trailer Original


30 Dias de Noite (2007) – Mais um suspiro do horror moderno

 

O horror em 30 dias sem parar.

 

Ah, que saudades da época em que os filmes de terror tinham uma produção de baixo orçamento, mas eram repletos de gente empenhada em fazer algo divertido. Saudosa Hammer Films, que produziu Dráculas e Frankensteins tão bons… Sem contar a era de ouro da Universal, onde Bela Lugosi, Boris Karloff, Lon Chaney e tantos outros ajudaram a moldar o cinema fantástico, iniciado com os “pesadelos germânicos” do Expressionismo Alemão… Pois bem, hoje em dia parece que a investida de nossos heróis foi quase em vão, já que o gênero está aos poucos sendo destruído… Quando uma boa obra de terror surge nos dias de hoje é quase um motivo de festa. Já lhes recomendei aqui no Vortex A Órfã e o magistral [REC], e venho aqui falar do ótimo 30 Dias de Noite (30 Days of Night), filme de 2007 baseado nos quadrinhos de Steve Niles que conta com a produção do mestre Sam Raimi.

[ATENÇÃO: Spoilers neste parágrafo] Vamos ao roteiro: A história se passa na cidade de Barrow, no Alasca, onde em determinado momento do inverno o sol deixa de aparecer por 30 dias. O xerife Eben (Josh Harnett) vai averiguar o aparecimento de um estranho (Ben Foster) que está falando sobre “estranhos eventos”. Ao voltar para a cidade, Eben encontra a policial e esposa Stella (Melissa George) voltando para a cidade, pois perdeu o último vôo antes dos 30 dias (os dois estavam quase se separando). Na cadeia, o Estranho revela que a morte está chegando para eles. Então com o cair da noite um grupo de vampiros invade a cidade e corta todos os meios de comunicação da população. Eben e Stella então saem pela cidade e avisam para todos os moradores se trancarem e carregarem todas as armas. O grupo de vampiros, liderado por Marlowe (Danny Huston), busca o Estranho. A partir do momento em que este pede para ser transformado, é morto e Marlowe ordena a todos os vampiros que não transformem mais ninguém e matem todos da cidade. Eben e Stella são salvos por Beau Brower e então se isolam no porão de uma casa com outros moradores da cidade, e lá pretendem inicialmente permanecer durante os 30 dias. Porém, como você já pode imaginar, eventos que impedirão isso ocorrerão.

Quando eu vi esse filme eu pensei: Caralho, como ninguém nunca pensou nisso? É uma daquelas idéias que são óbvias e mesmo assim nós não conseguimos pensar, rsrsrsr. O clima desolado da cidade é aproveitado de forma espetacular: a quase ausência de uma trilha incidental faz o barulho do vento soar macabro e inquietante. Imagine só: uma cidade gélida, no meio do nada, com vampiros espreitando e sem nenhum meio de comunicação; como seria estar nela? O diretor David Slade explorou muito bem este clima tétrico, além de dar ao filme um andamento ótimo. No primeiro momento você pode pensar: – Ah, tem umas 10 pessoas com armas no porão, e uma porrada de vampiros do lado de fora. Daqui a pouco vai rolar tiro, sangue, pescoços dilacerados, etc… Mas não é isso o que acontece. O filme segue de forma arrastada, transmitindo ao espectador a tensão presente e a incerteza do que pode acontecer. Isso é fenomenal para os padrões de hoje, onde qualquer “blockbusteriano” (como Stephen Sommers em Van Helsing) pensaria logo em arrumar um meio de colocar os vampiros dentro da casa e filmar uma “fuga desenfreada” dentro da casa. Tais momentos rolam apenas nos momentos que devem rolar, e nenhum dos humanos é algum super-homem ou matador de vampiros piadista. Além disso, o filme permite um desenvolvimento dos personagens, que faz com que o espectador realmente simpatize com seus dramas.

A fotografia é excelente, com belos contrates e imagem límpida. As atuações são seguras e Josh Harnett realmente nos transmite a desconfiança do personagem. A maquiagem dos vampiros é bem cuidada, com cada um tendo uma distinta feição. Agora, devemos ressaltar que estes vampiros não são como estamos acostumados a ver hoje, de forma romantizada: se assemelham mesmo a monstros vorazes, com dentes afiados e bocas enormes. A forma violenta dos vampiros ao atacar suas vítimas surpreende. Eu diria que o que o Drácula de Bram Stoker tem de repulsivo estes aqui tem de filhos das putas! Agora, uma coisa peca muito: não é mostrada a origem destes vampiros, assim como algumas coisas sobre os monstros ficam sem explicação…. Bem, é possível desconsiderar estes pontos fracos.

30 Dias de Noite é uma das melhores opções de filme de terror dos últimos 5 anos. Além de o diretor David Slade ter trazido um excelente clima e o filme ser inquietante com algumas cenas claustrofóbicas, a obra ganha ainda maior destaque por sua produção caprichada (mas sem exageros, como zilhões de efeitos especiais) e quebrar um pouco a mesmice com a qual vampiros tem sido retratados ultimamente. Indicado!

Nota: 8,5


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País: Estados Unidos

Ano de Produção: 2007

Estúdio: Dark Horse Entertainement/ Ghost House Pictures

Distribuição: Columbia Pictures

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Elenco:

Josh Harnett (Eben Oleson)

Melissa George (Stella Oleson)

Danny Huston (Marlowe)

Ben Foster (o Estranho)

Mark Boone Junior (Beau Brower)

Mark Rendal (Jake Oleson)

Amber Sainsbury (Denise)

Manu Bennett (Billy Kitka)

Edição: Art Jones

Cinematografia: Jo Willems

Produção: Sam Raimi, Ted Adams e Rob Tapert

Roteiro: Steve Niles, Stuart Beattie e Brian Nelson, baseado na história de Steve Niles

Direção: David Slade

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Trailer original:


Faust – O Pesadelo Eterno (2000) – Tudo tem um preço…

Lembram do post anterior sobre [REC]? Se vocês observarem, verão que a distribuidora do filme se chama Filmax e que o produtor é Julio Fernandez. Pois bem, acontece que Julio Fernandez é um dos maiores entusiastas do cinema fantástico espanhol, não por que seus filmes são excelentes, mas sim porque o cara atua na produção de vários filmes de terror. A principio a Filmax realizava obras do gênero ao lado da Fantastic Factory (que na verdade fazia parte da própria Filmax), e desta parceria surgiram 8 filmes fantásticos, incluindo o objeto deste artigo.

[ATENÇÃO: Spoilers neste parágrafo] Pois bem, Faust é baseado numa história em quadrinhos, que explora o conceito da obra de Goethe, ao personagem principal fazer um pacto com um ser sinistro chamado M (Andrew Divoff) que aqui representa o demônio, ou de acordo com a obra de Goethe, Mephistofeles. John Jaspers (Mark Frost) vende a sua alma para poder se vingar da gangue que matou sua namorada Blue (Jennifer Rope). Ele ganha umas espécies de garras retráteis, com o qual ele decepa os vigaristas. Só que M quer que ele mate mais, e John entra em um conflito mental. Ele mata todas as pessoas de uma reunião de negócios e é encontrado em estado catatônico pelo Detetive Margólies (Jeffrey Combs). Ao ser levado para um sanatório, tem seu caso acompanhado de perto pela doutora Jade de Camp, que se interessa pelo caso do jovem. Só que John está entrando em uma transformação e virando uma espécie de demônio destinado a matar por M. Conforme John passa a acreditar mais em Jade, ele vai recuperando sua humanidade e tendo maior controle sobre o demônio em si, o que enfurece M, que decide matar-lo e capturar a doutora Jade para o ritual de evocação do Homunculus, verdadeiro motivo pelo qual M queria que John matasse tanta gente.

É com esta história que explora apenas vagamente o conceito do livro de Goethe que a trama se desenrola. Apesar de o filme ser espanhol, seu idioma é o inglês (infelizmente, já que muitos personagens forçam tanto o sotaque que fica cômico). Os efeitos são bem produzidos na maioria das vezes (assinados pelo grande Screaming Mad George) e em diversos momentos o espectador testemunha um show de gore. Se a produção tosca até é bem cuidada, a direção é capenga, já que quem assume a cadeira é o ruim Brian Yuzna (diretor de Re-Animator), que deixa diversos erros técnicos passarem (sério, alguém sabe se ele deixa microfones aparecerem na cara de pau de propósito???), além de sofrer do erro de gravar cenas de ação um tanto inconstantes e tentar padronizar ao estilo americano a obra. Quando John vira um demônio ele se torna uma mente sarcástica, matando por prazer, mesmo que seja para salvar a doutora. Alguns diálogos são engraçados, mas a maior parte das vezes o filme explora um humor estúpido.

Faust provavelmente não será um filme que você sentirá uma vontade louca de rever após os créditos finais. Mas também não é um trabalho de todo ruim. Se por um lado temos deslizes incompetentes, por outro temos algumas idéias legais e o clima tosco da produção tem seu charme. Obviamente a história é muito “Spawn”, mas é uma boa pedida para quem quer conhecer um pouco mais o cinema fantástico europeu e principalmente ver que a Filmax começou com obras despretensiosas até chegar no seu ápice maior [REC]. Ah, e vale ressaltar que Faust  é muito melhor que a produção seguinte da Fantastic Factory, Re-Animator: Fase Terminal (esse sim é um filme ruim).

Nota: 5,5

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País: Espanha

Ano de Produção: 2000

Distribuidora: Filmax

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Elenco:

Mark Frost (John Jaspers/ Faust)

Andrew Divoff (M)

Isabel Brook (Jade de Camp)

Jeffrey Combs (Det. Margólies)

Monica van Campen (Claire)

Junix Inocian (Dr. Yuri Yamato)

Fermi Reixach (Comissioner Marino)

Edição: Luis de la Madrid

Efeitos Especiais: Screaming Mad George

Música: Xavier Capellas

Direção de Arte: Isidre Prunés

Produção: Julio Fernandez

Roteiro: David Quinn, baseado na história de David Quinn e Tim Vigil

Direção: Brian Yuzna

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Trailer original:


[REC] (2007) – Uma obra prima do cinema espanhol.

 

Uma experiência única.

 

Um dos maiores prazeres que há, para um fã de terror, é assistir uma nova obra fundamental sobre o gênero. Existem idéias que se reciclam no cinema sem conseguir determinado destaque, enquanto outros formatos de cara ganham seu reconhecimento. Me lembro que no ano de 1999 uma obra de baixo orçamento e com uma idéia supostamente inédita explodiu nos cinemas. O filme em questão é A Bruxa de Blair. O filme causou um verdadeiro alvoroço. A propaganda do filme foi certeira, sugerindo que aquela obra de fato fosse o resultado de fitas encontradas em uma floresta, após 3 jovens terem ido gravar um documentário e nunca mais terem retornado. Eu , ainda criança, pensei:- caralho,deve dar muito medo! Perguntei para alguns amigos que viram o filme e estes me disseram: – cara, dá muito medo! Um amigo meu não conseguiu dormir durante 1 semana! Então, quando eu vi de fato o filme, pensei: – Dos dois um: ou eu não entendi esse filme ou meus amigos odiaram também e quiseram me enganar!

Anos depois, vi novamente, temendo que naquela época eu fosse pirralho demais para entender o filme (eu tinha 12 anos). De fato o filme não era tão “absurdamente ruim”. Era ruim. Quadros de câmera sem lógica para quem estaria num momento de distração, diálogos muito “bem cuidados” em momentos que os jovens estavam frustrados, momentos non-sense, momentos que dariam um bom clima de suspense e não foram aproveitados, etc, etc, etc. Além disso, qualquer bom fã de terror sabe que o conceito usado em A Bruxa já havia sido muitas vezes realizado, tendo inicio (provavelmente, apesar de eu ainda ter minhas dúvidas) no clássico Cannibal Holocaust. Bom, esta introdução toda tem a finalidade de mostrar que idéias podem ser desprezadas pelo simples fato de não terem sido exploradas. Mesmo que depois de A Bruxa outros filmes com a idéia de “gravar o terror” tenham surgido, nenhum foi tão primoroso como esta obra espanhola, [REC].

Se nos filmes anteriores nós víamos pessoas até um tanto “moderadas” em situações de pavor, aqui nós temos a reação que qualquer um de nós teria: gritar, dar socos, correr em escadas e tropeçar, falar palavrões…. Para aumentar o sentimento de caos do filme, os atores mal foram informados sobre o roteiro: Os diretores passaram “aos poucos” as informações sobre a trama, aumentando ainda mais a surpresa dos atores em diversas cenas. Com a tensão à flor da pele na maior parte do filme, ainda somos brindados com zumbis vorazes aparecendo do nada, perseguindo os “infelizes” na subida de uma escada mal iluminada e os personagens brigando entre si, devido ao inferno que enfrentam. Enfim, o cinema espanhol conseguiu trazer verdadeiramente o pavor ao espectador, coisa que o cinema americano vem tentando há muito tempo e não conseguiu.

[ATENÇÃO: Spoilers no próximo parágrafo] Vamos a história: O filme se passa através da gravação que a repórter Angela Vidal (Manuela Velasco) e seu cameraman Pablo (a gravação foi realizada pelo cameraman do filme Pablo Rosso, mas a voz é do ator Pep Sais) realizam para um programa chamado “Enquanto Você Dorme”. Eles seguem até um quartel do Corpo de Bombeiros de Barcelona para mostrar a atividade dos profissionais durante a madrugada. Eles são recebidos pelos bombeiros Manu (Ferran Terraza) e Alex (David Vert), que lhes apresentam o quartel e explicam mais ou menos o que “fazem” durante a madrugada. De repente há um chamado e os bombeiros seguem para o local da ocorrência, acompanhados pela equipe de TV. Ao chegar em um edifico pra lá de caído, Angela passa a narrar tudo o que acontece e pede que Pablo grave tudo. Dois policiais estão no local, Sergio (Jorge Serrano) e um outro policial que nem me lembro se tem o nome dito (Vicente Gil), além dos moradores apavorados com a situação. Os moradores chamaram os bombeiros porque uma senhora que mora no prédio (Maria Lanau)do maluca. Os policiais e os bombeiros vão até o apartamento averiguar o ocorrido (sendo seguidos pela equipe de TV, claro). No apartamento escuro, o espectador se situa em um grande momento de suspense, onde a velha está parada e os policiais tentam alguma comunicação. A velha do nada corre em direção aos homens e dilacera o pescoço de um dos policiais com os dentes. Sergio atira nela e a equipe volta para o saguão trazendo o homem ferido. Ao chegarem no saguão, são informados por uma equipe militar, do lado de fora do prédio,que o edifício foi isolado a pedido das autoridades sanitárias. A partir daí o inferno se instala no prédio. A câmera segue captando tudo com pouquíssimos cortes, o que confere ainda mais realismo ao filme. Como se não bastasse os momentos de pavor devido ao desconhecido, as pessoas passam a discutir freneticamente, inclusive com o policial Sergio chegando a apontar a arma para os bombeiros e a equipe de TV. Angela não obedece a ordem de parar de cobrir o acontecimento e por várias vezes confronta o policial e até mesmo os bombeiros Alex e Manu. Para o caos completo, bastam apenas alguns instantes, quando o primeiro infectado finalmente vira um zumbi.

[REC] é uma obra absolutamente forte. O nível de realismo é absurdo, sinceramente o filme tem a capacidade de trazer o espectador para o inferno que a trama é. Os atores se mantém em um clima de pavor absoluto e dão mais credibilidade por serem desconhecidos do público. Os diretores usaram muito bem o clima decadente do edifício (que na vida real é um prédio abandonado) e gravaram muitas cenas claustrofóbicas. O maior acerto, na minha opinião, é o nível de tensão ir aumentando gradativamente, enquanto dados sobre o que está acontecendo vão sendo coletados (apesar de tudo ficar muito solto, sem muita explicação). E obviamente o filme ter pouquíssimos cortes, o que dá maior ilusão de credibilidade. O som foi bem cuidado (o filme, por motivos óbvios, não possui trilha sonora),e usado de forma certeira nos momentos de suspense.

Os zumbis não tem nada a ver com os zumbizões de Romero: podemos dizer que são próximos dos vampiros de 30 Dias de Noite, na forma de atacar. A fonte da infecção é mostrada no filme e é um dos momentos mais mórbidos que eu já vi nos filmes de terror. Não irei dar detalhes desta cena, pois, se você ainda não viu o filme, saber como ela é tirará todo o impacto da cena. E mesmo que a função do filme seja assustar pelo seu ritmo, a maquiagem também foi muito bem cuidada, com ferimentos expostos sem muito exagero e zumbis parecendo loucos carnívoros.

Eu sinceramente até me atrapalho em elogiar a obra: mais surpreendente do que o filme ser tão bom nos tempos de hoje é o fato de ele surpreender absurdamente num formato que muitos não davam valor. A Espanha virou um celeiro de ótimos filmes do cinema fantástico (vide O Orfanato e o excepcional O Labirinto do Fauno), e [REC] é a prova mor de como ainda é possível dar novas guinadas no cinema reciclando idéias. Eu ainda não vi [REC2], pois eu havia baixado e meu HD foi pro espaço antes de eu dar uma conferidaL . Bem, após isso decidi que irei ver a seqüência quando estrear no cinema, para ser “vítima” do impacto, rsrsrs. Sei que a seqüência decepcionou muita gente e que o roteiro mostra que viajaram muito, mas mesmo assim acho que vale a pena assistir a seqüência de um filme que mostrou a essência há muito perdida dos filmes de terror: assustar.

Nota: 10,0

OBS: O filme foi “adaptado” pelo cinema americano e gerou o filme Quarentena. O americano copiou até mesmo as cenas de [REC] e, mesmo que tenham copiado algo bom, o resultado é bastante insatisfatório. Além dos atores “carinha de elenco da Malhação”, o filme maquia muitos elementos que poderiam dar realismo à obra e ainda por cima os atores mantém o erro da atuação moderada em vários pontos. Recomendo que assista antes [REC], pois além de garantir o impacto de uma primeira vista, pode ser que você perca o entusiasmo de conferir a obra se usar como parâmetro de comparação o “filhote” americano.

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Ano de Produção: 2007

Ano de Lançamento: 2007

Distribuição: Filmax

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Elenco:

Manuela Velasco (Angela Vidal)

Ferran Terraza (Manu)

Pablo Rosso (Pablo)

David Vert (Alex)

Carlos Vicente (Guillem)

Vicente Gil (Policial)

Sergio (Jorge Serrano)

Martha Carbonell (Sra. Izquierdo)

Maria Teresa Ortega (Abuela)

Manuel Bronchud (Abuelo)

Akemi Goto (Japonesa)

Chen Min Kao (Japonês)

Maria Lanau (Madre Histérica)

Claudia Silva (Jennifer)

Carlos Lasarte (César)

Edição: David Gallart

Cinematografia: Pablo Rosso

Efeitos Visuais: Alex Villagrassa

Produção: Julio Fernandéz

Roteiro: Jaume Balagueró, Luis Berdejo e Paco Plaza

Direção: Jaume Balagueró e Luis Berdejo

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Trailer legendado em português


Freaks (Monstros, 1932) – Um clássico do grotesco.

 

Pôster original.

 

 

Elenco reunido com o diretor Browning.

 

Dedico este post a um dos meus filmes preferidos. Se você perguntar porque este é um dos meus filmes preferidos, devo ser sincero em lhe dizer que não sei responder exatamente. Poderia dizer que seja pelo fato de a obra ter sido uma das mais, digamos, “amaldiçoadas” da história do cinema. Poderia também dizer que seja por sua ousadia surpreendente para a época (mesmo que os espetáculos envolvendo freaks fossem comuns). E obviamente posso citar também a outra ousadia que seria mostrar quem são os verdadeiros monstros: as pessoas “perfeitas”. Enfim, o que importa mesmo é que esta chocante produção do ano de 1932 é um absoluto clássico do cinema e merece ser visto por todos, independente de suas preferências.

O cineasta Tod Browning estava a todo vapor na época, graças aos sucessos de seus filmes anteriores, como London After Midnight (de 1927, com o grande Lon Chaney) e Drácula (de 1931, com Bela Lugosi). Então, este cineasta que estava acostumado a retratar o bizarro, resolve lançar este filme que é uma adaptação da história “Spurs”, de Tod Robbins. Obviamente o cinema de horror da época era muito “brando”. Talvez por isso as pessoas tenham sofrido um impacto tão grande ao assistir a esta obra. Curioso, pois como já falei, espetáculos que exploravam a deformidade dessas pessoas explodiam nos Estados Unidos. O que importa é sua importância histórica e seu valor de entretenimento, uma obra que foi banida em vários países ,foi massacrada pela crítica,sofreu inúmeros cortes e praticamente arruinou a carreira de Tod Browning.

Mesmo durante a sua produção, Browning foi muito criticado. Vários atores chamados por Browning recusaram papéis. Nos estúdios da MGM, a equipe do filme chegou a ser obrigada a almoçar fora dos estúdios, em tendas, pois vários profissionais da companhia não conseguiam comer perto dos “freaks” (a vida imitando a arte, não?). O filme teve sua exibição teste em 1931 e foi um desastre total. Frente a isto, o estúdio decidiu remover a maior parte das cenas com os “freaks”, alterou seu epílogo original e encurtou bastante as cenas finais. As partes que foram censuradas do filme infelizmente estão perdidas, e da película de 90 minutos sobraram apenas pouco mais de 60. Seu final original também foi alterado, sendo substituído por um final feliz, no intuito de amenizar o impacto da obra. Não adiantou. A critica considerou o filme “doentio”. Cinemas boicotaram a obra. No Reino Unido, o filme ficou proibido por mais de 30 anos. E o pobre Browning teve sua carreira futura bastante prejudicada, conseguindo dirigir apenas mais 4 filmes (o diretor tinha realizado desde a década de 10 57 obras). Felizmente o filme foi resgatado na década de 60 e finalmente pode receber o prestígio que merecia (graças ao público já ter sido submetido a maiores “horrores” nesta época).

[ATENÇÃO: Spoilers neste parágrafo]: O filme começa com um homem prestes a revelar, em uma caixa, um dos maiores “mistérios da natureza” (Vale ressaltar que este prólogo não estava presente na versão original do filme). Então somos apresentados a um circo, onde artistas “normais” se misturam às “aberrações”. Logo no início, numa cena onde Madame Tetrallini (Rose Dione) está com alguns dos freaks em um gramado já temos o impacto da obra em geral: vemos o “homem torso” Prince Radian, que não tem nenhum membro, Johnny Eck que aparentava não ter nada da cintura para baixo, além dos microencefálicos, dos quais destacamos Schilitzie (que, apesar de retratado como mulher, na verdade era um homem e provavelmente chamava-se Simon). Nesta cena, vemos dois homens abordando Madame Tetrallini, onde podemos já identificar a abordagem sobre o preconceito das pessoas aos deficientes. O filme segue e vemos então a trama principal: a trapezista Cleópatra (Olga Baclanova) observa que o anão Hans (Harry Earles) a observa com admiração, e ao descobrir que ele é herdeiro de uma fortuna, passa a seduzi-lo e ele, mesmo sabendo da diferença óbvia entre ambos, a pede em casamento. Só que Cleópatra na verdade tinha um caso com o trapezista Hércules (Henry Victor) e planejava matar Hans para herdar sua herança. Ao perceber as verdadeiras intenções de Cleópatra, a anã Frieda (Daisy Earles) tenta alertar seu ex-noivo Hans, que não lhe dá atenção. Então, esta passa apenas a contar com o apoio de Vênus (Leila Hyams) e Phroso (Wallace Ford), que também desconfiam dos verdadeiros objetivos de Cleópatra. Na festa de casamento, numa das cenas mais memoráveis do cinema, os freaks estão reunidos numa grande mesa e cantam para Cleópatra “Você é uma de nós!”. Esta, com repulsa por ser comparada a eles, os agride verbalmente e caçoa de Hans, além de beijar Hércules na frente de todos. Hans aparentemente a perdoa, porém no momento em que Cleópatra iria envenenar-lo, os freaks montam uma armadilha para ela e Hans revela que sabe de tudo. A vingança dos Freaks começa. No fim do filme é revelado o conteúdo da caixa: Cleópatra foi “transformada” numa freak.

Obviamente os maiores destaque são as cenas com os freaks. Temos a clássica cena do homem-torso acendendo o cigarro com a boca (no filme original,ele também enrolava o cigarro com a língua), Johnny Eck “andando com os braços”, a Vênus de Milo (Frances O’Connor) realizando afazeres com as pernas, Schilitzie tentando se comunicar com Phroso, o “homem esqueleto” (Peter Robinson) comemorando o nascimento de seu filho com a mulher barbada,e obviamente a cena do banquete de casamento. Pena que tantas outras cenas estejam perdidas… O filme enfatiza o preconceito que muitas pessoas tem com deficientes, mas mostra também o outro lado da moeda, na imagem de Vênus e Phroso que protegem os freaks.

O aspecto técnico do filme é bom, considerando as limitações que existiam na época em ambientar complexos ambientes externos em estúdio,neste caso um circo.Browning manteve uma boa direção e a interação entre os atores e “freaks” tornam o ambiente ainda mais convincente. O filme pode nos passar um daqueles dilemas ambíguos, entre o moral e o amoral que estava presente na época de sua produção: os “freaks” eram explorados como aberrações, e isso desrespeitava os direitos humanos. Porém, era a única forma de conseguirem dinheiro (e conseguiam uma razoável quantia), já que planos assistenciais naquela época mal garantiam uma digna existência. Com os shows, os “freaks” conseguiam uma vida confortável dentro de seus limites, se casavam e constituíam famílias. Somente na década de 60, quando tais espetáculos foram abolidos, houve uma preocupação social maior com essas pessoas. Bom, é um julgamento que considero intrínseco, depende do ponto de vista de cada pessoa, mas o fato é que graças àqueles shows os artistas não se tornavam confinados em asilos decadentes do início do século.

Este é um dos trabalhos mais espetaculares da história do cinema, sem sombra de dúvidas. Fico imaginando a reação da platéia na época ao ver a película (ainda mais nervosa pelo fato de o “Fantasma da Crise de 29” ainda estar presente em 1932), e a seguinte questão surge: teriam ficado chocados pelas imagens das pessoas com limitações ou horrorizados por verem como eles mesmos podiam ser tão preconceituosos? Tirem suas conclusões e se deleitem com um dos maiores espetáculos da história do cinema.

P.S: Em breve farei um post especial sobre os freaks presentes neste filme e a suposta “maldição do filme Freaks”.

Nota: 9,5

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Elenco:

Wallace Ford – Phroso

Leila Hyams – Venus

Olga Baclanova – Cleópatra

Henry Victor – Hércules

Harry Earles – Hans

Daisy Earles – Frieda

Johnny Eck – Half Boy

Roscoe Ates – Roscoe

Rose Dione – Madame Tetrallini

Frances O’Connor – Armless Wonder

Peter Robinson – Human Eskeleton

Roteiro: Willis Goldbeck e Elliot Clawson, baseado numa história de Tod Robbins

Edição: Basil Wrangwell

Produzido e Dirigido por: Tod Browning

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A clássica cena do banquete:


Frankenstein de Mary Shelley: uma boa versão do clássico livro.

A maior parte dos filmes que abordam a obra-prima de Mary Shelley não seguem a história do livro com exatidão. Em meio a tantas versões (Frankenstein só perde em quantidade de adaptações cinematográficas para Drácula) é complicado que uma nova obra sobre o tema consiga se destacar. Então, em 1994 surgiu este filme, com a proposta de ser a versão mais próxima da história do livro. Apesar de, assim como as outras, mudar muitos elementos (mesmo que em menores proporções) esta é sem dúvida uma das melhores alternativas sobre a história do Dr. Victor Frankenstein.

A história começa com a chegada do Dr. Frankenstein (Kenneth Branagh, que sinceramente é um ator ruim, mas dirigiu bem o filme) no Pólo Norte, onde é encontrado pela expedição do Capitão Robert Walton (Aidan Quinn) que o resgata. Então, o filme é seguido através da narrativa de Frankenstein sobre sua história. Frankenstein conta (de forma vaga) sua infância, quando conheceu Elizabeth (Helena Bonham Carter) ainda criança e como desenvolveu interesse por ciência. De fato, o filme se torna mais intenso com sua ida à Universidade de Ingolstadt, onde conhece o Dr. Waldman e Henry Clerval (Tom Hulce). Este é um dos pontos onde o roteiro mais desvia o enredo do livro, já que Victor e Henry se conheciam desde crianças na história original.

Bem, ao se aprofundar nos seus estudos sobre as ciências naturais e após conhecer o projeto do Dr. Waldman de reanimação da matéria, Victor decide tentar dar vida a um ser criado por si mesmo através de partes de cadáveres. Nesta busca, Victor se distancia mais de sua família e se torna mais obcecado pelo resultado final de sua experiência. Então, numa cena bem produzida sobre a criação do Monstro, Victor vê o resultado de sua obsessão: um ser demente (aparentemente), amedrontador, repulsivo. Então, Victor vai embora e abandona a criatura. Porém, de forma eficaz, o filme nos mostra como o Monstro (muito bem interpretado por Robert DeNiro) aprende a falar e sai em busca de Victor.

Um dos ápices, sem sombra de dúvidas, é a narrativa sobre o monstro. Vemos a passagem da criatura pela cidade, seu desolamento, sua esperança de compaixão na imagem de uma família e a reflexão de como esse mundo não é o seu lugar. Já o desfecho é um caso a parte: de forma muito inteligente foi usado o conceito da noiva do Monstro (que Shelley tinha, mas não chegou a publicar) e aproxima-se ainda mais da reflexão proposta pela autora sobre a semelhança criador e criatura. Obviamente, em contraponto, o roteiro tem momentos fracos e non sense, mas nada que comprometa demais.

O filme funciona bem para mostrar a história de Shelley, apesar de tomar diversas liberdades em relação ao livro. A fotografia é ótima e podemos nos deleitar com grandes e belos cenários ao longo do filme. É um daqueles filmes com clima épico, figurino arrebatador e quadros de câmera que tentam mostrar tudo. A trilha sonora também é boa, assim como os efeitos sonoros são precisos. A caracterização do Monstro pode até causar alguns estranhamentos para nós acostumados com as caracterizações de Boris Karloff e dos Frankensteins da Hammer, mas é possível perceber que a maquiagem foi muito bem feita.

Como ponto fraco da parte técnica eu cito a edição, que quebra o clima do filme com seqüências muito diferentes em seus padrões.

Assim como o livro é excelente, o filme poderá trazer alguns momentos de reflexão ao espectador. Infelizmente a obra foi massacrada pela crítica (fato que pode até ser bom sinal, já que o que a crítica elogia na maior parte das vezes é pura merda). Kenneth Branagh definitivamente é um péssimo ator (sua atuação às vezes põe o filme em risco), mas dirigiu bem o filme, que como detalhe curioso, foi co-escrito por Frank Darabont, o gênio por trás das adaptações dos livros de Stephen King À Espera de um Milagre e Um Sonho de Liberdade. Se ainda não viu Frankenstein de Mary Shelley, assim que encontrar-lo aproveite.

Nota: 8,0

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Elenco:

Robert de Niro – A criatura

Kenneth Branagh – Victor Frankenstein

Helena Bonham Carter – Elizabeth

Tom Hulce – Henry Clerval

Aidan Quinn – Capitão Walton

Ian Holm – Barão Frankenstein

Robert Hardy – Professor Krempe

John Cleese – Dr. Walderman

Richard Briers – Avô

Cherie Lunghi – Caroline Beaufort Frankenstein

Celia Imrie – Sra. Moritz

Gerard Horan – Claude

Trevyn McDowell – Justine

Roteiro: Steph Lady e Frank Darabont, baseados no livro de Mary Shelley

Edição: Andrew Marcus

Cinematografia: Roger Pratt

Música: Patrick Doyle

Produção: Francis Ford Coppola

Direção: Kenneth Branagh

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Trailer Original: