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A Órfã: um filme além das expectativas

 

Há algo de errado com Esther.

 

Todos nós sabemos que determiados tipos de filme já foram tão explorados que é quase impossível não desconfiarmos da qualidade de um lançamento com tais características. Filmes de crianças malvadas passaram a ser explorados exaustivamente após o sucesso do clássico A Profecia, e por que não, O Exorcista. Como, de fato, não há muito o que se explorar em um roteiro com esta característica principal, qualquer filme de “crianças do inferno” resulta num filme do medíocre para baixo. Felizmente existem as exeções.

A Órfã ( Orphan, 2009) é surpreendente devido a sua qualidade em relação aos  outros filmes desse tipo, e ainda ganha mais um mérito por ser um bom filme de horror numa época em que o cinema parece definhar até o âmago.O roteiro é simples: um casal que havia acabado de perder uma filha (Vera Farmiga e o razoável Peter Sarsgaard), vai até um orfanato em busca de uma criança para amenizar a dor da tragédia. Lá, eles encontram a orfã Esther (Isabelle Fuhrman, que surpreende com sua ótima atuação), e então decidem adotá-la, mesmo sabendo que ela é uma criança já um pouco madura. Eles tem outros dois filhos , Daniel (Jimmy Bennett, que já apareceu no também bom  Horror em Amityville) e a pequena Max (Aryana Engineer ), que interpreta muito bem uma menininha surda-murda.

A partir daqui acho melhor não mencionar o resto, pois além de haver o previsível tem alguns elementos que podem ser considerados como spoilers. Sobre os aspectos técnicos, merecem destaque a boa fotografia e a trilha sonora, que é moderada nos momentos certos. O diretor Jaume-Collet Serra faz um bom trabalho, apesar de pecar em insistir em momentos de susto fácil (sinceramente, quase tirei o dvd na cena do “susto” do espelho, usada aqui pela quinzentésima milionésima vez pelo cinema americano), além de merecer destaque o desenrolar denso do roteiro, que nos dá os pontos essenciais da história nos momentos certos.

A Órfã é uma feliz surpresa. O final pode ser muito surpreendente para uns e é um filme que garante bons momentos de suspense. Suas falhas são insistir em algumas coisas já absurdamente manjadas,mas esses são poucos momentos. Arriscaria dizer que esse é o melhor filme de “criança malvada” da década. As surpresas são bem vindas, e nesse caso, a garantia de uma boa noite de terror.

Nota: 8,0

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Elenco:

Vera Farmiga

Peter Sarsgaard

Isabelle Fuhrman

Jimmy Bennett

Aryana Engineer

CCH Pounder

Lorry Ayers

Karel Roden

Produção: Susan Downey, Erik Olsen

Música: Kenedall Bustter

Roteiro: David Johnson, Alex Mace

Direção: Jaume Collet-Serra

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