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À Espera de um Milagre (The Green Mile – 1999): Soberbo!

Olá meus caros! Como vão?? Primeiramente, informo que infelizmente estive impossibilitado de postar no blog, graças a contratempos (leia-se bloqueio da internet em meu trabalho). Mas agora estou com um acesso estável, e prometo que sempre postarei sobre antigos e novos clássicos do cinema aqui 🙂 ! E em segundo, vamos falar sobre um filme que, na minha opinião, é o melhor do cinema americano: À Espera de um Milagre.

Vamos começar falando do diretor desta obra de arte: Frank Darabont. Enquanto muitos apontam como “gênio do cinema moderno americano” diretores como M. Night Shyamalan, eu digo que quem merece este título é nosso querido Darabont. Sinceramente, eu até acho que ele é injustiçado, por não ter um renome tão grande como cineastas modernos, como Shyamalan e cia.. Sinceramente, ainda não vi filme deste homem sair abaixo do ótimo. Um Sonho de Liberdade, Cine Majestic… o inquietante O Nevoeiro…. um novo gênio da sétima arte. Mas permita-me falar do filme em questão no artigo, que é seu maior acerto, sem dúvidas.

[ATENÇÃO: Spoilers nos próximos 2 parágrafos] The Green Mile, como a maior parte dos filmes dirigidos por Darabont, é uma adaptação cinematográfica de uma obra de Stephen King, lançada em 1996. O filme começa com Paul Edgecomb, um antigo guarda de prisão, em um asilo, tendo uma crise emocional ao ver o filme Top Hat, com Fred Astaire. Então, ele começa a contar sua história para uma amiga de asilo. Somos levados então ao ano de 1935, onde Paul Edgecomb (retratado aqui por Tom Hanks) era chefe de guarda de um corredor da morte, apelidado pelos guardas de “A Milha Verde”. Ao chegar um novo prisioneiro, todos se impressionam com o mesmo: um homem negro (num tempo em que o racismo era ainda intenso) com mais de 2 metros de altura, de aparência forte, mas de uma mentalidade inocente e até mesmo infantil. O nome dele é John Coffee (Michael Clarke Duncan) e foi condenado à morte pelo assassinato de duas garotinhas. Mas conforme o filme decorre, John Coffee demonstra ser uma boa pessoa, e guarda um segredo: ele tem o dom de curar as pessoas. O próprio Edgecomb tem uma infecção urinária curada por Coffee. Após isso, Edgecomb passa a ter uma nova imagem do prisioneiro.

Mas o filme tem outros personagens tão ricos quanto: Eduard Delacroix (Michael Jeter), um prisioneiro profundamente arrependido do que fez e que “doma” um outro personagem muito especial (e que tem grande importância na trama), o ratinho Mr. Jingles; Percy Wetmore (Doug Hutchison), um guarda imbecil que chegou ao cargo através do conhecimento de pessoas importantes; Will Bill (Sam Rockwell), um assassino que chega após John Coffee no corredor da morte, e também guarda um segredo essencial na trama, além  dos guardas Brutal Howell (o ótimo David Morse), Dean Stanton (Barry Pepper) e Hal Moores (James Crowmwell), que também presencia os milagres de Coffe, após sua mulher ser curada de um câncer terminal pelas mãos do prisioneiro.

Aliás, a forma como o filme é conduzido faz o espectador interagir de forma única na história. Mesmo que Coffee seja de certa forma o ponto principal do filme, a narrativa dá espaço para os outros personagens se desenvolverem e ganharem o carisma (ou ódio) do espectador. E como é característico nas obras de King, os personagens refletem vários aspectos que compõe o ser humano como um todo. Enfim, é um dos filmes com personagens melhor construídos que eu já vi.

A parte técnica também é uma maravilha. A imagem cria um clima nostálgico, mas não deixa de ser límpida e viva. Até mesmo o contraste da Milha Verde com a falta de cores (e porque não de vida?) do cenário da prisão causa um grande impacto. O som é muito bem cuidado, enfatizando nas ações dos personagens, tornado o resultado quase teatral. As atuações são ótimas. Tom Hanks, na minha opinião, é o melhor ator das duas últimas décadas, e aqui mais uma vez tem um resultado muito bom (mesmo que um pouco contido). Michael Clarke Duncan impressiona e tem uma atuação assombrosa. Até hoje fico pensando na burrada que a “Academia de Imbecilidades de Hollywood” fez em não dar o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante de 2000 para Duncan… Também outro que brilha é Sam Rockwell que conseguiu tornar Wild Bill extremamente repulsivo, mas sarcasticamente engraçado.

Além disso, dois dos maiores pontos da trama são as surpresas do final. Reconheço que pode ser um pouco difícil para algumas pessoas se “entusiasmar” em ver um filme de drama com 3 horas de duração, mas eu recomendo: é uma ótima experiência. Se os filmes americanos da atualidade tivessem pelo menos a metade da qualidade de Green Mile, o cinema americano estaria muito longe de seu atual estado lastimável. Mas Frank Darabont mostrou que até mesmo numa industria cinematográfica onde as cifras ofuscam a arte é possível alcançar resultados magníficos. E sua competência nos presenteou com um dos mais belos e intensos filmes da história.

Nota: 10,0


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País: Estados Unidos

Estúdio: Castle Rock

Ano de Lançamento: 1999

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Elenco:

Tom Hanks (Paul Edgecomb)

Michael Clarke Duncan (John Coffee)

David Morse (Brutus Howell)

Bonnie Hunt (Jan Edgecomb)

Sam Rockwell (Wild Bill)

Michael Jeter (Eduard Delacroix)

James Cromwell (Hal Moores)

Doug Hutchison (Percy Wetmore)

Edição: Richard Francis-Bruce

Música: Thomas Newman

Direção de Fotografia: David Tattersall

Direção de Arte: William Cruse

Produção: Frank Darabont e David Valdes

Roteiro: Frank Darabont, escrito a partir da obra de Stephen King

Direção: Frank Darabont.

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Trailer Original

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